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Cultura

Nouvelle Vague homenageia espírito revolucionário do cinema francês

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Um dos diretores mais adorados e respeitados do circuito independente norte-americano, Richard Linklater é conhecido por obras profundamente humanas como Boyhood (2014) e a trilogia Antes do Amanhecer (1995). Em Nouvelle Vague, Linklater explora a caótica e lendária filmagem de Acossado (1960), de Jean-Luc Godard.

Engana-se, no entanto, quem espera um mergulho profundo na estética ou na ideologia do movimento cinematográfico francês iniciado entre 1958 e 1962 por cineastas como Agnès Varda, François Truffaut, Alain Resnais e, claro, Jean-Luc Godard. A Nouvelle Vague influenciou outros estilos cinematográficos ao redor do mundo, revolucionando o cinema com uma abordagem mais autoral e menos comercial, caracterizando-se por uma estética inovadora, com baixo orçamento, filmagens em locações reais, rupturas na narrativa e uma linguagem cinematográfica que desafiava as convenções

A trama reconstrói a história do movimento do cinema francês a partir da produção de Acossado, na Paris do fim dos anos 1950, quando nomes como Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, François Truffaut e Jacques Rivette começaram o movimento conhecido como a “Nova Onda Francesa”, que revolucionou o cinema do país.

O filme foca nos bastidores de Godard dirigindo seu primeiro e mais celebrado filme, e um dos meus favoritos. É muito especial assistir Nouvelle Vague e acompanhar o cotidiano do movimento e daquelas pessoas, com suas horas monótonas e banais, a desorganização dos bastidores e as pausas intermináveis de gravação porque o diretor “está sem ideias”.

Simplesmente perfeito, Guillaume Marbeck interpreta Jean-Luc Godard com todos os seus gestos e discursando as ideias de um crítico da revista Cahiers du Cinéma. Seus antagonistas são a atriz americana Jean Seberg, vivida pela carismática Zoey Deutch, e o produtor Georges de Beauregard (Bruno Dreyfürst), que sustenta boa parte dos conflitos dramáticos do filme. Aubry Dullin vive a estrela de Acossado, Jean-Paul Belmondo, e impressiona pela semelhança física e por capturar o charme, a leveza e a malandragem do ator, além da ótima química com Zoey Deutch.

Como uma carta de amor, Nouvelle Vague é uma imersão ao espírito revolucionário do cinema francês dos anos 60. Um verdadeiro deleite para os cinéfilos.

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Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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Crônicas

Farmando aura

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária

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Ainda não entendi totalmente o que seja farmar aura. Sei é que deve ser grave, pois vem arrepiando os cabelos até de senhoras que os prendem com laquê.

Com ares de professora aposentada, uma delas foi ao Instagram protestar contra a nova onda adolescente.

“Sinto vergonha alheia, VER-GO-NHA! Onde estão os pais? Que será do futuro dos nossos jovens?”

Enquanto falava, ela sacudia verticalmente a cabeça com tal veemência que seu topete armado subia e descia repetidamente. “Mas onde é que estamos?”

Até aqui o entendimento pleno do fenômeno de farmar aura é precipitado. Será preciso esperar um pouco mais.

Pelo que li ontem, seria um modo de adquirir reputação por meio de movimentos corporais repetitivos, alguns mais, outros menos criativos.

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Já hoje vi que tais movimentos não precisam ser convulsionados. Embora repetidos, podem incluir passos de capoeira, saltos ornamentais. Cada adolescente encontra sua própria forma de farmar sua aura. De firmar seu carisma.

Cada geração cria uma moda nova.

Nunca se sabe exatamente quando ela surge. Pode a pessoa que a criou nem se dar conta de que o fez. De repente alguém vê, percebe naquilo uma conexão emocional e a coisa explode.

Há mais ou menos um ano, muito antes da atual onda de farmar aura, vi nas redes um vídeo de um garoto oriental que pode, por que não, ter sido um estopim do farmar aura. Um sinal do que estava por vir. Em tempos virais, vai-se saber.

No que me pareceu uma rave, o garoto faz repetitivos e graciosos movimentos diante de uma garota mais alta e pouco mais velha do que ele. Está interessado nela, mas a garota se conserva imóvel, indiferente a ele. Mesmo assim o garoto prossegue em seus movimentos, seguro de seu objetivo de impressionar. Do mesmo modo, agora, em geral são meninos que se movem para farmar aura.

Pois farmar aura pode ser, inclusive, isso: um tipo de dança, comum na natureza, em que o macho demonstra habilidades para seduzir a fêmea, como faz o pavão com suas trêmulas penas; agora, porém, com o sentido mais amplo de mostrar ao mundo — um mundo em que as oportunidades parecem raras para a maioria dos jovens — que eles “são alguém”. Que merecem atenção.

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária.

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Se olharmos em volta, há gente de todas as idades farmando aura. Saltando de um pé pro outro, o candidato Flávio Bolsonaro, com sua dancinha nos comícios, farma aura.

De chapéu Panamá, andando de um lado pro outro e fazendo uso do automático discurso do “nós contra eles”, Lula farma aura. Está meio cansativo, mas ele insiste. Trump, este é professor de farmar aura, e não só pela dancinha.

Até a professora citada, com sua tempestuosa indignação, farma aura, como atesta, subindo e descendo nervoso, seu duro topete repintado de louro.

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Cultura

Um convite para pensar o amor, o desejo e o companheirismo

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Em O Convite, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) são um casal que se vê preso à rotina do casamento. De última hora, Angela convida o casal Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), seus misteriosos vizinhos, para um jantar em seu apartamento. No entanto, o que começa como uma simples reunião entre amigos rapidamente toma rumos inesperados, e revela desejos reprimidos, segredos e novas perspectivas sobre o casamento.

Além de ser uma das protagonistas, Olivia Wilde também dirige o longa, o terceiro de sua filmografia. Embora tenha construído sua trajetória como atriz há mais de vinte anos, ela vem se consolidando como cineasta, onde procura dar vida a projetos que misturam humor, drama e análise das relações humanas. Sua carreira na direção iniciou com a divertida comédia adolescente Fora de Série (2019) e depois com o suspense psicológico Não Se Preocupe, Querida (2022).

Adaptação do filme espanhol As Pessoas do Andar de Cima (2020), de Cesc Gay, que, por sua vez, é baseada em uma peça de teatro, o roteiro assinado por Rashida Jones e Will McCormack faz uma análise bem-humorada das tensões que se acumulam no cotidiano de um casamento, abordando temas como falta de comunicação, intimidade e sexualidade. A narrativa transforma um simples jantar entre casais em uma aula de tensão e constrangimento hilário, onde os diálogos rápidos e sinceros expõem o desgaste dos relacionamentos.

Com um quarteto de atores simplesmente fantástico, temos Seth Rogen cada vez melhor como ator, entregando uma de suas melhores atuações com o inseguro Joe. Olivia Wilde vive a ansiosa Angela, em uma personagem vivida pela atriz e diretora com a intenção de homenagear Diane Keaton (o filme é dedicado a ela, que faleceu no ano passado, em uma mensagem antes dos créditos finais). Enquanto isso, Penélope Cruz e Edward Norton são responsáveis por reconfigurar totalmente a energia do filme. Os dois entram em cena como um casal seguro de si, com Penélope Cruz roubando a cena como uma mulher sedutora, inteligente e carismática, e Edward Norton como um personagem que não demonstra suas verdadeiras intenções

Delicado, caótico e divertido ao falar sobre relacionamentos, O Convite transforma um simples jantar (pelo menos, o convite para ele) em uma reflexão honesta sobre amor, desejo e companheirismo.

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Brasil e mundo

Morre Sam Neill, o paleontólogo de Jurassic Park

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Morreu Sam Neill, ator que viveu nas telas o paleontólogo Dr. Alan Grant na série Jurassic Park. Tinha 78 anos. Estava com câncer.

A família postou que “a morte foi repentina”.

O neozelandês morreu em Sydney, na Austrália.

Em mais de 50 anos de carreira, atuou em cerca de 150 produções.

O ator deixa quatro filhos e netos

Foto: divulgação Universal estúdios

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Cultura

Festival Internacional Sesc de Música abre inscrições para alunos nesta quarta, 8

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Cello resting on stand with bow across strings and sheet music on stand in concert hall

Um dos maiores festivais de música de concerto da América Latina, o Festival Internacional Sesc de Música abre nesta quarta-feira, 08 de julho, as inscrições para alunos interessados em participar de sua 15ª edição, que acontece em janeiro de 2027, em Pelotas.

O eixo pedagógico do evento oferece cursos de especialização em instrumentos, canto lírico, composição e choro, além de práticas de orquestra, banda sinfônica e música de câmara. As aulas serão ministradas por um quadro de mais de 50 professores brasileiros e estrangeiros, músicos de reconhecida atuação internacional.

Voltadas a maiores de 14 anos, com nível avançado de formação musical, as inscrições seguem até dia 06 de agosto, exclusivamente pelo site www.sesc-rs.com.br/festival, onde também está disponível o regulamento completo. Estão disponíveis bolsas parciais e integrais para a participação.

Além do eixo pedagógico, o Festival Internacional Sesc de Música promove uma ampla programação cultural gratuita, com concertos, recitais e apresentações de grupos convidados em teatros, igrejas, praças, espaços públicos e outros locais de Pelotas. Em sua última edição, o evento reuniu mais de 45 mil espectadores. O evento é realizado pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc, e conta com apoio institucional da Prefeitura de Pelotas e cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Faculdade Senac, OSPA, Unisinos e Expresso Embaixador.

Sobre o Sesc/RS – Prestes a completar 80 anos de atuação no Rio Grande do Sul, a Instituição pertencente ao Sistema Fecomércio-RS realiza ações em 54 Unidades no Estado, promovendo o bem-estar social de trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e de toda a comunidade. O propósito do Sesc/RS é cuidar, emocionar e fazer pessoas felizes, e todas as 497 cidades gaúchas recebem atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Saiba mais em www.sesc-rs.com.br

Inscrições ao 15º Festival Internacional Sesc de Música – Sesc/RS

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Cursos oferecidos: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, harpa flauta, oboé (Corne-inglês), clarinete, fagote, trompa, trompete, trombone tenor, trombone baixo, tuba, saxofone, eufônio, percussão, canto lírico, piano, composição e choro (violão, sopros, acordeon, bandolim, percussão e cavaquinho), além de práticas de música de câmara, orquestra e banda sinfônica

Período de Inscrições do Festival: 08/07 a 06/08/2026, no site www.sesc-rs.com.br/festival 

Divulgação dos Selecionados e Matrícula 1ª Chamada: 09/09 a 24/09/2026   

Divulgação dos Selecionados e Matrícula 2ª Chamada: 04/10 a 15/10/2026

Data do Evento: 18/01 a 29/01/2027

Local: Pelotas – RS

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Cultura

DIA D, novo filme de Spielberg, emociona quando ‘mergulha no drama humano’

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Retornando a uma temática que rendeu filmes como Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), E.T.: O Extraterrestre (1982) e Guerra dos Mundos (2005), o diretor Steven Spielberg retoma a parceria com o roteirista David Koepp, de Jurassic Park: Parque dos Dinossauros (1993), em uma trama de ficção científica e fantasia épica.

Ao longo de quase duas horas e meia, Dia D apresenta um especialista em segurança cibernética, Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor), que junto com colegas liderados pelo idealista Hugo Wakefield (Colman Domingo), roubou arquivos confidenciais do governo dos Estados Unidos para torná-los públicos, e uma meteorologista da TV, Margaret Fairchild (Emily Blunt), que descobrem uma conspiração do governo para encobrir evidências sobre a vida alienígena e seu contato com a humanidade. Eles partem em uma missão perigosa contra o líder corporativo Noah Scanlon (Colin Firth) para finalmente revelar as provas e a verdade para bilhões de pessoas.

Especialista em blockbusters, poucos diretores entendem a indústria cinematográfica de Hollywood como Steven Spielberg. Ao longo de sua inigualável carreira, uma das temáticas que mais lhe fascina é a do contato extraterrestre, entregando produções que se tornaram clássicos do cinema, mas também ajudando a moldar o imaginário sobre os alienígenas na cultura pop. Sua visão otimista retrata os alienígenas como pacíficos e não ameaças invasoras, com exceção de Guerra dos Mundos, onde reimaginou a clássica invasão alienígena do livro de H.G. Wells. Aqui, o cineasta reflete sobre teorias governamentais e a verdade sobre a vida extraterrestre. Aliás, Spielberg já revelou em entrevistas que acredita fortemente que a humanidade não está sozinha no universo.

Dia D é um filme que se pode dividir em duas partes. A primeira metade mostra uma trama misteriosa e arrastada, enquanto que a segunda é frenética, com muita ação e movimento, bem ao estilo do diretor. O roteiro escrito por Spielberg e Koepp passeia com facilidade por diferentes gêneros, como thriller de espionagem, ficção científica, suspense, ação, drama social e até comédia. O longa constrói um jogo de gato e rato cheio de tensão, mas, por vezes existe um excesso de informações e correria na narrativa, porém o diretor conduz tudo de forma dinâmica, desenvolvendo seus personagens durante uma corrida conta o tempo e entrando em profundos embates filosóficos, religiosos e morais.

Com a melhor atuação de sua carreira, Emily Blunt entrega uma atuação inspirada, guiada pela força do olhar (sempre fundamental e impactante na filmografia de Spielberg). Sua personagem serve como condutora dos mistérios e conspirações da trama ao lado do personagem de Josh O’Connor, o responsável por montar um quebra-cabeça que explica o propósito de seus personagens para o público enquanto eles abraçam a busca pela verdade. O’Connor faz um sólido trabalho, dividindo boa parte das cenas com os ótimos Colman Domingo e Eve Hewson. Como vilão, Colin Firth interpreta com uma dose certa de caricatura, representando uma das críticas mais diretas do filme sobre o vilão corporativo e a arrogância institucional.

Com uma amizade de 50 anos com Steven Spielberg e uma parceria que rendeu 30 filmes (é a colaboração mais duradoura e bem-sucedida da história do cinema), o compositor John Williams entrega uma trilha sonora grandiosa, apesar de contida, trazendo emoção na medida certa. Ao lado do diretor desde A Lista de Schindler (1993), a fotografia de Janusz Kaminski evidencia a luz que, como sempre no cinema de Spielberg, tem uma função quase espiritual. Ela atravessa janelas, invade corredores e pulsa em dispositivos alienígenas.

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No retorno ao gênero que o definiu como cineasta, Dia D traz Steven Spielberg de volta ao cinema de blockbuster, conduzindo como um maestro cenas de ação implacáveis e toda a tensão e suspense de conspirações e mistérios de ficção científica. Ao mesmo tempo, emociona quando mergulha no drama humano.

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Cultura

Theatro Sete de Abril reabrirá em 7 de julho

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Após quase vinte anos fechado por problemas de insegurança, o Theatro Sete de Abril voltará a abrir as portas. Será no dia 7 de julho, quando Pelotas completará 214 anos.

“Neste dia, estaremos devolvendo à Pelotas um pedaço importante da sua alma”, disse o prefeito Fernando Marroni.

De 4 a 12 de julho, haverá atividades esportivas (pedalada e corrida) e culturais, de 4 a 12 de julho. No diaa da reabertura do Theatro, Vitor Ramil e DJ Helô farão shows nele.

O Sete de Abril foi tombado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1972, e o Município assumiu a gestão em 1979.

O Theatro foi interditado pelo Ministério Público em janeiro de 2010, após denúncia anônima e vistoria que confirmou problemas na estrutura de sustentação do telhado, o que poderia causar danos à integridade das pessoas.

Foto de Volmer Perez, fornecida pela Assessoria de Comunicação da prefeitura.

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Cultura

Prefeitura diz que não tem dinheiro para restaurar Clube Comercial

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Acolhendo uma ação do MP, a Justiça gaúcha decidiu pela adoção de medidas urgentes que impeçam a deterioração, hoje avançada, do Clube Comercial de Pelotas. Quem vê o clube por dentro, apavora-se com a destruição. “É de chorar”.

A justiça alega que, além de deteriorado, o imóvel traz riscos à segurança dos transeuntes, expostos à queda de partes do prédio. A justiça deu prazo de até 15 dias para que a direção do clube tome providências, chegando a prever, se necessário, a intervenção na gestão do Clube, alegando sua incapacidade até aqui de encontrar uma solução.

A decisão dá ainda prazo de 180 dias à prefeitura para que apresente um plano de intervenção, com previsão de recursos para as obras de recuperação do imóvel. A prefeitura, porém, avisa que recorrerá da decisão, alegando que não tem dinheiro (R$ 36,5 milhões) para restaurar o clube.

Ainda que movida por um motivo nobre, a decisão de preservar um patrimônio histórico e cultural inestimável para a cidade, é difícil de ser acatada de imediato porque chega “atrasada”. O esfacelamento do prédio vem de longa data e, claro, piorou.

Imagem ilustrativa

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Cultura

A melancolia de ‘O diabo’

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O diabo veste Prada 2 me pareceu desnecessário. Se o primeiro filme é perfeito, fechado a vácuo, o segundo é selado com bolhas de ar. É um filme visto com saudade, mas que nos decepciona pela nostalgia de um momento impossível de reviver. Foi bom rever a turma?

Foi. Gostei de rever Stanley Tucci (Nigel), o simpático ator com cara de amendoim, e, claro, as atrizes. Porém, achei triste ver a destruição das lembranças do filme original, por conta inclusive do envelhecimento real das protagonistas, em especial o de Anne Hathaway (Andrea), assistente de Meryl Streep, a implacável Miranda. Cadê aquele frescor da Hathaway de 20 anos atrás? Ela simbolizava o desejo da moça antiga de ‘subir ao altar’.

O tempo passa pra todos, óbvio. Mas, em matéria de cinema, uma coisa é rodar uma sequência pouco tempo depois do primeiro filme, como ocorreu com O poderoso chefão II, com os atores com idades próximas das de quando atuaram no I. Outra é rodá-la 20 anos depois, com os atores bem mais velhos. Fica uma sensação desagradável de algo que estava intacto e se quebrou. Senti o mesmo quando vi o filme francês Um homem, uma mulher 20 anos depois: melancolia.

Quando O diabo 1 foi lançado, em 2006, a internet e as redes sociais não tinham o poder de hoje. Revistas impressas de moda, como Harper’s Bazaar e Vogue, ainda eram templos sagrados, mesclando em suas páginas fotografias e artigos sobre moda com ficção de alta qualidade — textos de Virgínia Woolf, F. Scott Fitzgerald, Tom Wolfe, Truman Capote e outros.

Já neste 2026, depois que há muito as redes começaram a abocanhar a maior parte das verbas publicitárias, as revistas impressas se viram sob ameaça não só como negócios, mas como símbolos da progressão cultural que transformava em arte vestimentas e acessórios. Tais revistas ainda existem, mas não mais com a autoridade personificada na figura da Miranda do primeiro filme, não mais com o glamour de antes.

É da erosão desse mundo que trata O diabo 2, ao denunciar a decadência dos altares estéticos a que se havia chegado pelo refino das experiências sensoriais — ruína esta causada pela ditadura do clique na internet, como diz o filme: a tirania da massa, sempre acrítica, sem identidade. O que antes era uma referência cultural sólida, fruto de cabeças cultas, deixou de ser. Perdeu-se na vulgaridade ignorante do clique digital, que, sobrepondo-se àquelas cabeças, passou a ditar as abordagens editoriais, com anuência dos donos do negócio. Em vez de fechar as portas, rebaixe-se a qualidade, em favor do senso comum.

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Mesmo que tente mascarar a situação difícil que vive, invocando sua garbosa presença, Miranda, obrigada a descer do altar para salvar sua posição, tornou-se uma mulher “comum”. Uma ex-rigorosa mulher tentando sobreviver em um ambiente que já não domina; um cenário em que a revista que dirige (Runway/Vogue) deixou de ser vista como o vértice do bom gosto na moda e na arte, o que é triste de ver para quem ama a exigência, o belo. Vem acontecendo por todo lado na vida real. “Terei apenas mais alguns anos”, Miranda diz para a Hathaway, dentro da limusine, sabendo que não durará no mercado.

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Cultura

Romance de Luiz Carlos Freitas é traduzido e publicado na Rússia

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O romance Voo cego em zona morta, do escritor e jornalista pelotense Luiz Carlos Freitas, foi traduzido e publicado na Rússia.

“Devido a circunstâncias políticas e às regras do governo russo quanto às plataformas de redes sociais (Facebook, Instagram etc) foi uma verdadeira cruzada do editor russo concluir a edição em tempo recorde”, conta Freitas.

A obra foi publicada mês passado no Brasil pela Editora Urutau (está à venda no site da Editora) e será lançada nacionalmente na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) em julho, e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro.

Ambientado em Pelotas, é um romance psicológico que retrata, segundo o autor, “a patética e trágica história da confissão de um homem moralmente corrompido”.

“Ao escancarar mágoas, frustrações e recalques, dando ênfase a defeitos e virtudes, o personagem encarna a maioria dos seres humanos em seu comportamento cotidiano, com seus vícios, hábitos e pecados. Sobretudo os ocultos.”

Freitas também assinou contrato com editora italiana para a tradução e publicação naquele país do romance autobiográfico Confissões de um cadáver adiado. O layout do livro estará pronto em setembro e o lançamento está marcado para dezembro, incialmente em Cesena (IT).

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Luiz

Obra de Luiz Carlos Freitas chega à Rússia

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Cultura

Apesar de dispensável, sequência O Diabo Veste Prada acerta na nostalgia

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Vinte anos após O Diabo Veste Prada, a continuação acompanha Andy Sachs (Anne Hathaway), que construiu uma carreira sólida e respeitada no jornalismo investigativo depois de deixar para trás os corredores implacáveis da revista Runway. Miranda Prestly (Meryl Streep), por sua vez, enfrenta um momento de mudanças na moda e no declínio da publicação tradicional de revistas.

Pressionada por investidores, anunciantes e um novo conselho administrativo, ela precisa provar que ainda é capaz de ditar tendências. Enquanto isso, Emily (Emily Blunt) é agora uma influente executiva na grife Dior.

Novamente sob a direção de David Frankel e com o roteiro de Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger, autora do livro original, O Diabo Veste Prada 2 resgata o carismático elenco do primeiro filme em uma trama que equilibra nostalgia e uma crítica afiada à desumanização corporativa dos dias atuais.

De forma esperta, a trama explora o mercado de trabalho jornalístico, artístico e publicitário, que passaram por mudanças nas últimas décadas. Em 2026, Andy representa um mercado jornalístico sucateado, tomado por demissões em massa e cortes de gastos, ao mesmo tempo em que lida com a transição para o digital.

Apesar de ser uma sequência dispensável, O Diabo Veste Prada 2 é um filme ciente do momento em que chega aos cinemas duas décadas depois do clássico que entregou mais um personagem icônico para Meryl Streep, colocou Anne Hathaway no patamar de estrela de cinema e apresentou Emily Blunt, que estava em um dos seus primeiros grandes papéis na telona.

Não posso esquecer de Stanley Tucci, que retorna como Nigel, o mentor de estilo e fiel braço direto de Miranda Prestly. Nigel é, sem dúvidas, o melhor personagem da franquia.

Entretanto, os novos personagens pouco têm a dizer e agregar à narrativa, embora tenham papel fundamental no desenrolar dos conflitos da história. São os casos de Lucy Liu, no papel de uma magnata reclusa, Kenneth Branagh, como o marido de Miranda, Justin Theroux, no papel do excêntrico milionário Benji Barnes, Patrick Brammall como o desnecessário interesse amoroso de Andy e Simone Ashley, como a estilosa e confiante Amari, a nova assistente de Miranda.

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Mantendo a ambientação sofisticada, em locações como Nova York, Milão e o Lago de Como, na Itália, O Diabo Veste Prada 2 acerta ao reunir o elenco original, equilibrando nostalgia com um olhar crítico sobre a era digital, a crise do jornalismo impresso e a inteligência artificial na moda.

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