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O melancólico e belíssimo Frankestein. Por Déborah Schmidt

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Com mais de 60 adaptações para o cinema, o clássico do terror de Mary Shelley ganha uma nova versão pela mente do brilhante Guillermo del Toro. Com uma assinatura narrativa conhecida pela mistura entre a fantasia e o terror, monstros humanizados e uma estética visual marcante, a paixão pelo gótico e pelo realismo fantástico permeiam as produções do diretor mexicano. Aliás, seu primeiro filme, Cronos (1992), é uma grande referência ao trabalho de Mary Shelley, em uma filmografia que ainda incluiu a obra-prima O Labirinto do Fauno (2006) e os vencedores do Oscar A Forma da Água (2017) e Pinóquio (2022).

Frankenstein acompanha o brilhante, mas egocêntrico cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac), que dá vida a uma criatura monstruosa (Jacob Elordi) em um experimento que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Del Toro divide a estrutura do filme em duas partes. Além de um prelúdio, temos pontos de vista completamente distintos entre o criador e a criatura e, com isso, Oscar Isaac e Jacob Elordi dividem o protagonismo de suas jornadas. É interessante notar que essa versão foge da história de horror e explora muito mais o drama emocional dos personagens, em temas como abandono, culpa e redenção. Se na obra original a criatura é violenta, aqui ela é retratada de forma mais empática, em uma mudança que impacta diretamente na narrativa e nos relacionamentos, como com Elizabeth (Mia Goth), a noiva do irmão mais novo de Victor. Ainda no elenco, vemos Heinrich Harlander (Christoph Waltz), um rico negociante de armas e patrono das artes que concorda em financiar os experimentos do Dr. Frankenstein. Em tempo: Mia Goth ainda é vista em cena com outra personagem, Claire Frankenstein, a falecida mãe do protagonista.

Tecnicamente grandioso, a caracterização do monstro também impressiona, principalmente por não trazer parafusos na cabeça e optar pelo realismo a partir da mistura de partes de corpos diferentes. Como sempre, sou suspeita para falar do magnífico Alexander Desplat. Sua trilha sonora é uma combinação de lirismo e emoção, transmitindo toda a beleza da tragédia criada por Mary Shelley.

Com 2 horas e meia de duração, a sensação que fica é que dava para encurtar a trama em, no mínimo, meia hora. É como se a paixão do cineasta pelo projeto o impedisse de cortar excessos desnecessários, que acabaram prejudicando o ritmo e tornando o filme cansativo em sua metade final.

Melancólico, o Frankenstein de Guillermo del Toro é belíssimo e, apesar de alguns deslizes, mergulha no universo do personagem pelo olhar de um dos grandes mestres do gênero.

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Farmando aura

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária

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Ainda não entendi totalmente o que seja farmar aura. Sei é que deve ser grave, pois vem arrepiando os cabelos até de senhoras que os prendem com laquê.

Uma delas, com ares de professora aposentada, foi ao Instagram protestar contra a nova onda adolescente.

“Sinto vergonha alheia, VER-GO-NHA! Onde estão os pais? Que será do futuro dos nossos jovens?”

Enquanto falava, ela sacudia verticalmente a cabeça com tal veemência que seu topete armado subia e descia repetidamente. “Mas onde é que estamos?”

Até aqui o entendimento pleno do fenômeno de farmar aura é precipitado. Será preciso esperar um pouco mais.

Pelo que li ontem, seria um modo de adquirir reputação por meio de movimentos corporais repetitivos, alguns mais, outros menos criativos.

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Já hoje vi que tais movimentos não precisam ser convulsionados. Embora repetidos, podem incluir passos de capoeira, saltos ornamentais. Cada adolescente encontra sua própria forma de farmar sua aura. De firmar seu carisma.

Cada geração cria uma moda nova.

Nunca se sabe exatamente quando ela surge. Pode a pessoa que a criou nem se dar conta de que o fez. De repente alguém vê, percebe naquilo uma conexão emocional e a coisa explode.

Há mais ou menos um ano, muito antes da atual onda de farmar aura, vi nas redes um vídeo de um garoto oriental que pode, por que não, ter sido um estopim do farmar aura. Um sinal do que estava por vir. Em tempos virais, vai-se saber.

No que me pareceu uma rave, o garoto faz repetitivos e graciosos movimentos diante de uma garota mais alta e pouco mais velha do que ele. Está interessado nela, mas a garota se conserva imóvel, indiferente a ele. Mesmo assim o garoto prossegue em seus movimentos, seguro de impressionar. Do mesmo modo, agora, em geral são meninos que se movem para farmar aura.

Pois farmar aura pode ser, inclusive, isso: um tipo de dança, comum na natureza, em que o macho demonstra habilidades para seduzir a fêmea, como faz o pavão com suas trêmulas penas; agora, porém, com o sentido mais amplo de mostrar simbolicamente ao mundo — um mundo em que as oportunidades parecem raras para a maioria dos jovens — que eles “são alguém”. Que merecem atenção.

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária.

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Se olharmos em volta, há gente de todas as idades farmando aura. Saltando de um pé pro outro, o candidato Flávio Bolsonaro, com sua dancinha nos comícios, farma aura.

De chapéu Panamá, andando de um lado pro outro e fazendo uso do automático discurso do “nós contra eles”, Lula insiste em farmar aura. Está meio cansativo, mas ele insiste. Trump, este é professor de farmar aura, e não só pela dancinha.

Até a professora citada, com sua indignação, farma aura, como atesta, subindo e descendo nervoso, seu duro topete repintado de louro.

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DIA D, novo filme de Spielberg, emociona quando ‘mergulha no drama humano’

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Retornando a uma temática que rendeu filmes como Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), E.T.: O Extraterrestre (1982) e Guerra dos Mundos (2005), o diretor Steven Spielberg retoma a parceria com o roteirista David Koepp, de Jurassic Park: Parque dos Dinossauros (1993), em uma trama de ficção científica e fantasia épica.

Ao longo de quase duas horas e meia, Dia D apresenta um especialista em segurança cibernética, Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor), que junto com colegas liderados pelo idealista Hugo Wakefield (Colman Domingo), roubou arquivos confidenciais do governo dos Estados Unidos para torná-los públicos, e uma meteorologista da TV, Margaret Fairchild (Emily Blunt), que descobrem uma conspiração do governo para encobrir evidências sobre a vida alienígena e seu contato com a humanidade. Eles partem em uma missão perigosa contra o líder corporativo Noah Scanlon (Colin Firth) para finalmente revelar as provas e a verdade para bilhões de pessoas.

Especialista em blockbusters, poucos diretores entendem a indústria cinematográfica de Hollywood como Steven Spielberg. Ao longo de sua inigualável carreira, uma das temáticas que mais lhe fascina é a do contato extraterrestre, entregando produções que se tornaram clássicos do cinema, mas também ajudando a moldar o imaginário sobre os alienígenas na cultura pop. Sua visão otimista retrata os alienígenas como pacíficos e não ameaças invasoras, com exceção de Guerra dos Mundos, onde reimaginou a clássica invasão alienígena do livro de H.G. Wells. Aqui, o cineasta reflete sobre teorias governamentais e a verdade sobre a vida extraterrestre. Aliás, Spielberg já revelou em entrevistas que acredita fortemente que a humanidade não está sozinha no universo.

Dia D é um filme que se pode dividir em duas partes. A primeira metade mostra uma trama misteriosa e arrastada, enquanto que a segunda é frenética, com muita ação e movimento, bem ao estilo do diretor. O roteiro escrito por Spielberg e Koepp passeia com facilidade por diferentes gêneros, como thriller de espionagem, ficção científica, suspense, ação, drama social e até comédia. O longa constrói um jogo de gato e rato cheio de tensão, mas, por vezes existe um excesso de informações e correria na narrativa, porém o diretor conduz tudo de forma dinâmica, desenvolvendo seus personagens durante uma corrida conta o tempo e entrando em profundos embates filosóficos, religiosos e morais.

Com a melhor atuação de sua carreira, Emily Blunt entrega uma atuação inspirada, guiada pela força do olhar (sempre fundamental e impactante na filmografia de Spielberg). Sua personagem serve como condutora dos mistérios e conspirações da trama ao lado do personagem de Josh O’Connor, o responsável por montar um quebra-cabeça que explica o propósito de seus personagens para o público enquanto eles abraçam a busca pela verdade. O’Connor faz um sólido trabalho, dividindo boa parte das cenas com os ótimos Colman Domingo e Eve Hewson. Como vilão, Colin Firth interpreta com uma dose certa de caricatura, representando uma das críticas mais diretas do filme sobre o vilão corporativo e a arrogância institucional.

Com uma amizade de 50 anos com Steven Spielberg e uma parceria que rendeu 30 filmes (é a colaboração mais duradoura e bem-sucedida da história do cinema), o compositor John Williams entrega uma trilha sonora grandiosa, apesar de contida, trazendo emoção na medida certa. Ao lado do diretor desde A Lista de Schindler (1993), a fotografia de Janusz Kaminski evidencia a luz que, como sempre no cinema de Spielberg, tem uma função quase espiritual. Ela atravessa janelas, invade corredores e pulsa em dispositivos alienígenas.

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No retorno ao gênero que o definiu como cineasta, Dia D traz Steven Spielberg de volta ao cinema de blockbuster, conduzindo como um maestro cenas de ação implacáveis e toda a tensão e suspense de conspirações e mistérios de ficção científica. Ao mesmo tempo, emociona quando mergulha no drama humano.

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‘Sonhos de trem’ é um filme sensível e impactante. Por Déborrah Schmidt

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Robert Grainier (Joel Edgerton) é um lenhador que trabalha na construção de ferrovias no início do século XX nas florestas densas do oeste americano. Por conta do trabalho, ele passa longos períodos afastado de sua esposa, Gladys (Felicity Jones), e da filha recém-nascida. Após uma tragédia familiar, Grainier enfrenta a solidão e o luto e precisa se adaptar a esse novo ambiente.

Adaptação do livro de Denis Johnson, Sonhos de Trem tem o roteiro de Greg Kwedar e a direção de Clint Bentley. Ambos trabalharam juntos no ótimo Sing Sing (2023), porém em funções contrárias. O longa poderia facilmente apelar para a melancolia, mas prefere discutir temas delicados como memória, perda, passagem do tempo e a contemplação da vida de um homem marcado pela dor. Sonhos de Trem pode ser lento, mas é justamente nesse ritmo que ele encontra sua profundidade. E nos arrebata de forma surpreendente.

Entregando a melhor performance de sua carreira, Joel Edgerton está brilhante e completamente entregue à complexidade de seu personagem. Carregada de dor, arrependimento e solidão, sua atuação transmite muito dizendo pouco. Ainda em cena, ótimos coadjuvantes como a excelente Felicity Jones, como a amorosa esposa do protagonista, o cativante Arn Peeples, vivido por William H. Macy, e Kerry Condon, que mesmo com pouco tempo de tela oferece a ele a esperança que mais precisa, além da narração de Will Patton.

Simplesmente de tirar o fôlego, a fotografia do brasileiro Adolpho Veloso é poesia em forma de quadro. Cabines iluminadas à vela, florestas densas e noites profundas realçam a solidão e, somado a tudo isso, a trilha sonora de Bryce Dessner intensifica a emoção de cada cena.

Visualmente e emocionalmente deslumbrante, Sonhos de Trem é sensível e impactante. Disponível na Netflix, é, sem dúvidas, um dos filmes mais extraordinários do ano.

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O agente secreto é o grande filme brasileiro do ano e merece Oscar. Por Déborah Schmidt

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Ambientado no Brasil de 1977, O Agente Secreto apresenta Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que foge de um passado violento e tenta recomeçar a vida em Recife, durante o Carnaval. No entanto, ele descobre que a capital pernambucana não é o refúgio que esperava e se torna alvo de uma perseguição, ao mesmo tempo em que tenta recuperar registros sobre a sua mãe e planeja reencontrar seu filho.

Em seu sexto longa, o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho continua abordando temas recorrentes em sua filmografia, como memória e identidade. Assim como em seu filme anterior, o ótimo documentário Retratos Fantasmas (2023), a sétima arte também é uma personagem à parte. Tendo o tradicional Cinema São Luiz como cenário, a produção ainda traz referências a clássicos do cinema, como Tubarão (1975) e A Profecia (1976).

A trama, dividida em capítulos, aborda assuntos como repressão, vigilância e a busca pela memória, além de fazer paralelos diretos e indiretos com o presente. Um exemplo disso é uma menção ao caso do menino Miguel, de 5 anos, que morreu ao cair do nono andar de um prédio de luxo em Recife em 2020. Como de costume, o cineasta explora com carinho a sua terra natal, trazendo elementos culturais e folclóricos, como a curiosa lenda da “perna cabeluda”. Um dos destaques do longa é justamente essa mistura entre o real e o absurdo, combinando questões que fazem parte da nossa sociedade em uma mistura de gêneros que vai do thriller político ao drama familiar, com doses de humor.

Com um roteiro excelente, Kleber Mendonça Filho enaltece o poder da memória ao evidenciar a importância da investigação e dos pesquisadores para que eventos e personagens, ainda que fictícios, não sejam esquecidos. Não posso deixar de mencionar a forma fantástica como o diretor homenageia a Recife dos anos 70, afinal, são poucos os cineastas atuais que conseguem trabalhar tão bem os espaços urbanos. Aqui, a cidade é uma obra viva, cheia de personalidade, histórias e folclores, tornando-se parte essencial da narrativa.

Com chances reais de uma indicação ao Oscar, o sempre versátil e talentoso Wagner Moura faz um ótimo trabalho ao criar um protagonista cativante, com uma presença em cena simplesmente magnética. Sua atuação é sutil, densa e cheia de nuances, marcada por silêncios, gestos contidos e olhares que prendem a atenção do espectador. Entretanto, quem rouba é cena é a brilhante Tânia Maria, atriz potiguar de 78 anos que interpreta Dona Sebastiana, que recebe Marcelo na cidade. Com um humor perspicaz, a personagem é autêntica e a responsável pelo toque de solidariedade e acolhimento na árdua trajetória do protagonista. Ainda no elenco, temos Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Gabriel Leone, Hermila Guedes, a atriz angolana Isabél Zuaa e Alice Carvalho.

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Tecnicamente perfeito, o filme capricha no visual setentista, recriado com equipamentos de câmera vintage e filmes fotográficos analógicos para recriar a estética da época. O primoroso design de produção de Thales Junqueira, parceiro de Mendonça Filho em Bacurau (2019) e Aquarius (2016), reconstrói a época nos mínimos detalhes. Parte fundamental da construção da trama, a trilha sonora é um retrato da cultura brasileira, com nomes como Waldik Soriano, Lula Côrtes & Zé Ramalho, Angela Maria, Orquestra Nelson Ferreira e a Banda de Pífanos de Caruaru, além de Chicago, com a belíssima “If You Leave Me Now”, Donna Summer e “Guerra e Pace, Pollo e Brace”, do maestro Ennio Morricone.

Mesmo com uma filmografia impecável, O Agente Secreto é, sem dúvidas, o grande filme da carreira de Kleber Mendonça Filho. Representante do Brasil no Oscar deste ano, O Agente Secreto recebeu dois prêmios no Festival de Cannes (ator e direção) e coloca Recife no centro de uma narrativa que combina suspense, drama e crítica social no Brasil dos anos 1970. Imperdível, um dos melhores do ano!

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Escrever literatura é para os fortes

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Escrever um livro é relativamente fácil. Uma frase depois da outra, no caso da ficção algum enredo, e está feito. Promover uma sessão de autógrafos também é fácil. Uns poucos convidados aparecem para nos dar seu abraço e pegar autógrafo. Difícil é que leiam o livro e o comentem. Acontece, mas é raro, o que sempre deixa no ar uma sensação de vazio. De tempo gasto em um esforço inútil.

Já tive ilusões, depois perdi. Durante a escritura dos meus dois únicos livros (uma coletânea de contos, crônicas, reportagens e artigos e um só de crônicas), pensei sempre que seriam não mais que um retrato meu a ser lido pelos meus netos, se é que um dia serei avô. Ao rebaixar expectativas, eu me senti melhor, coerente. Tive sorte: do primeiro livro, os 100 exemplares impressos foram todos adquiridos por pessoas gentis. Espero que o tenham lido e que tenham gostado. Já o segundo, não fiz sessão de autógrafos e vendeu quase nada.

Para quem gosta de escrever, tem algum talento para a coisa (e não dispõe de vitrine em veículos de comunicação no mínimo estaduais – o que costuma ajudar o autor), está cada vez mais difícil gastar tempo escrevendo. É preciso ter escrito um livro realmente original e superior (e que venda) para que tenha alguma possibilidade de êxito que vá além das fronteiras locais, de um pequeno círculo de pessoas. E que extrapole as confrarias midiáticas que se incensam mutuamente. Por isso e outras coisas, com poucas exceções, me restringi a ler os autores do meu gosto, os que vieram antes, inclusive porque eles já disseram tudo.

Dentre meus grandes escritores preferidos, o que mais admiro é Truman Capote (foto), de quem li e reli tudo. Dele, o colega Norman Mailer disse: “É o melhor escritor da minha geração, o que escreve as melhores frases”. E olha que Mailer era um gênio. Uma das frases de Capote: “Ela vestia um terno preto com várias correntes de ouro no pescoço e nos pulsos; a boca também estava carregada de ouro, mais parecia um investimento financeiro do que uma arcada dentária”.

A quem não leu, recomendo dele o romance-reportagem A sangue frio (432 págs. Cia das Letras). TC transformou um crime banal ocorrido no Kansas numa tragédia grega. É magnificamente narrado, sombria e artisticamente falando, e fez de Capote um homem rico, embora a um custo alto. TC levou seis anos pesquisando e escrevendo A sangue, e, quando o terminou, descreveu seu estado de ânimo: “Estou com os nervos em frangalhos, tenso como nove pianos recém-afinados”. Outra boa frase… Seu biógrafo, Gerald Clarke, registrou: “Capote nunca se recuperou desse livro”. Ao atingir o ápice, só restava a queda. Ele seguiu escrevendo, mas não muito, e nunca mais repetiu o milagre.

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Eu me comparo com os grandes escritores (que pretensão) e me dou conta do óbvio: do quanto estou longe deles. Resta-me seguir humildemente me esforçando para que meu próximo trabalho tenha qualidade alta, se é que terei condições de fazê-lo. Já como leitor não tenho mais tempo pra gastar com um livro que não passe, digamos, de um bom presente de Natal para pessoas com problemas de insônia, como vi aos montes na feira do livro local, livros de autores que não entendem a diferença entre escrever, escrever bem e a verdadeira arte. Eu ‘sofro’ justamente por isso: porque sei a diferença.

* Caso alguém se interesse, há um filme sobre os seis anos em que Capote escreveu A sangue frio. Chama-se Capote, e o ator que o interpreta (Phillip Hoffman) ganhou Oscar pelo papel.

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Casa de dinamite provoca mais do que explica. Por Débora Schmidt

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Casa de Dinamite marca o aguardado retorno da diretora Kathryn Bigelow após oito anos sem lançamentos. Primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção, por Guerra ao Terror (2008), a cineasta continua atenta às tensões do mundo contemporâneo.

O longa acompanha as reações do governo norte-americano após a iminência de um ataque por um míssil não identificado. A partir daí, inicia-se uma corrida contra o tempo para descobrir o responsável e decidir como responder. A trama não se preocupa em apontar culpados, mas em observar como o sistema reage diante do caos.

Em um tom quase documental, a narrativa segue três perspectivas diferentes diante da ameaça: a Sala de Situação, na figura da capitã Olivia Walker (Rebecca Ferguson), o comando militar, e por fim, a do próprio presidente (Idris Elba). A diretora consegue imprimir um senso de urgência palpável, principalmente no início, quando o filme mergulha na tensão dos profissionais que lidam com informações incompletas e decisões que podem mudar o destino de milhões de pessoas.

O roteiro de Noah Oppenheim utiliza muito bem o recurso da repetição de eventos sob diferentes pontos de vista, com detalhes e diálogos ganhando significado mais adiante, quando vistos por outro ângulo. O que torna o longa ainda mais interessante é o equilíbrio entre o realismo, como um thriller de ação, com reflexão política. De fato, o filme não busca conforto, e sim inquietação e, justamente, na recusa em apontar vilões. Embora países como Rússia, Coreia do Norte e China sejam citados, o filme não os transforma em antagonistas.

Com a competência de sempre, Rebecca Ferguson assume o protagonismo na primeira parte, sustentando o filme durante os momentos mais intensos, porém, à medida que o filme avança e muda de perspectiva, o impacto inicial diminui. A estrutura da narrativa é inteligente, mas inevitavelmente a primeira é a mais forte. Quando a narrativa passa para as demais camadas, o senso de novidade se perde, mesmo com ótimos atores como Tracy Letts e Jared Harris em cena.

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A câmera nervosa e a montagem acelerada de Kirk Baxter, vencedor do Oscar por A Rede Social (2011) e Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2012), reforçam ainda mais a urgência e a tensão do momento. Um cronômetro em tela que marca cerca de 19 minutos até o impacto da míssil, aumenta a sensação de desespero coletivo. A fotografia de Barry Ackroyd, colaborador frequente de Bigelow, ajuda a criar a sensação angustiante de um colapso interno.

O final abrupto e, certamente intencional, vai ser frustrante para a grande maioria dos espectadores que aguardavam uma conclusão mais clara.  Pode parecer contraditório que um filme que começa com uma energia explosiva e ritmo frenético termine de forma mais contemplativa. Pessoalmente, gostei da forma como o filme é encerrado, deixando o público com a sensação de urgência e impotência que construiu desde o início. Como disse anteriormente, não é um filme que busca o conforto.

Produção da Netflix, Casa de Dinamite é um filme que provoca mais do que explica, e que prova por que Kathryn Bigelow continua sendo uma das diretoras mais corajosas e relevantes de sua geração.

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Depois da caçada. Por Déborah Schmidt

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Alma Imhoff (Julia Roberts) é uma professora universitária casada com Frederick (Michael Sthulbarg). Após um evento em sua casa, Alma é procurada por Maggie (Ayo Edebiri), uma de suas alunas, que acusa Hank (Andrew Garfield), seu colega de departamento, de abusar dela depois que ele a levou para casa.

Quando sua aluna prodígio faz uma denúncia grave contra o seu amigo e colega de profissão e pede ajuda para defendê-la, Alma ainda precisa lidar com uma acusação feita por Hank. Confrontada pelos dois lados, a protagonista precisa decidir como agir enquanto protege seus próprios segredos.

Depois da Caçada começa de maneira morna e bastante verborrágica, com cenas em que os personagens falam e discutem longamente sobre diversos temas que, na verdade, não chegam a lugar nenhum. Ambientado no hostil e refinado Instituto de Filosofia da Universidade de Yale, o longa aposta em discussões éticas e intelectuais, porém, é interessante como a narrativa faz com que o espectador questione o retrato de Maggie como uma mulher jovem, preta e queer. Enquanto isso, o branco, hétero e galanteador Hank acredita ser injustiçado, já que Maggie ainda é herdeira de uma grande fortuna.

Emendando um filme por ano desde 2017, o diretor italiano Luca Guadagnino continua explorando as complicadas relações pessoais, com seus personagens envolvidos em uma complexa rede de sentimentos e desejos. O roteiro, escrito pela também atriz Nora Garrett, acerta em criar ótimos diálogos, que geram momentos de puro embate entre os personagens. A trama usa a acusação de assédio como ponto de partida para um debate mais amplo sobre moralidade, hipocrisia e a cultura do cancelamento, sob o ponto de vista das complexas dinâmicas de poder na sociedade atual.

Sem exibir o carisma do qual já estamos acostumados, Julia Roberts interpreta Alma com a frieza de uma mulher que é levada ao limite e pelo medo de lidar com seu passado. Revelação da série The Bear, Ayo Edebiri também se destaca como a estudante Maggie, que questiona o mundo ao seu redor ao mesmo tempo em que busca reconhecimento dele. Deixando de lado os personagens dóceis e íntegros, Andrew Garfield vive um personagem que apresenta defeitos em seu caráter, escondidos pelo seu jeito simpático de lidar com as pessoas. Ainda no elenco, o sempre ótimo Michael Stuhlbarg (dono de um dos meus discursos favoritos em Me Chame Pelo Seu Nome) é um psiquiatra excêntrico na superfície, e que cria o contraponto perfeito para Alma, e Chlöe Sevigny é a psiquiatra Kim Sayers, amiga de Alma.

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Colaboradores de Guadagnino em Rivais (2024) e Queer (2024), os geniais Trent Reznor e Atticus Ross, integrantes do Nine Inch Nails, apresentam uma trilha sonora com canções brasileiras como “Lígia”, de Tom Jobim, e “É Preciso Perdoar”, com Caetano Veloso. Melodramática, a trilha aposta em sons pontuais, como um tique-taque, e a substituição de sons ambientes, confundindo o espectador e dificultando a distinção entre a música e a ambientação.

Com um elenco impecável, Depois da Caçada explora a moralidade complexa de seus personagens e estimula o debate de temáticas controversas, porém, não é provocativo ou ousado o suficiente.

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Furiosa: uma saga Mad Max. Por Déborah Schmidt

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Considerado por muitos (na qual me incluo) o melhor filme de ação do século XXI, o excepcional Mad Max: Estrada da Fúria finalmente ganha sua aguardada sequência quase uma década depois de seu lançamento. Furiosa: Uma Saga Mad Max é um prequel de Furiosa, onde retornamos às origens da heroína interpretada anteriormente por Charlize Theron.

Novamente dirigido por George Miller, a história segue a jovem Furiosa (Anya Taylor-Joy), sequestrada de seu lar pela gangue de motoqueiros liderada por Dementus (Chris Hemsworth). Logo eles alcançam a Cidadela, dominada por Immortan Joe (Lachy Hulme). Enquanto os dois tiranos disputam o domínio, Furiosa se vê envolvida em uma batalha incessante para retornar ao seu lar.

Nas primeiras cenas do filme vemos a traumática infância da protagonista (vivida por Alyla Browne). Muito antes de chegar à fase jovem, ela passa por todo tipo de sofrimento, sempre calada e totalmente sem saída. A partir dessa premissa, o longa realiza um verdadeiro estudo da futura imperatriz, que precisa se adaptar perante a escassez de uma terra desolada.

George Miller, que também assina o roteiro ao lado de Nick Lathouris, aproveita para expandir o universo de Mad Max, visto que a trilogia original iniciou no final dos anos 1970. Desde então, o australiano narra a derrocada do que sobrou do mundo, o desmanche da sociedade e os indivíduos recorrendo a atos de barbárie para sobreviver, utilizando veículos como máquinas de destruição. A produção acerta ao dividir a trama em capítulos, e a sensação é de que estamos assistindo uma verdadeira odisseia.

O conflito entre Furiosa e Dementus é o grande destaque do filme. Com Anya Taylor-Joy dominando a tela com uma atuação de poucas palavras, densa e absolutamente concentrada no olhar, a atriz também impressiona nas sequências de ação, porém não possui o mesmo carisma de Charlize Theron. Contando com um ótimo trabalho de maquiagem da vencedora do Oscar Lesley Vanderwalt, Chris Hemsworth surge como um vilão exagerado, caótico e levemente cômico.

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Com uma fotografia de Simon Duggan menos marcante do que a de John Seale em Estrada da Fúria, a uma trilha sonora do holandês Tom Holkenborg, mais conhecido como Junkie XL, aposta na desordem de uma história grandiosa, ao melhor estilo Mad Max, em perseguições explosivas e cheias de adrenalina.

Mesmo que inferior ao seu antecessor, Furiosa: Uma Saga Mad Max é um filme poderoso. O longa oferece uma visão mais profunda do universo de Mad Max, explorando os desafios enfrentados por uma protagonista arrebatadora. A espera realmente valeu a pena.

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Duna (parte 2). Por Déborah Schmidt

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Em Duna: Parte 2, Paul Atreides (Timothée Chalamet) se une a Chani (Zendaya) e aos Fremen enquanto busca vingança contra os conspiradores que destruíram sua família. Enfrentando uma escolha entre o amor de sua vida e o destino do universo, Paul deve evitar um futuro terrível que só ele pode prever.

Na minha crítica de Duna (2021), comentei sobre o ritmo lento da narrativa. Apesar disso, é fato que o primeiro filme fez um excelente trabalho ao apresentar ao público a complexidade do universo baseado nos livros de Frank Herbert. Portanto, a segunda parte retoma a trama exatamente de onde ela parou, com um ritmo muito mais dinâmico, reviravoltas e cenas de ação grandiosas.

Novamente dirigido pelo fantástico Dennis Villeneuve e com o roteiro do cineasta ao lado de Jon Spaihts, o longa coloca o protagonista precisando se provar para o povo e para si mesmo, enquanto reúne uma legião de apoiadores por onde passa. Em meio a uma abordagem religiosa, Paul é exposto a diversas atividades dessa sociedade, como suas crenças, idioma e como se adaptar ao deserto. O mesmo acontece com Lady Jessica (Rebecca Ferguson), cuja personagem cresce ainda devido à importância do poder que tem, e com Stilgar (Javier Bardem) em sua função na jornada messiânica de Paul. Temos também Chani, que finalmente ganha seu devido espaço na história, representando a libertação de seu povo.

O elenco impecável e cheio de estrelas ganha as adições de Florence Pugh e Austin Butler. No papel da enigmática Princesa Irulan, Pugh vive uma personagem que aparece em um mundo oposto à realidade que Paul está vivendo com os Fremen, e que deve ser mais desenvolvida na parte final da trilogia. Enquanto isso, Butler faz parte do obscuro clã dos Harkonnen ao interpretar Feyd-Rautha, que mesmo com um visual caricato entrega um vilão eficiente. Ainda nas novidades do elenco, as participações de luxo de Christopher Walken, Anya Taylor-Joy e Léa Seydoux.

Visualmente espetacular, o longa apresenta Arrakis como mais um personagem na trama. Aqui, o deserto deixa de ser estéril e ganha destaque principalmente pela impactante fotografia de Greig Fraser, ganhador do Oscar por Duna, e forte candidato para o próximo Oscar. Da mesma forma, o mundo dos Harkonnen é belíssimo em seu visual monocromático que traduz a crueldade de seus personagens. Destaco também os figurinos de Jacqueline West, indicada a cinco Oscars, e a trilha sonora imponente do mestre Hans Zimmer.

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Épico na melhor definição da palavra, Duna: Parte 2 está em cartaz nos cinemas e apresenta, através de um visual majestoso, uma jornada que mistura religião e política.

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Napoleão, o filme, é belo de ver, mas tem montagem confusa. Por Déborah Schmidt

Com duas horas e meia, já foi anunciado um corte do diretor com 4 horas de duração que será exibido no streaming, o que explica os cortes na edição

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Napoleão passa por diferentes décadas da vida de Napoleão Bonaparte (Joaquin Phoenix), na turbulenta França após o fim da monarquia. Sua rápida e implacável ascensão a imperador é vista através de seu conturbado relacionamento com Josephine (Vanessa Kirby), sua esposa e verdadeiro amor.

Vindo do nada como um oficial de artilharia do exército francês durante a Revolução Francesa, o filme retrata sua jornada, até ser derrotado e exilado na ilha de Santa Helena. O longa retrata diversos momentos históricos, como a decapitação de Maria Antonieta até a invasão do Egito, quando permitiu que seus exércitos utilizassem as pirâmides de Giza como alvo para treino de pontaria.

Dirigido por Ridley Scott, responsável por produções inesquecíveis ao longo de quase 50 anos de carreira como Alien – O 8° Passageiro (1979), Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), um dos meus filmes favoritos, Thelma & Louise (1991), Gladiador (2000), O Gângster (2007), Perdido em Marte (2015), O Último Duelo (2021) e muitos outros. O diretor constrói épicos como poucos, com grandiosas e impressionantes cenas de batalha. Em Napoleão, a ascensão e queda de Bonaparte nos altos escalões do governo francês é intercalada por importantes conflitos como o cerco de Toulon, as invasões à Rússia e a investida contra os ingleses em Waterloo.

O roteiro de David Scarpa traz um protagonista nostálgico, constantemente avaliador da própria vida, narrador de cartas sentimentais e dependente emocionalmente da esposa. Tecnicamente excelente, a fotografia de Dariusz Wolski aposta em sequências que enfatizam paisagens belíssimas e no vermelho-sangue das batalhas. Porém, o filme dilui as competentes cenas de ação em uma montagem confusa, que apresenta a vida de Napoleão de forma apressada e sem o devido contexto.

Com duas horas e meia, já foi anunciado um corte do diretor com 4 horas de duração que será exibido no streaming, o que explica os cortes na edição. Aliás, a trama foi bastante criticada no que diz respeito aos dados históricos retratados no filme, no entanto, a precisão histórica não pareceu uma preocupação para Ridley Scott. Prefiro deixar essa questão para os historiadores, meu assunto aqui é apenas o cinema.

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Entre glória e fracasso, Joaquin Phoenix apresenta um homem falho e humano, que, entre estratégias brilhantes contra britânicos e russos, encontrou na esposa o relacionamento que assombrou sua vida. Afinal, o fato de Josephine não conseguir lhe dar um filho, um símbolo da continuidade de um império, desempenhou um papel fundamental na relação entre os dois. A química entre Phoenix e Vanessa Kirby é perfeita, com a atriz roubando a cena e sendo um dos grandes destaques da produção.

“França, exército e Josephine”, foram as últimas palavras proferidas por Napoleão Bonaparte antes de morrer. Possivelmente, as únicas três coisas que amou na vida. O filme faz questão de trazer essa passagem ao término de Napoleão, resumindo a produção nessas três palavras.

Em cartaz, Napoleão retrata o líder e estrategista militar com um olhar nostálgico e humanizado e, portanto, com falhas. Um épico que merece ser visto, preferencialmente, no cinema.

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