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Cultura e entretenimento

O agente secreto é o grande filme brasileiro do ano e merece Oscar. Por Déborah Schmidt

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Ambientado no Brasil de 1977, O Agente Secreto apresenta Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que foge de um passado violento e tenta recomeçar a vida em Recife, durante o Carnaval. No entanto, ele descobre que a capital pernambucana não é o refúgio que esperava e se torna alvo de uma perseguição, ao mesmo tempo em que tenta recuperar registros sobre a sua mãe e planeja reencontrar seu filho.

Em seu sexto longa, o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho continua abordando temas recorrentes em sua filmografia, como memória e identidade. Assim como em seu filme anterior, o ótimo documentário Retratos Fantasmas (2023), a sétima arte também é uma personagem à parte. Tendo o tradicional Cinema São Luiz como cenário, a produção ainda traz referências a clássicos do cinema, como Tubarão (1975) e A Profecia (1976).

A trama, dividida em capítulos, aborda assuntos como repressão, vigilância e a busca pela memória, além de fazer paralelos diretos e indiretos com o presente. Um exemplo disso é uma menção ao caso do menino Miguel, de 5 anos, que morreu ao cair do nono andar de um prédio de luxo em Recife em 2020. Como de costume, o cineasta explora com carinho a sua terra natal, trazendo elementos culturais e folclóricos, como a curiosa lenda da “perna cabeluda”. Um dos destaques do longa é justamente essa mistura entre o real e o absurdo, combinando questões que fazem parte da nossa sociedade em uma mistura de gêneros que vai do thriller político ao drama familiar, com doses de humor.

Com um roteiro excelente, Kleber Mendonça Filho enaltece o poder da memória ao evidenciar a importância da investigação e dos pesquisadores para que eventos e personagens, ainda que fictícios, não sejam esquecidos. Não posso deixar de mencionar a forma fantástica como o diretor homenageia a Recife dos anos 70, afinal, são poucos os cineastas atuais que conseguem trabalhar tão bem os espaços urbanos. Aqui, a cidade é uma obra viva, cheia de personalidade, histórias e folclores, tornando-se parte essencial da narrativa.

Com chances reais de uma indicação ao Oscar, o sempre versátil e talentoso Wagner Moura faz um ótimo trabalho ao criar um protagonista cativante, com uma presença em cena simplesmente magnética. Sua atuação é sutil, densa e cheia de nuances, marcada por silêncios, gestos contidos e olhares que prendem a atenção do espectador. Entretanto, quem rouba é cena é a brilhante Tânia Maria, atriz potiguar de 78 anos que interpreta Dona Sebastiana, que recebe Marcelo na cidade. Com um humor perspicaz, a personagem é autêntica e a responsável pelo toque de solidariedade e acolhimento na árdua trajetória do protagonista. Ainda no elenco, temos Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Gabriel Leone, Hermila Guedes, a atriz angolana Isabél Zuaa e Alice Carvalho.

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Tecnicamente perfeito, o filme capricha no visual setentista, recriado com equipamentos de câmera vintage e filmes fotográficos analógicos para recriar a estética da época. O primoroso design de produção de Thales Junqueira, parceiro de Mendonça Filho em Bacurau (2019) e Aquarius (2016), reconstrói a época nos mínimos detalhes. Parte fundamental da construção da trama, a trilha sonora é um retrato da cultura brasileira, com nomes como Waldik Soriano, Lula Côrtes & Zé Ramalho, Angela Maria, Orquestra Nelson Ferreira e a Banda de Pífanos de Caruaru, além de Chicago, com a belíssima “If You Leave Me Now”, Donna Summer e “Guerra e Pace, Pollo e Brace”, do maestro Ennio Morricone.

Mesmo com uma filmografia impecável, O Agente Secreto é, sem dúvidas, o grande filme da carreira de Kleber Mendonça Filho. Representante do Brasil no Oscar deste ano, O Agente Secreto recebeu dois prêmios no Festival de Cannes (ator e direção) e coloca Recife no centro de uma narrativa que combina suspense, drama e crítica social no Brasil dos anos 1970. Imperdível, um dos melhores do ano!

Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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O agente secreto não mereceu o Oscar

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O agente secreto saiu da cerimônia do Oscar sem estatuetas. O filme tem algumas qualidades, sobretudo e sem súvida na formação de elenco. Mas não merecia ganhar Oscar.

Em 14 de janeiro passado, eu havia estranhado que tivesse ganhado até mesmo o Globo de Ouro de Melhor filme (veja aqui)

Na forma, filme como filme, me pareceu uma obra estranha.

Além do mais, filme engajado ideologicamente tende a perder complexidade humana, como ocorreu com O agente.

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