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Devoradores de estrelas. Por Déborah Schmidt

Devoradores de Estrelas acompanha a jornada do professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling). Um dia, ele acorda sozinho em uma nave a anos-luz da Terra, sem qualquer lembrança de como foi parar ali. Aos poucos, as lembranças retornam e ele relembra que foi recrutado por uma organização mundial para integrar o “Projeto Fim do Mundo”, uma missão enviada para descobrir por que o Sol está morrendo. A partir daí, o personagem precisa usar seus conhecimentos científicos para evitar a extinção da humanidade até encontrar uma amizade inesperada em um alienígena misterioso que viajou anos-luz para salvar sua própria espécie do mesmo destino.

Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, conhecidos por animações como Tá Chovendo Hambúrguer (2009) e Uma Aventura Lego (2014), além da produção dos aclamados Homem-Aranha: No Aranhaverso (2018) e Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023), Devoradores de Estrelas mostra a maturidade da dupla em um projeto que aposta na emoção e no espetáculo visual.

Baseado no romance homônimo de Andy Weir, o roteiro de Drew Goddard, indicado ao Oscar por Perdido em Marte (2015), encontra um equilíbrio interessante entre o didatismo da ciência e o entretenimento. A montagem alterna sequências no passado e no presente, usando flashbacks para contextualizar a missão e revelar as decisões que levaram o protagonista até ali. São nessas passagens que conhecemos Eva Stratt (Sandra Hüller), líder do Projeto e disposta a sacrificar o que for necessário para garantir a sobrevivência da Terra.

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A produção não é mais um filme cientifico sobre salvar o planeta, mas sim uma história que encontra sua força na construção de uma amizade inusitada e profundamente humana. O grande diferencial da narrativa está em Rocky, um extraterrestre feito de pedra que, mesmo sem uma linguagem convencional, desenvolve uma comunicação única com Ryland, auxiliada por um sistema criado pelo protagonista, algo parecido com o de Stephen Hawking e que ganha uma opção com a voz de ninguém menos que Meryl Streep. A relação entre Grace e Rocky é o coração do filme, em uma amizade construída aos poucos, que permite explorar temas como empatia e altruísmo.

Com carisma e um ótimo timing cômico, o filme prova, mais uma vez, que Ryan Gosling é capaz de sustentar uma superprodução praticamente sozinho. A capacidade do ator em transmitir vulnerabilidade e humanidade é um dos grandes destaques de sua atuação e sua quarta indicação ao Oscar está quase garantida. Mesmo com pouco tempo em cena, a brilhante atriz alemã Sandra Hüller rouba a cena, em especial com um karaokê memorável ao som de “Sign of the Times”, de Harry Styles.

O filme aposta em movimentos de câmera que reforçam a sensação de desorientação e solidão no espaço. A fotografia de Greig Fraser é, literalmente, um espetáculo, com uma cinematografia que prioriza cenários reais e efeitos práticos sempre que possível, em sua maioria sem o uso de efeitos especiais, construindo fisicamente a nave e usando marionetes avançadas para o alienígena Rocky. A épica e excelente trilha sonora de Daniel Pemberton utiliza toques de melancolia, com um belíssimo final ao som de “Two of Us”, dos Beatles.

Devoradores de Estrelas é uma ficção científica que abraça sentimentos universais como solidão e esperança em uma experiência cinematográfica deslumbrante. Sem dúvidas, o grande filme do ano até agora. E que será lembrado durante todo o ano.

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