Amigos de Pelotas

Valter Sobreiro Jr autografa romance e livro sobre suas seis décadas de teatro. Por Geraldo Hasse

Para quem for do teatro ou gostar de literatura, há um bom programa nesta terça-feira (18/11), no saguão do Teatro Simões Lopes Neto, ao lado do Teatro São Pedro, em Porto Alegre: das 18 às 21 horas, o dramaturgo Valter Sobreiro Jr estará apresentando sua última produção, o romance “O Demônio a Ser Pago no Estúdio dos Fundos”, com foco na figura de Elis Regina.

Simultaneamente, ele deverá apor sua rubrica no livro “6 Décadas de Teatro”, assinado por João Luis Pereira Ourique, organizador da fortuna crítica de Sobreiro, cuja obra foi analisada criticamente por acadêmicos da UFPel, da FURG e das federais do MT e do MS. Se tudo sair nos conformes, será uma tarde-noite de honra e glória para o gaúcho de 80 anos que há mais de 60 anos reside em Pelotas.

Filho de um funcionário federal itinerante por cidades da fronteira sulina, Sobreiro viveu em Rio Grande e Santana do Livramento antes de se fixar como estudante no Colégio Pelotense. Formado em Direito, foi advogado trabalhista, mas dedicou toda sua vida ao teatro como professor, cenógrafo, escritor e diretor de peças alheias e próprias.  

Um dos seus professores no Pelotense e na Faculdade de Direito foi Aldyr Garcia Schlee, parceiro como cenógrafo em produções do Teatro dos Gatos Pelados e no Teatro Universitário de Pelotas (TUP), dois grupos responsáveis pelo florescimento das artes dramáticas na cidade. Em 1962, participou da primeira diretoria da Sociedade de Teatro de Pelotas (STEP), que promoveu um festival anual gerador de intercâmbio com outras praças teatrais do país.

Em 1968, convidado a levar a peça “Bira e Conceição” ao Festival Nacional de Teatro, no Rio, Sobreiro estava empenhado nos ensaios quando foi avisado de que deveria encenar, como atividade social, um trabalho para crianças. Sem tempo para isso, recorreu ao amigo Schlee, que escreveu às pressas uma versão moderna da peça Chapeuzinho Vermelho, apresentada uma única vez para a comunidade da célebre favela da Rocinha.  “Que eu saiba, este foi o único texto que ele escreveu para o teatro”, lembra Sobreiro. O original se perdeu, mas a parceria continuou. Em 1983, quando Sobreiro montou o espetáculo “Fuenteovejuna”, Schlee fez a cenografia. Em 1988, quando Sobreiro terminou de escrever o romance “Petrona Carrasco”, Schlee dedicou-lhe um artigo no Diário Popular e um prefácio, não incluído na edição patrocinada pelo Instituto Estadual do Livro como parte de premiação recebida pelo autor (Premio Cyro Martins). Depois, em 1995, Sobreiro ganhou outro prefácio schleesiano para a peça “Maragato”, que chegou a ter duas temporadas no Rio.

O dramaturgo Sobreiro traduziu, encenou ou escreveu novos textos teatrais levados a diversos palcos no Brasil e até ao Uruguai. Só no Rio Grande do Sul, suas peças foram apresentadas em 44 cidades. Num balanço feito em fins de 2021, Sobreiro contou ter participado de 68 espetáculos distintos desde 1961 até 2019. Depois disso, esteve em cartaz em teatro do Rio com a peça “Pai de Deus”. Por tudo isso, seus livros constam em sebos de diversas capitais brasileiras. Graças a essa trajetória, Sobreiro tem agora o privilégio de apresentar seu “Demônio…” e sua biografia teatral em noitada longa no espaço teatral mais prestigioso de Porto Alegre, onde seu anfitrião será ninguém menos do que o eminente crítico Antonio Hohlfeldt, presidente da Fundação Teatro São Pedro. Os dois são amigos há 50 anos.

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LIVROS ANTERIORES DE VALTER SOBREIRO JR

1987 – Em Nome de Francisco (Tchê)

1990 – Petrona Carrasco (IEL/IGEL)

1994 – A Sombra que Avança até Valério e Outras Sombras (Tchê/IGEL)

1995 – Maragato (Editora da UFPel)

1997 – Don Leandro e Os Sendeiros de Sangue (EDUCAT UCPel)

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