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Cultura e entretenimento

O melancólico e belíssimo Frankestein. Por Déborah Schmidt

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Com mais de 60 adaptações para o cinema, o clássico do terror de Mary Shelley ganha uma nova versão pela mente do brilhante Guillermo del Toro. Com uma assinatura narrativa conhecida pela mistura entre a fantasia e o terror, monstros humanizados e uma estética visual marcante, a paixão pelo gótico e pelo realismo fantástico permeiam as produções do diretor mexicano. Aliás, seu primeiro filme, Cronos (1992), é uma grande referência ao trabalho de Mary Shelley, em uma filmografia que ainda incluiu a obra-prima O Labirinto do Fauno (2006) e os vencedores do Oscar A Forma da Água (2017) e Pinóquio (2022).

Frankenstein acompanha o brilhante, mas egocêntrico cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac), que dá vida a uma criatura monstruosa (Jacob Elordi) em um experimento que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Del Toro divide a estrutura do filme em duas partes. Além de um prelúdio, temos pontos de vista completamente distintos entre o criador e a criatura e, com isso, Oscar Isaac e Jacob Elordi dividem o protagonismo de suas jornadas. É interessante notar que essa versão foge da história de horror e explora muito mais o drama emocional dos personagens, em temas como abandono, culpa e redenção. Se na obra original a criatura é violenta, aqui ela é retratada de forma mais empática, em uma mudança que impacta diretamente na narrativa e nos relacionamentos, como com Elizabeth (Mia Goth), a noiva do irmão mais novo de Victor. Ainda no elenco, vemos Heinrich Harlander (Christoph Waltz), um rico negociante de armas e patrono das artes que concorda em financiar os experimentos do Dr. Frankenstein. Em tempo: Mia Goth ainda é vista em cena com outra personagem, Claire Frankenstein, a falecida mãe do protagonista.

Tecnicamente grandioso, a caracterização do monstro também impressiona, principalmente por não trazer parafusos na cabeça e optar pelo realismo a partir da mistura de partes de corpos diferentes. Como sempre, sou suspeita para falar do magnífico Alexander Desplat. Sua trilha sonora é uma combinação de lirismo e emoção, transmitindo toda a beleza da tragédia criada por Mary Shelley.

Com 2 horas e meia de duração, a sensação que fica é que dava para encurtar a trama em, no mínimo, meia hora. É como se a paixão do cineasta pelo projeto o impedisse de cortar excessos desnecessários, que acabaram prejudicando o ritmo e tornando o filme cansativo em sua metade final.

Melancólico, o Frankenstein de Guillermo del Toro é belíssimo e, apesar de alguns deslizes, mergulha no universo do personagem pelo olhar de um dos grandes mestres do gênero.

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