Filme mais aguardado do ano para mim, Oppenheimer marca o retorno aos cinemas de Christopher Nolan, três anos após Tenet, o filme mais confuso e pretensioso de sua incrível filmografia. Sem grandes mudanças de tempo e espaço (embora eles existam), uma das marcas do diretor, Oppenheimer confirma (se é que havia alguma dúvida) a brilhante habilidade de Nolan em criar um verdadeiro espetáculo visual.
Inspirado no livro vencedor do Pulitzer escrito por Kai Bird e Martin Sherwin, Oppenheimer: O triunfo e a tragédia do Prometeu americano, o filme foi escrito e dirigido por Christopher Nolan.
Ambientado na Segunda Guerra Mundial, o longa acompanha J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), físico teórico da Universidade da Califórnia e diretor do Laboratório de testes de Los Alamos durante o Projeto Manhattan, que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas.
A trama acompanha o físico e um grupo formado por outros cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.
Ao mesmo tempo em que acompanhamos o desenvolvimento do Projeto Manhattan, há também uma outra linha temporal, alguns anos à frente, encabeçada, principalmente, pelo empresário e oficial naval Lewis Strauss (Robert Downey Jr.), fundador da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos. Strauss foi líder do comitê que retiraria as credenciais científicas de Oppenheimer e que entrou em uma verdadeira caça às bruxas com o objetivo de expor o físico como um espião comunista.
Vale destacar que há uma separação visual aqui: as cenas coloridas nos dão a perspectiva do próprio Oppenheimer, enquanto as cenas em preto e branco funcionam mais como uma “documentação” dos acontecimentos. Méritos da fotografia sempre impecável de Hoyte Van Hoytema, parceiro de Nolan em Interestelar (2014), Dunkirk (2017) e Tenet (2020).
Publicidade
Tecnicamente exuberante, como edição e mixagem de som beirando a perfeição, ainda vemos o excelente trabalho de montagem de Jennifer Lame e a trilha sonora do vencedor do Oscar Ludwig Göransson.
Christopher Nolan teve permissão de explodir uma bomba de verdade, sem usar efeitos gráficos. Com isso, temos uma cena extremamente realista e visualmente impressionante. Embora, é claro, a explosão seja de encher os olhos, é a tensão que precede a sequência que torna o filme ainda mais impactante.
A preparação do Teste Trinity (o primeiro com uma arma nuclear na história), e as visões do protagonista acerca de seus atos, fazem com que o espectador realmente sinta o perigo e a ameaça do que está por vir.
Oppenheimer marca a sexta colaboração entre Cillian Murphy e Christopher Nolan, sendo que esta é a primeira vez que o talentoso ator irlandês ganha o papel principal. Em uma atuação brilhante e digna de Oscar, Murphy sustenta o filme ao dar vida a um retrato complexo e humano, embora falho, de J.R. Oppenheimer.
Acompanhado por coadjuvantes poderosos, com destaque para a performance excepcional de Robert Downey Jr., o elenco também traz nomes como Matt Damon, Gary Oldman, Casey Affleck, Josh Hartnett, Rami Malek e Kenneth Branagh. Porém, é com as ótimas Emily Blunt (Kitty Oppenheimer) e Florence Pugh (Jean Tatlock), que Nolan frustra e repete o erro de outros filmes seus, conferindo tratamento superficial às suas personagens femininas. As duas representam relacionamentos românticos que tiveram um peso enorme para o físico, com a esposa Kitty sendo o alicerce que estimulou suas conquistas e Tatlock a força política na sua vida.
Conhecido como o “pai da bomba atômica” e responsável por um dos momentos mais terríveis da história da humanidade, é inegável que J. Robert Oppenheimer é uma das pessoas mais importantes que já viveram, assim como, é notável o fascínio do diretor por seu protagonista. Fica muito claro também para quem assiste a figura instigante que está sendo retratada. Uma vez que já sabemos como essa história termina, o grande trunfo do filme é explorar os conflitos morais e éticos do protagonista.
Publicidade
Com três horas de duração, Oppenheimer pode ficar cansativo em sua parte final, porém, não há cena que não seja fundamental para a narrativa. Com atuações memoráveis, um diretor no auge de sua genialidade e tecnicamente perfeito, Oppenheimer é o grande filme do ano, e um dos mais importantes dos últimos tempos.
Arte e política renderam um livro clássico. Publicado em 1936, e baseado em um caso real, o romance Mephisto, do alemão Klaus Mann, conta a história de um ator que adere ao Nazismo.
Determinado a ascender na carreira, ele abandona seus princípios morais e sua integridade como artista.
Muitos artistas recebem dinheiro de governos para realizar obras que agradam ao poder, em troca de benefícios semelhantes aos do personagem central de Mephisto. Mesmo que tenhamos afeto por eles, é desejável que o façam?
Creio que a resposta seja óbvia. Não é desejável. Por uma razão simples. Um artista que troca favores com um governo radicalmente ideologizado perde algo mais do que sua alma. Perde o respeito pelo público.
Como é subsidiado pelo poder, já não se importa nem mesmo com a qualidade do aplauso, porque está pago de antemão. Tendo ou não valor artístico, fracassando ou não na bilheteria, não importará.
Nós temos essa ideia romântica de que artistas são pessoas do “bem”. São e não são. Porque no fim, como todos, também eles precisam pagar as contas. Contudo, a cooptação política vem suprindo essa necessidade, mesmo que a ampla maioria dos filmes nacionais não agradem ao público, como confessa a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata de Almeida Magalhães (vídeo abaixo),.
Agora relembro um caso que ocorreu a um artista do nosso tempo quando se “engajou”.
A comparação não é perfeita, já que ele se fez à custa do próprio talento. Mas serve como exemplo do equívoco do engajamento político, por uma razão que resume tudo: o engajamento empobrece o artista, por aquém da realidade, sempre mais complexa do que aquele pretende, levando a entendimentos falsos que podem se tornar frustrantes aos seguidores e até perigosos aos artistas.
Numa cena de documentário sobre John Lennon, o músico e Yoko Ono, de pijamas na cama de um quarto de hotel no Canadá, recebem artistas e simpatizantes para “um protesto pacífico e cantante em favor da paz no mundo”. Estava megalomaníaco.
Como os discos dos Beatles e dele próprio vendiam como coca-cola, nessa altura rico, além de casado com uma filha de banqueiro de Tóquio, podia bancar seus luxos e caprichos.
Entre outros visitantes, apareceu lá um cartunista: Al Capp, um homem mais velho, de uns 50 anos. Homem vivido, sem ilusões, com os pés plantados na realidade.
Capp questionou o ato político do casal, perguntando o que Lennon podia fazer pela paz mundial sentado numa cama. Lennon não gostou. Bateram boca.
Capp disse a Lennon que ele não lhe “fazia a cabeça”, que os artistas que admirava eram outros, e foi saindo, enquanto Lennon reclamava: “ele não deveria estar aqui”, e, debochando, cantarolava de improviso algo com o nome de Capp para desmerecê-lo.
O cartunista reagiu: “Não deveria estar aqui, por quê? Você convidou a todos para vir. Sou seu convidado”.
Publicidade
A recusa do cartunista a embarcar na canoa de Lennon, como todas as recusas, me fez pensar. Mesmo que me desagrade, sempre penso que em toda recusa há algo que merece atenção. E havia.
Anos depois Lennon cantou “the dream is over”. Ao menos foi sincero. Enfim aceitara o que, sendo sensível como era, no fundo sempre soube, apenas não admitia. Que a paz é uma quimera.
Então um fã o esperou em frente de casa e o matou.
Ambientado na Chicago da década de 1930, A Noiva! acompanha a história de Ida (Jessie Buckley), uma jovem assassinada que ganha vida novamente. O que ela não imaginava é que seria trazida de volta à vida por Frankenstein (Christian Bale), que, após um século de solidão, anseia por companhia e pede a ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening). Os dois, então, trazem-na de volta à vida e, assim, nasce uma nova criatura: a Noiva. Logo, a jovem descobre um mundo marcado por obsessões e violência, além de se envolver em um romance selvagem e explosivo.
Após uma excelente estreia na direção com A Filha Perdida (2021), a atriz Maggie Gyllenhaal resolve não apenas revisitar um clássico, mas ressignificar a icônica personagem criada por Mary Shelley. A diretora, e também autora do roteiro, não tem medo de mexer em algo que o público já conhece, e nem de assumir um discurso sobre identidade e pertencimento. O longa quer tanto deixar claro o que está dizendo que acaba se repetindo, diminuindo seu impacto. Ainda assim, é impossível ignorar o quanto a proposta é instigante. A metalinguagem funciona bem no começo, com Jessie Buckley interpretando Mary Shelley, Ida e Penny ao mesmo tempo, com criadora e criatura dividindo a mesma mente.
Buscando sua própria identidade, o filme é uma mistura de estilos. A produção passeia pelo drama existencial, romance gótico e denúncia social, além de ter a impressão de que, em alguns momentos, estamos assistindo a um road movie ou até musical de Hollywood. Ao fim, A Noiva! não encontra sua identidade, pois parece que estamos assistindo filmes diferentes disputando o mesmo espaço.
Se há algo que sustenta o filme e que é inegavelmente seu maior triunfo são as atuações de Jessie Buckley e Christian Bale. A vencedora do Oscar entrega uma performance impressionante, no papel de uma mulher frágil e forte, que não sabe quem foi, mas que sente que sabe quem quer ser. A atriz domina as cenas sem esforço. Já Christian Bale equilibra intensidade e carisma. Seu Frankenstein começa contido, quase introspectivo, e aos poucos abraça o caos com uma energia magnética. A química entre os dois culmina em uma marcante sequência de dança, onde o filme encontra sua síntese perfeita entre estranheza e liberdade. Entre os coadjuvantes, a contribuição de nomes de peso como Annette Bening, Penélope Cruz e Peter Sarsgaard, como uma dupla de detetives, e Jake Gyllenhaal como um popular astro de cinema.
Quando o filme abraça o exagero, o caos e o gótico, ele ganha força. A ambientação nos anos 30 cria um contraste interessante entre o conservadorismo da época e a energia anárquica da protagonista. A fotografia de Lawrence Sher, indicado ao Oscar por Coringa (2019), reforça esse embate visual. Visualmente intenso e estimulante, o caos estético que dialoga com o processo interno da protagonista conta com o design de produção de Karen Murphy, indicada ao Oscar por Elvis (2022), que passeia por diferentes cidades como Chicago, Nova York e Cataratas do Niágara. Além disso, temos a densa trilha sonora da islandesa Hildur Guðnadóttir, vencedora do Oscar por Coringa (2019), e o figurino da lendária Sandy Powell, três vezes vencedora do Oscar, que mistura o horror gótico com uma energia punk rock da época.
Corajoso e ambicioso, porém irregular, A Noiva! atesta a visão de sua diretora, em um filme ousado e sem personalidade.
Dentre os filmes sobre o período da ditadura militar no Brasil, o de que gosto é O que é isso, companheiro?, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira. A obra concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998, mas não ganhou.
Dirigido por Bruno Barreto, ele conta o que se passou nos quatro dias do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, no Rio. O sequestro, realizado por guerrilheiros, ocorreu em 4 de setembro de 1969 e terminou com a libertação de Elbrick, a fuga dos sequestradores e a sua captura por agentes da repressão.
Barreto narra a história com equilíbrio, sem tomar parte ideológica, situando os envolvidos nas circunstâncias da época. Narra o que ocorreu com imparcialidade, modelando os personagens para além do maniqueísmo mocinhos vs bandidos — inclusive porque os gurerrilheiros pertenciam a organizações que pretendiam implantar sua própria ditadura, como admitiu Gabeira.
Abalxo alguns exemplos do tratamento dado pelo diretor.
Numa das cenas, o embaixador acha que será morto e, assustado, defeca. Envergonhado, conta o que ocorreu. O guerrilheiro de vigília o consola, depois o guia pelo braço até o banheiro, para que se lave. Sozinho na privada, Elbrick chora. Não é a encarnação do demônio americano. É apenas um homem.
Noutra cena, um dos torturadores do regime, um sujeito com a mulher grávida, tem problemas de consciência e, sufocado pela culpa, confessa à mulher o que vem fazendo nos porões da ditadura e o mal que isso lhe faz. Ele se sente perturbado por torturar. Mas, sendo funcionário de estado, e preocupado em manter o emprego e a família, prestes a crescer, ele tortura (e se tortura por torturar).
Outro exemplo: no revezamento da vigília de Elbrick no cativeiro, os sequestradores entravam no quarto com um capuz parecido com máscaras antigas de Carnaval, com dois furos para os olhos. Máscaras escuras, de carrascos. No filme, o personagem de Gabeira faz diferente.
Publicidade
Ele acha que Elbrick não merece reter a visão de um mascarado com o revólver pousado no regaço, sentado numa cadeira. Por isso, na sua vez de vigília, oferece ao embaixador uns óculos com o espaço das lentes coberto com uma proteção preta. Pousado o apetrecho, este faz do cativo literalmente um cego. E então Gabeira retira a sua máscara e conversa com Elbrick.
Gabeira vê Elbrick, que não pode ver o primeiro e identificá-lo, mas ao menos não é obrigado a olhar para um “monstro”. Esse tipo de elegância é talvez o máximo das possibilidades humanas, a coisa mais valiosa que se possa almejar entre as pessoas. Em situações de desvantagem alheia, tratar os outros com humanidade.
Elbrick acabou libertado em troca da soltura de outros guerrilheiros. Ele falou bem dos sequestradores e o governo americano o levou de volta aos Estados Unidos e o aposentou. Preso, torturado e banido do país, Gabeira só voltaria ao Brasil nove anos depois, com a anistia. No retorno, foi deputado federal por três mandatos, cansou (concluiu que “não valia o esforço”) e voltou a ser jornalista.
Em seus comentários na Globo, é hoje um velhinho simpático e tranquilo. Às vezes sua gata Renata atrapalha suas entradas ao vivo, caminhando em frente da câmera. Noutro dia, Renata o arranhou e ele a afastou com um safanão, um gesto instintivo de defesa.
Quando Gabeira ainda era deputado, a filha de Elbrick veio ao Brasil se encontrar com ele, querendo conhecer melhor o pai. Saber quem ele foi nos dias em que esteve cativo. Amigavelmente, os dois conversaram.
Proibido pelo Departamento de Estado de entrar na América, Gabeira, embora tenha tentado, nunca pôde pisar nos Estados Unidos.
O agente secreto saiu da cerimônia do Oscar sem estatuetas. O filme tem algumas qualidades, sobretudo e sem súvida na formação de elenco. Mas não merecia ganhar Oscar.
Em 14 de janeiro passado, eu havia estranhado que tivesse ganhado até mesmo o Globo de Ouro de Melhor filme (veja aqui)
Na forma, filme como filme, me pareceu uma obra estranha.
Além do mais, filme engajado ideologicamente tende a perder complexidade humana, como ocorreu com O agente.
Valor Sentimental retrata o relacionamento conturbado entre um pai e suas duas filhas. O carismático Gustav (Stellan Skarsgård) é o pai distante de Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e é um renomado diretor de cinema que decide que seu próximo longa será o seu filme de retorno aos holofotes. Sabendo o quão pessoal e importante é o projeto, o cineasta oferece à Nora, uma bem-sucedida atriz de teatro, o papel principal da trama. Quando ela recusa a oferta, Gustav entrega a personagem para uma jovem estrela de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning). Assim, as irmãs precisam lidar com a relação complicada com o pai, enquanto a atriz americana se instala no centro dessa complexa dinâmica.
Quatro anos após a obra-prima A Pior Pessoa do Mundo, Valor Sentimental marca o retorno de Joachim Trier a um território que ele conhece muito bem: o das relações familiares marcadas por silêncios e ressentimentos. Com o roteiro escrito ao lado de Eskil Vogt, colaborador de Trier em todos os seus filmes, o longa investiga o que realmente carrega valor emocional quando o tempo passa e as relações se desgastam.0
Com um roteiro que demonstra grande sensibilidade ao construir personagens complexos, cada um lidando com seus próprios ressentimentos, o elenco é o grande destaque, com nomes de peso como Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e sua parceira recorrente, Renate Reinsve. Skarsgård está fantástico como um cineasta respeitado e um homem que sempre colocou a criação artística acima da vida familiar. Ele não é retratado como vilão, mas como alguém incapaz de separar vida e obra. O contraponto está em Nora, em mais uma atuação marcante de Renate Reinsve, que carrega uma resistência constante. Já Agnes, vivida por Inga Ibsdotter Lilleaas, ocupa um espaço mais conciliador, embora igualmente marcado por frustrações. A dinâmica entre as irmãs é construída com cuidado, revelando diferenças de temperamento sem recorrer a conflitos. Elle Fanning vive Rachel Kemp, uma atriz de Hollywood em busca de prestígio artístico. Inicialmente fascinada por trabalhar com Gustav, ela passa a perceber que está sendo colocada no lugar simbólico da filha, entendendo aos poucos a obsessão emocional que move o diretor.
Ao inserir um filme em processo dentro da própria narrativa, Joachim Trier insere o cinema como meio de aproximação e, ao mesmo tempo, como um obstáculo. Além disso, a casa onde a história se desenrola funciona quase como um personagem. É um espaço carregado de memória, onde o peso do passado se faz presente em cada canto.
Um drama profundamente humano, com um texto sensível e atuações impecáveis, Valor Sentimental reafirma Joachim Trier como um dos grandes nomes do cinema atual. Uma abordagem honesta sobre família e arte.
Lançado em fins de 2025, o livro 6 Décadas de Teatro, contendo uma dezena de artigos acadêmicos sobre a obra de Valter Sobreiro Junior, oferece uma nova e ampla dimensão da carreira desse professor, cenógrafo, escritor e diretor teatral que fez toda vida profissional em Pelotas, de onde só saiu esporadicamente para encenar suas peças em outras cidades.
Editado pela Life Editora, de São Paulo, o livro de 198 páginas foi organizado por João Luiz Pereira Ourique, professor de teatro da UFPel que coordenou o trabalho de 15 acadêmicos de universidades públicas de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Campo Grande. É um estudo profundo sobre a dramaturgia de Sobreiro, que escreveu nove peças, adaptou dezenas de outras e participou de cerca de 70 espetáculos teatrais ao longo de seus 60 anos de militância no teatro.
PAI-DE-DEUS: Uma das peças de Sobreiro
Nascido no dia do Natal de 1941 em Rio Grande, Sobreiro lembra da primeira vez em que foi a um espetáculo teatral na sua cidade natal: tinha menos de cinco anos quando assistiu “I Piccoli de Podrecca”, levado por uma trupe italiana de marionetes. Sua infância foi movimentada, em decorrência da atividade itinerante do pai funcionário público federal (fiscal da Previdência).
Órfão de mãe aos três anos, Sobreiro criado por uma tia que se tornaria sua madastra. Dos cinco aos sete anos morou em Santana do Livramento, onde assistiu a teatro, cinema, dança e rinhas de galos. Também transitou por hotéis de Uruguaiana, Alegrete, São Francisco de Assis e Quaraí. De 1950 a 1951 viveu em Passo Fundo, de onde certa vez foi levado a Erechim para cantar num programa de rádio de um certo Maurício Sirotski Sobrinho, o mesmo que anos depois lançaria Elis Regina no Clube do Guri em Porto Alegre. Passou o ano de 1952 em Porto Alegre. Em 1953 a família se fixou para Pelotas, de onde nunca mais quis sair.
Matriculado no tradicional Colégio Pelotense, terminou o ginásio em 1956 e, ao invés de continuar os estudos, passou a frequentar a Rádio Cultura, onde não faltavam opções para quem não tivesse medo do microfone. Após se apresentar como cantor em programas de auditório, foi convidado a produzir um programa sobre cinema, tema de artigos que publicava no Diário Popular, como sócio militante do clube de cinema local fundado em 1950 – na cidade havia então pelo menos seis boas salas com uma oferta variada de filmes.
Apoiado pelo diretor Elias Bainy, trabalhou na discoteca, no departamento de notícias e como diretor de elenco de rádio-teatro até 1960, quando as novelas passaram a chegar gravadas de São Paulo, obrigando os radio-atores a buscar novas atividades. Ele seguiu na rádio, mas retomou os estudos e a partir de 1962 passou a trabalhar em banco. Findo o colegial, começou o curso de Direito, que lhe permitiria trabalhar como advogado trabalhista.
Publicidade
Cena de PAI-DE-DEUS
No meio da vida de bancário e estudante, sobreviveu a opção pelo teatro, incentivada por professores como Aldyr Garcia Schlee, Angenor Gomes e Luiz Carlos Correa da Silva, fundadores da Sociedade de Teatro Escola de Pelotas (STEP, 1962) e do Teatro dos Gatos Pelados (TGP), criado em 1963 por alunos e mestres do Pelotense (“gato pelado” é o apelido dos estudantes dessa centenária escola pública municipal). Esses dois grupos teatrais deram ressonância nacional às atividades cênicas em Pelotas, onde desde a segunda metade do século XIX se formou um público apreciador das artes exibidas nos teatros Sete de Abril, Guarany e nos auditórios de escolas e clubes sociais.
No início de sua atividade como animador do teatro, Sobreiro fez a cenografia de peças infantis, mas já em 1962 escreveu seu primeiro texto teatral, “O Infeliz Jovem Rei”, apresentado pela primeira vez no ano seguinte. Em 1966, se tornou oficlamente professor do Pelotense.
Abaixo, AS NOVE PEÇAS analisadas e/ou comentadas no livro “6 Décadas de Teatro”:
O INFELIZ JOVEM REI (1962/63), drama inspirado em “Hamlet”, do dramaturgo inglês William Shakespeare.
BIRA & CONCEIÇÃO, escrita em 1966, é uma ópera popular cantada cuja primeira encenação, dirigida por Angenor Gomes e auxiliado por José Luiz Marasco, do TGP, desencadeou o convite para concorrer ao Festival Nacional de Teatro de Estudantes em 1968 no Rio. Uma das exigências do festival, como “contrapartida social”, era encenação de uma peça infantil em uma comunidade periférica da capital carioca.
Ocupado na produção da peça maior, Sobreiro pediu ao professor Aldyr Schlee que o cobrisse na emergência. Inspirado no clássico “Chapeuzinho Vermelho”, o amigo criou uma versão moderna levada numa favela – os originais se perderam na voragem do AI-5, que escancarou a ditadura em 13 de dezembro de 1968.
Publicidade
“Bira & Conceição” ganhou o prêmio de melhor música, superando 32 concorrentes – as canções foram compostas pelo próprio dramaturgo, que não estudou música formalmente, mas tinha o que, no popular, se chama de “bom ouvido”. Segundo o doutor em música e professor Leandro Maia, que analisou Bira & Conceição, “Valter Sobreiro tem consciência melódica e noção harmônica”.
Em consequência dessa pioneira excursão ao Rio, a equipe pelotense ficaria desfalcada do cenógrafo Fernando Mello da Costa, que se mudou para o Rio algum tempo depois de abrir espaço profissional em Porto Alegre.
Décadas depois, sempre no Rio, o próprio Mello da Costa cobrou o resgate da peça, principalmente da trilha musical, da qual não havia gravação nem partitura. Mesmo achando que a peça estava superada pela evolução dos temas do teatro moderno, Sobreiro o atendeu em 2012, com a ajuda do músico Leonardo Oxley Rodrigues, mas a peça não chegou a ser remontada porque o cenógrafo faleceu em 2019. As partituras transcritas pelo acadêmico Alinson Alaniz estão salvas no livro “6 Décadas”.
A ópera tem apenas quatro personagens (uma mulher, dois homens e a mãe deles) e um coro de oito vozes presente o tempo todo em cena e amparado por um grupo de músicos.
EM NOME DE FRANCISCO, sobre o poeta pelotense Francisco Lobo da Costa (1853-1888). Publicada pela Editora Tchê em 1987, teve 36 apresentações no RS, PR, PB e no Uruguai, sendo premiada em Novo Hamburgo e Ponta Grossa. Um grupo de Pelotas montou-a posteriormente e, usando trechos da peça, fez um vídeo que acabou ganhando um prêmio.
MARAGATO – Publicada em 1995 pela editora da UFPel. Drama falado e cantado em torno da Revolução Federalista de 1893, quando se defrontaram maragatos e ximangos, uma rivalidade histórica que até hoje ecoa no RS. Ganhou 30 prêmios entre 1988 e 1991. Foi apresentado em 31 cidades gaúchas, em oito outras fora do Rio Grande e no Uruguai, incluído o Teatro Solis de Montevidéu. Estima-se que tenha sido assistido por 45 mil pessoas O autor recusou propostas de montagem por um grupo de Porto Alegre.
DON LEANDRO ou OS SENDEIROS DE SANGUE – Peça de 1999 inspirada no “Rei Lear” de Shakespeare. Trata do poder na velhice, envolvendo disputas entre homens e mulheres.
Publicidade
DE PRODÍGIOS E MARAVILHAS, de 2006, peça sobre sonhos, fantasias, desejos, conflitos e os sofrimentos resultantes de enganos e frustrações.
ENTREMEZ DA RAINHA MARIA i, A LOUCA, E SEU CRIADO BELISÁRIO, 2011, sobre a hipocrisia entre as classes sociais, a escravidão, o exílio, a saudade da terra natal.
Livro e cena de PAI-DE-DEUS
PAI- DE-DEUS, de 2012, trata das relações entre algoz e vítima (torturador e torturado) durante uma ditadura militar. Desde o início, a peça tem momentos que lembram o tradicional ‘pas de deux’ do balé, que simula um diálogo em forma de dança, mas na realidade do palco se trata de um confronto, uma tentativa de ajuste de contas. Estreou em Pelotas em 2012, foi apresentada em Porto Alegre em 2016 e voltou a ser encenada em Pelotas em 2020. De 2023 a 2024, cedida ao Grupo Tholl, formado por ex-alunos de Sobreiro, a peça foi levada a Porto Alegre, São Paulo e Rio, sob a direção de João Schmidt, também ator nesse que é o drama politicamente mais denso e atual de Sobreiro. No artigo em que analisa no livro “6 Décadas” o contexto político da peça, a atriz e professora de dramaturgia Fernanda Vieira Fernandes observa: “A ausência de julgamento e condenação dos crimes de tortura e morte de cidadãos brasileiros favorece a perda da memória e, pior, mantém à espreita o autoritarismo com ares de solução milagrosa”.
RESSOLANA (2014), ambientada numa área de fronteira luso-castelhana no século XIX, trata de um triângulo formado por um pai, seu filho e uma prostituta que se quer livre. O desfecho é trágico: para se vingar do pai, que não cumpre a promessa de libertá-la, a mulher envenena o jovem. Ciúme, posse e vingança tecem o enredo fronteiriço que ecoa as tragédias gregas. Única peça de Sobreiro inédita em palcos.
ÍNTEGRA DAS PEÇAS EM LIVRO
Em reconhecimento à importância do trabalho do dramaturgo Valter Sobreiro Junior, a UFPel planeja publicar a íntegra de sua obra teatral, constituída pelas nove peças analisadas e comentadas no livro 6 Décadas, em cuja introdução a professora Lilian Becker de Oliveira, mestra em Memória Social e Patrimônio Cultural, escreveu: “A importância das obras de Valter Sobreiro Junior para a cidade de Pelotas transcende o âmbito teatral, configurando-se como um patrimônio imaterial de valor inestimável para a memória cultural da região. (…) Sobreiro Junior é considerado um formador de gerações de artistas e sua influência no teatro pelotense ressalta uma metodologia que introduziu conceitos como a ‘unidade plástica do espetáculo’, integrando cenografia, iluminação, figurino e trilha sonora em uma proposta integradora, como destacou Joice Ester Ayres de Lima em trabalho de 2011 na UFPel”.
Para criar o que denomina “cenografia de planos estruturados”, Sobreiro trocou experiências com diretores, atores e teóricos, além de professores e jornalistas especializados – muita gente ao longo do tempo, cabendo porém uma lembrança especial a Gianni Ratto (1916-2005), diretor que coordenou a montagem da caixa cênica e do aparato de som e luz do Theatro Sete de Abril na reforma dos anos 1980, quando os dois tiveram uma fértil convivência.
Publicidade
Se for publicado, o livro da UFPel sobre as peças de Sobreiro pode ser sua consagração final, já ensaiada em homenagens prestadas em anos recentes nas três maiores cidades costeiras da Lagoa dos Patos: em 2021, o ano em que completou 60 anos de teatro, Sobreiro recebeu do governo estadual a Medalha Simões Lopes Neto, por mérito cultural; no mesmo ano, seu nome foi fixado em placa de bronze no saguão do Teatro 7 de Abril, fundado em 1831 no coração de Pelotas; em 2022, a prefeitura de Rio Grande também inaugurou uma placa comemorativa no teatro municipal, fundado em 1929.
DOIS ROMANCES
Embora tenha se dedicado prioritariamente ao teatro, encontrou tempo para escrever dois romances: “Petrona Carrasco”, premiado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul em 1989, foi publicado pelo Instituto Estadual do Livro (IEL) em parceria com a Editora Tchê; e “O Demônio a ser Pago no Estúdio dos Fundos”, publicado pela Editora Lerigou, lançado em 2024 em Pelotas e em 2025 em Porto Alegre. No depoimento ao signatário deste perfil, Sobreiro disse que pretende ainda escrever sobre sua vida: “Tem tantas peripécias que pode dar uma novela”.
CENA FINAL
Comentando sua adesão incondicional ao teatro em Pelotas, Valter Sobreiro diz que cedo percebeu a necessidade de circular com os espetáculos, para justificar o investimento feito e divulgá-los, mas esbarrou nas limitações do tempo, pois tinha compromissos familiares (três filhos) e profissionais (trabalhar como professor e advogado) na cidade. Por isso recusou convites para levar suas peças a outros países. “Mas plantei a ideia de produzir em Pelotas”, conclui, lembrando que nunca lhe faltaram patrocinadores porque “muitos empresários e políticos eram frequentadores de espetáculos de música e artes cênicas”.
Embora tenha alcançado notoriedade nacional e levado suas peças até ao Uruguai, o dramaturgo ficou toda a vida em Pelotas, sustentando-se como advogado trabalhista e dando aulas de teatro, sem se fazer notar senão pela dedicação ao meio onde as vaidades pessoais trombam nos camarins, nos palcos e até no saguão dos teatros. Por ironia da história, nenhum dos seus descendentes (três filhos, sete netos e dois bisnetos) mora em Pelotas.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet apresenta o romance entre Agnes (Jessie Buckley) e Will (Paul Mescal). Juntos, eles constroem uma bela família, junto com a filha mais velha, Susanna (Bodhi Rae Breathnach), e os gêmeos Hamnet (Jacobi Jupe) e Judith (Olivia Lynes). Mas quando uma doença causa tragédia, o luto parece ser a inspiração para uma das maiores obras da literatura.
Após vencer o Oscar por Nomadland (2020) e a recepção dividida em sua estreia na Marvel com o fraco Eternos (2021), a diretora Chloé Zhao retorna a um território que parece dialogar muito mais com sua sensibilidade. A adaptação do romance de Maggie O’Farrell não está interessada no gênio da literatura, mas sim na família e, sobretudo, na figura de Agnes, que se torna o verdadeiro centro emocional da narrativa. Na realidade, o filme não faz muita questão de tentar ser uma cinebiografia de William Shakespeare, tanto que seu nome completo só é dito pela primeira vez no terceiro ato do filme.
Através de Agnes, a história ganha elementos sobrenaturais, em virtude de sua habilidade de ter visões do futuro e conhecimentos de cura, graças a uma conexão muito profunda com a floresta. Hamnet é todo sob o olhar dela, e Shakespeare está ali como marido, pai, muitas vezes ausente, e como alguém dividido entre a necessidade de criar e a incapacidade de permanecer. Com isso, Agnes ocupa o lugar de protagonista e dos temas que o filme realmente quer explorar, como a maternidade atravessada pelo medo, pela responsabilidade e, mais tarde, pela perda.
Além do belíssimo visual e do roteiro tocante, o elenco impressiona. A sempre extraordinária Jessie Buckley já garantiu seu Oscar com uma atuação arrebatadora e que cresce em silêncio, em olhares, em gritos e em pequenos gestos. As suas reações durante a sequência final no teatro certamente ficarão marcadas na história do cinema. Ao seu lado, Paul Mescal está igualmente impecável, reafirmando por que é um dos atores mais requisitados do momento, e sua ausência entre os indicados ao Oscar é revoltante. Jacobi Jupe, no papel de Hamnet, conquista pela naturalidade e pelo impacto que consegue causar mesmo com pouco tempo em cena. O filme acertou em cheio na escolha de Noah Jupe, irmão de Jacobi, para viver Hamlet no teatro, gesto que reforça a imersão emocional da narrativa. Destaque também para a ótima Emily Watson, que surge como Mary, a mãe de Will.
Visualmente lindo como sua história, a produção valoriza a luz natural e os espaços abertos, com a direção de fotografia de Lukasz Zal, indicado ao Oscar por Guerra Fria (2019). Além disso, as cores acompanham o estado emocional dos personagens, e o figurino ajuda a contar essa trajetória, especialmente com Agnes, em um excelente trabalho da figurinista Malgosia Turzanska. A discreta trilha sonora de Max Richter deixa momentos dolorosos ainda mais intensos.
Com 8 indicações ao Oscar, Hamnet: A Vida antes de Hamlet fecha a trio dos favoritos ao Oscar de melhor filme ao lado de Uma Batalha Após a Outra e Pecadores. Um filme que se destaca pela delicadeza e pela forma como transforma o luto em algo quase palpável. Profundamente sensível e emocionante.
É um mistério a ser desvendado que 0 agente secreto tenha ganhado o Globo de Ouro de Melhor Filme em língua não-inglesa. Vai-se saber o que passa na cabeça dos jurados.
Meu palpite é que se sentiram atraídos pelo componente exótico, além do ideológico, vindos do Terceiro Mundo, seja lá o que isso signifique na apreciação de uma obra artística.
Saí da projeção arrependido, louco de sono e, pela reação da plateia, não fui o único. Na forma, foi um dos filmes mais bocejantes, esquizofrênicos e pretensiosos que já vi.
É um desses trabalhos em que o argumento do diretor só se realiza na cabeça dele. Quis tanto se mostrar original ao recontar uma história hiperconhecida (sobre a época do regime militar, uma obsessão a fundo perdido de nossos cineastas), que perdeu a mão.
O resultado foi um filme que inclusive soa cifrado sem sê-lo (por decorrência da estranha condução do trabalho, não por ter aquela intenção). De todo modo é uma narrativa frouxa, arrastada e, por vezes, surreal. O tipo de filme que ninguém jamais veria duas vezes, mesmo em Cuba.
Na prática o diretor Kleber Mendonça Filho montou — lentamente — um quebra-cabeças, sem formar, porém, uma imagem nítida, muito menos imparcial. E, no sentido oposto das verdadeiras obras de arte, o filme não possui apelo universal — nada que se compare, por exemplo, a obras como O Poderoso chefão I e II, que são reflexos abrangentes da natureza humana, espelhos amplos dos nossos sentimentos e conflitos.
Em vez de buscar igual riqueza dramática, Kleber esticou um microcosmo emocional, sem multiplicá-lo em significados. Daí a sensação de monotonia narrativa. Desmontemos as peças que aglutinam o filme e sobrará o oco. Não há realmente um miolo — um núcleo do qual a história contada se expanda, efeito este que só as grandes obras conseguem, como, para dar um exemplo brasileiro, conseguiu o filme Central do Brasil.
Publicidade
Além de tudo, tem três horas de duração quando poderia ter menos, se o diretor tivesse sido menos vaidoso e se rendido ao senso de proporção. Não importa. Em seis meses O agente secreto será esquecido, como ocorreu a Ainda estou aqui e outros tantos filmes das safras atuais.
Não é de espantar que Wagner Moura tenha ganhado o Globo de Ouro de melhor ator; ele é sempre bom (por sinal, há muitos outros bons atores em ‘O agente’), e a reconstituição da época é perfeita. Já o filme, insisto, não mereceu a premiação, a não ser que os demais concorrentes tenham ficado ainda mais aquém. Não duvido, no entanto, que também ganhe Oscar. Não que o Oscar signifique grande coisa em termos de qualidade artística: de tão contaminado pela ideologia, o público já não se importa mais.
Por fim gostaria de dizer que sempre me admira ver artistas subsidiados por governos à esquerda festejando prêmios dados pela indústria cinematográfica mais capitalista do mundo. Isto dava um filme e tanto.
CURIOSIDADE:
Um dos filmes mais amados da história, Cinema Paradiso (de 1988), tinha originalmente quase três horas de duração e, nas primeiras semanas, fracassou nas bilheterias.
O produtor Franco Cristaldi, que não queria perder dinheiro, recolheu o filme e mandou o diretor Giuseppe Tornatore cortar para duas horas; felizmente, este obedeceu. Como resultado, Cinema Paradiso ganhou maior coesão, maior dimensão artística e explodiu no mundo todo.
O impacto cultural foi de tal monta que CP entrou para a galeria das obras eternas ao esgotar um tema: o papel do cinema na vida das pessoas. Desde então ninguém mais pensou em fazer um filme sobre o assunto.