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Urna digital x voto impresso. A experiência alemã

Seven election volunteers counting and organizing ballots at a table in a polling station

A group of election workers carefully tally ballots in a community center.

A discussão sobre o voto impresso no Brasil é sempre rejeitada sumariamente pelos defensores das urnas eletrônicas. É de se perguntar o porquê.

O tema voltou à tona após notícias de que o candidato Flávio Bolsonaro as teria questionado, repetindo seu pai. Ele desmentiu as notícias. O caso é que, certos ou errados, todos têm o direito de questionar.

Valeria perguntar por que nossas cortes judiciais sequer admitem considerações que mereceriam no mínimo debate. Considerações acima das posições apaixonadas a favor e contra as urnas eletrônicas.

Valeria a pena, por exemplo, se debruçar sobre a experiência da Alemanha, uma democracia sólida.

Os alemães utilizam o voto impresso porque entendem que “todas as etapas de uma eleição devem ser públicas e compreensíveis a qualquer cidadão comum”.

Públicas e compreensíveis pelo cidadão. Eis o ponto.

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Os alemães até tentaram usar a urna eletrônica – como teste – numa região do país. Mas o Tribunal alemão terminou por proibir sua efetivação, confirmando seu entendimento de que, no modo digital, o eleitor não consegue verificar por si mesmo se seu voto foi computado corretamente pelo software da urna eletrônica.

Para os alemães, a urna eletrônica exige confiar sem ter certeza. Sempre será uma questão de fé. Fé de que não há algo errado.

No caso brasileiro, assim como no caso alemão, grande parte dos cidadãos não possui conhecimento de informática suficiente para afirmar que não pode ocorrer fraude. Têm de confiar no que falam.

Já da cédula de papel o cidadão tem conhecimento para afirmar que é difícil fraudar, que fraudes serão muito limitadas e não afetarão o resultado. O cidadão sabe que na apuração haverá um monte de gente contando, fiscalizando.

Ele sabe. Não precisa de fé.

Desse modo, o resultado acaba respaldado pelas pessoas que participam da apuração. E qualquer um pode participar, conhece pessoas que participaram e pode atestar que foi tudo ok.

Nunca discutem a experiência alemã, mas deveriam.

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