Este é o momento em que os candidatos passam a deixar bem claro a todos que possuem dentes.
A arcada nua é o único ponto que os une e nivela, como se te conhecessem desde a Primeira Comunhão. Só ele.
Os demais casos revelam as diferenças.
Há candidatos de fato competitivos, em geral impulsionados pela força da grana, parte dela de origem inconfessável.
Candidatos decentes, pouquíssimos, que quase nunca chegam lá.
Candidatos eloquentes, que faturam com a decadência política ou a polarização.
Candidatos sem chance, porém vaidosos (carentes) o bastante para vender uma importância que não possuem.
Candidatos iludidos, sem a menor chance, porém movidos por uma misteriosa fé na loteria, como em Deus.
Candidatos famosos (atletas, influencers etc.), que chegam lá sem maiores esforços.
Candidatos que sabem que não serão eleitos, mas esperam visibilidade e algo em troca pelo “sacrifício de caminhar junto” — por exemplo, um cargo nas estruturas dos correligionários de ocasião que se elegerem.
Há também os malucos que estão na parada apenas porque adoram aglomerações, além de arroz de carreteiro e salsichões de graça (com pão), nos eventos de campanha eleitoral.
Em qualquer circunstância, o sorriso farto é essencial.

