Não há nada mais pornográfico do que a felicidade

Marcos (Ricardo Darín, fantástico como sempre) e Ana (Mercedes Morán) estão casados há 25 anos quando o único filho decide deixar a Argentina e estudar no exterior.

O casal então resolve se divorciar.

O que seria uma separação em comum acordo revela uma vida de solteiros intensa no início, mas que levanta novas questões e incertezas.

Um Amor Inesperado é uma comédia dramática sobre duas pessoas que reavaliam a vida amorosa aos 50 anos de idade.

Mais que estabelecer uma narrativa que aborda a Síndrome do Ninho Vazio, o diretor Juan Vera explora uma trama onde não há uma crise entre Marcos e Ana, eles apenas não sabem mais porque continuam juntos. Aliás, aproveito o tema para recomendar outro filme argentino, o ótimo Ninho Vazio, de Daniel Burman, que mostra um casal enfrentando uma crise no casamento depois que os filhos saem de casa.

O título do filme sugere a chegada de uma paixão avassaladora para abalar a vida dos protagonistas, o que nunca acontece de fato.

Diferente da expectativa de encontros amorosos, o filme possui ambições mais profundas do que simplesmente abordar o romantismo.

A narrativa discute o fim da paixão em casais duradouros, o sentimento de abandono e a possibilidade de ser feliz sozinho. E o melhor, sem julgamentos morais.

É interessante como o divórcio entre Ana e Marcos é surpreendentemente civilizado, a partir da simples constatação de que não estão mais apaixonados.

A partir de experiências mais ou menos frustrantes de cada um, o enredo vai construindo um subtexto ainda mais complexo. Afinal, eles rompem um casamento de 25 anos em busca de novidades, mas logo se veem almejando a estabilidade que tinham anteriormente.

Encerro com uma frase genial dita durante o filme: “Não há nada mais pornográfico do que a felicidade”.

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