Um dos diretores mais adorados e respeitados do circuito independente norte-americano, Richard Linklater é conhecido por obras profundamente humanas como Boyhood (2014) e a trilogia Antes do Amanhecer (1995). Em Nouvelle Vague, Linklater explora a caótica e lendária filmagem de Acossado (1960), de Jean-Luc Godard.
Engana-se, no entanto, quem espera um mergulho profundo na estética ou na ideologia do movimento cinematográfico francês iniciado entre 1958 e 1962 por cineastas como Agnès Varda, François Truffaut, Alain Resnais e, claro, Jean-Luc Godard. A Nouvelle Vague influenciou outros estilos cinematográficos ao redor do mundo, revolucionando o cinema com uma abordagem mais autoral e menos comercial, caracterizando-se por uma estética inovadora, com baixo orçamento, filmagens em locações reais, rupturas na narrativa e uma linguagem cinematográfica que desafiava as convenções
A trama reconstrói a história do movimento do cinema francês a partir da produção de Acossado, na Paris do fim dos anos 1950, quando nomes como Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, François Truffaut e Jacques Rivette começaram o movimento conhecido como a “Nova Onda Francesa”, que revolucionou o cinema do país.
O filme foca nos bastidores de Godard dirigindo seu primeiro e mais celebrado filme, e um dos meus favoritos. É muito especial assistir Nouvelle Vague e acompanhar o cotidiano do movimento e daquelas pessoas, com suas horas monótonas e banais, a desorganização dos bastidores e as pausas intermináveis de gravação porque o diretor “está sem ideias”.
Simplesmente perfeito, Guillaume Marbeck interpreta Jean-Luc Godard com todos os seus gestos e discursando as ideias de um crítico da revista Cahiers du Cinéma. Seus antagonistas são a atriz americana Jean Seberg, vivida pela carismática Zoey Deutch, e o produtor Georges de Beauregard (Bruno Dreyfürst), que sustenta boa parte dos conflitos dramáticos do filme. Aubry Dullin vive a estrela de Acossado, Jean-Paul Belmondo, e impressiona pela semelhança física e por capturar o charme, a leveza e a malandragem do ator, além da ótima química com Zoey Deutch.
Como uma carta de amor, Nouvelle Vague é uma imersão ao espírito revolucionário do cinema francês dos anos 60. Um verdadeiro deleite para os cinéfilos.


