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Brasil e mundo

“É nas crises que se ganha dinheiro”

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O filme mais humano e equilibrado sobre a ditadura no Brasil

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Dentre os filmes sobre o período da ditadura militar no Brasil, o de que gosto é O que é isso, companheiro?, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira. A obra concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998, mas não ganhou.

Dirigido por Bruno Barreto, ele conta o que se passou nos quatro dias do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, no Rio. O sequestro, realizado por guerrilheiros, ocorreu em 4 de setembro de 1969 e terminou com a libertação de Elbrick, a fuga dos sequestradores e a sua captura por agentes da repressão.

Barreto narra a história com equilíbrio, sem tomar parte ideológica, situando os envolvidos nas circunstâncias da época. Por isso gosto dele: por ser imparcial. Narra o que ocorreu, porém interpretando o que sentiram os personagens.

Abalxo alguns exemplos do tratamento dado pelo diretor.

Numa das cenas, o embaixador acha que será morto e, assustado, defeca. Envergonhado, conta o que ocorreu. O guerrilheiro de vigília o consola, depois o guia pelo braço até o banheiro, para que se lave. Sozinho na privada, Elbrick chora. Não é a encarnação do demônio americano. É apenas um homem.

Noutra cena, um dos torturadores do regime, um sujeito com a mulher grávida, tem problemas de consciência e, oprimido pela culpa, confessa à mulher o que vem fazendo nos porões da ditadura e o mal que isso lhe faz. Ele se sente perturbado por torturar. Mas, sendo funcionário de estado, e preocupado em manter o emprego e a família, prestes a crescer, ele tortura (e se tortura por torturar).

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Outro exemplo de humanidade: no revezamento da vigília de Elbrick no cativeiro, os sequestradores entravam no quarto com um capuz parecido com máscaras antigas de Carnaval, com dois furos para os olhos. Máscaras escuras, de carrascos. No filme, o personagem de Gabeira faz diferente.

Ele acha que Elbrick não merece reter a visão de um mascarado com o revólver pousado no regaço, sentado numa cadeira. Por isso, na sua vez de vigília, oferece ao embaixador uns óculos com o espaço das lentes coberto com uma proteção preta. Pousado o apetrecho, este faz do cativo literalmente um cego. E então Gabeira retira a sua máscara e conversa com Elbrick.

Gabeira vê Elbrick, que não pode ver o primeiro e identificá-lo, mas ao menos não é obrigado a olhar para um “monstro”. Esse tipo de elegância é talvez o máximo das possibilidades humanas, a coisa mais valiosa que se possa almejar entre as pessoas. Em situações de desvantagem alheia, tratar os outros com humanidade.

Elbrick acabou libertado em troca da soltura de outros guerrilheiros. Ele falou bem dos sequestradores e o governo americano o levou de volta aos Estados Unidos e o aposentou. Preso, tornurado e banido do país, Gabeira só voltaria ao Brasil nove anos depois, com a anistia. No retorno, foi deputado federal por três mandatos, cansou (concluiu que “não valia o esforço”) e voltou a ser jornalista.

Em seus comentários na Globo, é hoje um velhinho simpático, tranquilo, sem ter perdido o humor. Às vezes sua gata Renata atrapalha suas entradas ao vivo, caminhando em frente da câmera. Noutro dia, Renata o arranhou e ele a afastou com um safanão, um gesto instintivo de defesa.

Quando Gabeira ainda era deputado, a filha de Elbrick veio ao Brasil se encontrar com ele, querendo conhecer melhor seu pai. Saber quem ele foi nos dias de cativeiro. Amigavelmente, os dois conversaram.

Proibido pelo Departamento de Estado americano, Gabeira, embora tenha tentado, nunca pôde pisar nos Estados Unidos.

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Agência prevê risco elevado de inundações no RS

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, agência científica dos Estados Unidos, previu nesta semana a “alta probabilidade de retorno do Brasil do fenômeno El Niño, no segundo semestre deste ano. Após período de influência do La Niña, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico deve alterar novamente o padrão climático no Rio Grande do Sul.

Especialistas alertam para o risco elevado de novos episódios de cheias e inundações, especialmente na primavera (setembro a dezembro), historicamente um período chuvoso no RS.

O fenômeno também favorece a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média histórica em boa parte do Brasil, incluindo o RS.

As projeções atuais sugerem um fenômeno de intensidade moderada a forte, com chances de formação consolidada a partir do trimestre de junho-agosto. 

Embora o retorno do El Niño acenda um alerta devido à tragédia climática de 2024, meteorologistas ressaltam que a ocorrência do fenômeno não significa necessariamente a repetição de um desastre da mesma magnitude. O impacto real dependerá de fatores atmosféricos locais e da configuração específica do bloqueio de frentes frias sobre o estado.

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