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Opinião

O Rio Grande do Sul apresentou deflação no começo de 2022 e reduziu impostos? Por Marcelo Bagé

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Marcelo Bagé

O Governador Eduardo Leite foi aos Estados Unidos, em missão oficial, e no dia de ontem fez a seguinte afirmação: “Somos o único estado do Brasil que teve deflação, no início de 2022. Isso foi possível porque reduzimos impostos no RS”.

A frase possui duas afirmações distintas, sendo uma verdadeira, mas utilizada pelos marqueteiros do estado de forma a causar um positivo, mas enganoso, impacto no leitor, e outra falaciosa, como passarei a explicar.

Primeiro, o estado realmente apresentou deflação no primeiro mês do ano de 2022. Enquanto o IPCA[1], calculado pelo IBGE, apresentou variação de 0,54% em janeiro, para a cidade de Porto Alegre o índice apresentou variação negativa de 0,53%[2]. Contudo, isso nem de longe mostra alguma melhora significativa. Até prova em contrário, o que podemos afirmar é que se trata de um “acidente” no longo percurso inflacionário vivido pelo estado (representado por Porto Alegre). Para termos uma ideia, fechamos o ano de 2021 com a quarta maior inflação do país, atrás somente de Curitiba, Vitória e Rio Branco, ou seja, com preços melhores somente que as cidades mencionadas. Além do mais, o fechamento do IPCA acumulado em 2021 foi de 10,99% contra 10,06% do acumulado nacional[3], ou seja, os preços tiveram maior variação no estado, quando em comparação com o país inteiro. Outro ponto importante a ressaltar é que o fechamento do mesmo índice de preços em 2020, foi em 4,52%, ou seja, em 2021 tivemos uma variação de preços que superou o dobro de 2020, em pontos percentuais.

Segundo, o governo não reduziu voluntariamente as alíquotas de ICMS. Senão vejamos. As alíquotas foram majoradas, ainda sob o governo de José Ivo Sartori, no ano de 2016, com prazo até o final de 2018. Após vencer as eleições, o governador solicitou à Assembleia Legislativa a prorrogação da majoração por mais dois anos e, não satisfeito, em 2020, solicitou nova prorrogação, por mais um ano. Detalhe importante é que só houve aprovação da solicitação de prorrogação graças à intervenção e articulação do PT, que, sob a liderança do conterrâneo Fernando Marroni, proporcionou os votos que faltavam e garantiram, por 28 a 25 votos, a prorrogação da majoração das alíquotas de ICMS mais caras do Brasil, ao governador Eduardo Leite.

A aprovação da prorrogação da majoração do ICMS ocorreu com votação apertada e graças ao PT. O governador sabia que, se houvesse uma tentativa, em ano pré-eleição, por certo seria rejeitado um eventual novo pedido. Agora, ele vai aos Estados Unidos afirmar que o Rio Grande do Sul iniciou 2022 sem inflação, graças à redução de impostos realizada pelo governo? Quem conhece a carreira política do governador sabe, e muito bem, que só governa com aumento de impostos. Foi assim em Pelotas, tanto no seu governo, quanto no da sua sucessora, e parece que assim permanecerá, enquanto estiver à frente de qualquer gestão. As afirmações possuem o condão de induzir o leitor a constatar que há melhora na condição econômica do estado graças à gestão atual, quando sabemos que o governador, que se vangloria de ter colocado em dia os salários dos servidores, só o fez graças às polpudas verbas recebidas do governo federal, por conta da pandemia, bem como pelo fato de ter governado por três anos com o ICMS majorado.


[1] A população-objetivo do IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas áreas urbanas das regiões de abrangência do SNIPC, as quais são: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Fonte: IBGE. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=o-que-e. Acessado em 10/03/2022.

[2] Variação dos índices IPCA e INPC para o mês de janeiro de 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/inflacao.php. Acessado em 10/03/2022.

[3] “Inflação fecha o ano em 10,06% no IPCA, pior alta desde 2015”. Disponível em: https://exame.com/economia/inflacao-ipca-dezembro-2021/. Acessado em 10/03/2022.

Artigos de opinião refletem a posição exclusiva de seus autores.

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Especial

Que os sintomas voltem a ser dramas

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“A função do terapeuta é fazer com que os sintomas voltem a ser dramas existenciais” (Maurizio Andolfi)

Se você sente palpitações, sua frio e acha que vai morrer do coração, mas os médicos não encontram nada de errado nos seus exames, você está tendo um episódio de síndrome do pânico, uma das formas mais frequentes de ansiedade aguda nos dias de hoje.

Palpitações, suor, medo de morrer, são o que se chama de “sintomas”, enquanto a síndrome do pânico é o diagnóstico do seu tipo de transtorno. O que psiquiatras e psicólogos sabem é que os seus sintomas, antes de se tornarem sintomas, eram angústias, temores, conflitos, ou seja, emoções e pensamentos desagradáveis que você queria evitar, por isso eles foram tirados do seu pensamento e depositados no seu inconsciente.

Quando Anfolfi diz que “a função do terapeuta é fazer com que os sintomas voltem a ser dramas existenciais”, ele está dizendo que para que a terapia funcione é preciso descobrir o que está “´por trás” daquelas palpitações, do suor, do medo de morrer.

Trazer os conteúdos do inconsciente à tona, durante a terapia, para serem examinados num ambiente de empatia, onde se possam encontrar outras alternativas existenciais para aqueles sentimentos e ideias desagradáveis.

Se chama de “repressão” o mecanismo psicológico que faz com que uma vivência desagradável, em vez de ser resolvida, vá ser depositada, “escondida”, no inconsciente. Isso acontece desde a infância, são os sentimentos e pensamentos “não aceitos” no ambiente em que você vive, que são reprimidos e você “se esquece” deles, mas eles estão lá no fundo, bem guardados.

Uma criança se sente frágil e vulnerável diante dos adultos, necessita de afeto, cuidados, aceitação, assim começamos é que surge a “incongruência” entre o que vivenciamos e o que temos consciência. Por exemplo, não gostamos de algo, mas não é permitido não gostar. Ou o contrário, gostamos de algo, mas é “feio” gostar. Imagine qualquer coisa que você gostasse ou não na sua infância, mas isso não era permitido a você.

Lembro de uma sessão de terapia de família onde um paciente já adulto contava seus sintomas e o psiquiatra respondeu assim: “Isso não é nada, diante de ver sua mãe colocar o seu padrasto para dentro de casa”. O terapeuta captara os sentimentos de ciúmes do filho diante do novo relacionamento da mãe, mas ter ciúmes da mãe não era aceito socialmente.

Os exemplos são infinitos, pense nas suas emoções reprimidas, pense nos seus dramas existenciais, pense nos seus sintomas e observe se há uma associação entre as duas coisas. Os medicamentos e a psicoterapia são métodos para resolver sofrimentos que se apresentam como sintomas psiquiátricos mas que tem como pano de fundo sofrimentos humanos, profundamente humanos.

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Cultura e diversão

A felicidade

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Vivemos uma época de simplificações, “memes”, como se diz. Um de meus problemas sempre foi a certeza de que, por baixo da felicidade, há inevitavelmente um problema. Algo como a lagoa do Laranjal: linda, desde que não mergulhemos nela. Sempre há um furo na história perfeita. Porque, sendo perfeita, não pode ser humana.

Chaplin, um artista de quem gosto muito, escreveu: “Não precisei ir aos livros para saber que o tema da vida é conflito e dor”. Críticos disseram que ele era melancólico, triste. Chaplin não gostou. “Estão errados. Eu sou um otimista”. Um otimista não é necessariamente feliz. Mas, com sua atitude, presta um grande serviço à humanidade. Apesar dos problemas em que seu patético personagem se mete, sempre termina suas aventuras caminhando sozinho, de costas para a câmera, numa estrada poeirenta, rumo à próxima decepção, a superação desta e o lançar-se em busca de novas aventuras. Sucessivos calvários e ressurreições.

O vagabundo de Chaplin era tão sonhador quanto outro personagem, Dom Quixote, mas nunca louco e alheio como este. Em Chaplin, cada poro de seu mirrado corpo desprovido é hiper consciente da realidade. Tudo nele é mecanismo de defesa em relação ao mundo real. Mais associal que antissocial, o personagem aspira ingressar na sociedade, só não nos termos dela. Existe, mas não se encaixa no mundo. Na verdade, o problema do personagem é maior: quer que o mundo se ajuste a ele (será que isso lhe parece familiar?) Não por acaso Chaplin se tornou um mito mundial: fez a plateia rir do próprio desespero, do seu desamparo diante da natureza, de sua inadequação. Não conheço nada mais genial, e reconfortante, do que isso.

Tenho me interessado por outro pensador, este contemporâneo: o psicólogo Jordan Peterson. Sobre a felicidade, o canadense diz o mesmo que Chaplin. Para ele, a finalidade da vida não é a felicidade. “A realidade é sofrimento e tragédia. Você não vai querer viver a vida se entregando aos prazeres, até porque isso é impossível. No final, você vai querer ser o cara que construiu a arca” (referência a Noé). Diz ainda: “Todos nós carregamos fardos. A vida consiste em assumir responsabilidades, mirar alto e agir. Isto é o que vai fazer atravessar os percalços de existir. Se você fizer isso, talvez, naquela meia hora de paz no fim da tarde, você encontre a sua felicidade”.

Freud, o homem que explica tudo, diz em essência o mesmo: “A felicidade humana está em desacordo com a natureza, onde tudo a contraria. A felicidade não foi incluída na Criação”, escreveu. Já Kafka é radical: “Há salvação. Só não para nós”. Woody Allen invoca o humor judaico: “O que eu acho da vida? Não é um bom negócio”.

Sempre gostei dos pensadores realistas. Esses seres que se esforçam para ver as coisas como elas são, e só então, desiludidos, estabelecem os termos em que vão viver, inclusive para influir significativamente. É difícil. Uma pessoa que se propõe a enxergar as coisas como elas são, logo aprende a desconfiar, inclusive de si mesmo. Viver com medo (em estado de defesa contra a realidade) não é bom. Mas viver em negação é melhor? A experiência mostra que não adianta fugir. Chega uma hora em que o fardo pede passagem, com os problemas entulhados no sótão desabando pelo alçapão.

É difícil ver as coisas como são porque, quem consegue, se vê, de repente, sozinho com a decepção, com esta lhe apontando o dedo, contraditando certezas e exigindo coerência. Como ninguém fica de papo com a decepção, talvez só nos consultórios, em geral voltamos para o corredor de espera. É onde nos encontramos: no corredor, batendo cabeças. Ou então, ingressando numa igreja, onde o requisito de admissão é ter vocação para Cristo, o que uma form de evitar bater cabeça, escondendo-a.

É difícil confiar em si mesmo. Imagine, agora que se avizinha mais uma eleição, confiar em quem se propõe a representar os outros. Imagine a cara de pau que a tarefa de ser aprovado pela maioria exige, sem desviar da coerência. Provável que não haja pretensão maior. Uma personalidade narcísica e, em consequência, uma atitude cínica. Eis as duas exigências do papel principal na mais antiga das peças: A Mediação dos Intermináveis Conflitos Humanos.

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No passado, Lula foi eleito dizendo que a esperança venceu o medo. Acreditamos por um tempo. Então veio a decepção. Confiança demais nos outros, problema de sempre. Já Bolsonaro diz: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Seria caso de perguntar: Acima inclusive da esperança? Se for, chegamos a um estágio perigoso. Quase sempre temos estado aquém das possibilidades, nunca além.

Chaplin pode ter atingido o teto da meta: gargalhar do próprio desespero, encarando-o com disposição de ânimo. Sem nada para matar a fome, comer uma bota, fazendo de conta que é um frango; chupar os pregos da bota como se fossem ossinhos da sorte, sabendo o tempo todo que são bota e pregos, nunca se enganando. Apesar dos desenganos, Smile!, como seguiu recomendando aquele emoji de 1968 chamado Smiley (foto). Hoje flutua nas ondas da internet a seguinte mensagem: “O maior negócio da vida é sorrir. Eventualmente, os outros acreditarão”.

Eu acredito que todas as verdades essenciais já foram ditas. Ter ciência delas não nos tem conformado. Sem solução que dure, a saída elementar continua a de Chaplin: Smile!, depois materializada na figurinha do Smiley, hoje trivial nos emojis das redes sociais. Há uma ironia, uma tristezinha na sugestão. Mas, se não for ela, o que será?

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Cultura e diversão

O homem do norte. Por Déborah Schmidt

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O Homem do Norte segue a história de vingança do príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) que, quando criança, testemunhou seu pai, o rei Aurvandil War-Raven (Ethan Hawke), ser brutalmente assassinado por seu irmão, Fjölnir The Brotherless (Claes Bang), que ainda sequestrou sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vinte anos depois ele retorna determinado a salvar sua mãe, vingar seu pai e matar seu tio.

Um dos diretores mais interessantes da atualidade, Robert Eggers se destacou logo com seus primeiros filmes, os excelentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), duas produções de terror aclamadas. Para seu próximo projeto, o cineasta saiu de sua zona de conforto e embarcou em uma trama de ação e aventura, em uma ambiciosa saga viking. O roteiro de Eggers e Sjón é baseado na lenda de Amleth, conhecida como inspiração para a criação da clássica peça Hamlet, de William Shakespeare. O longa explora uma história típica dos nórdicos antigos, acertando no drama familiar e na jornada de vingança.  

Como o protagonista, Alexander Skarsgård demonstra toda sua entrega (física, principalmente) ao viver a versão adulta do guerreiro Amleth. Revelada em A Bruxa, a talentosa Anya Taylor-Joy tem um papel coadjuvante como Olga, mas rouba a cena com seu magnetismo e por estar ligada aos elementos místicos do longa, assim como os personagens de Willem Dafoe e Björk.

Visualmente espetacular, a direção de fotografia de Jarin Blaschke, que trabalhou com Eggers em seus dois filmes anteriores, se destaca pela composição de ambientes naturais. Se tratando de um épico viking, a produção aposta em cenas de lutas com violência e selvageria, e também mostra autenticidade e fidelidade na impressionante recriação do visual e dos costumes vikings.  

O Homem do Norte detalha com perfeição uma saga viking, em uma história de vingança e brutalidade que flerta com o misticismo. Um espetáculo artístico e grandioso.  

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