‘A inversão da realidade’. Por Montserrat Martins

As famílias costumavam alertar “cuidado com as pessoas que você conhece na internet”, quando se popularizaram as redes sociais e sites de relacionamento, uma década atrás. Parecia muito estranho conhecer uma pessoa sem ser pessoalmente. Histórias sobre psicopatas de todos os tipos eram contadas, sobre os perigos da internet.

Ainda existem medos e histórias sendo contadas, mas nos últimos dez anos o mundo mudou completamente e hoje a internet é o principal meio de conhecimento entre as pessoas. A pandemia acelerou ainda mais esse processo e hoje, por ironia do destino, as pessoas têm medo é de se conhecer presencialmente.

Assim como nos relacionamentos, os negócios também migraram para a internet, ter uma loja física não é mais necessária para você fazer vendas, que agora são pelos sites. A Medicina, você sabe, já faz teleconsultas. A política não tem mais comícios e sim lives. A TV deixou de ser o principal entretenimento, que hoje são os perfis das “novas celebridades” como os youtubers e as pessoas com milhões de seguidores no instagram.

Com exceção dos jovens até 20 anos, que já se criaram nessa nova realidade, quem nasceu “no século passado” (antes de 2000) está vivendo uma “inversão da realidade”, onde todos os tipos de trabalho têm cada vez mais “home office” em comparação com as atividades presenciais. Até a vigilância é cada vez feita mais por câmeras do que por vigilantes presenciais.

Sim, existem os psicopatas da internet, mas eles não são diferentes dos que batem às portas de idosos dizendo que vieram aplicar a vacina em casa, para lhes roubar, não são diferentes do “golpe do bilhete” ou dos “descobridores de talentos” que aliciam jovens, ou de todos os golpistas que iludem as pessoas com facilidades presencialmente. A internet é apenas um meio de comunicação, ela não muda o caráter das pessoas, os psicopatas agem nela como em qualquer outro lugar.

Senso crítico é o principal instrumento de defesa contra golpes, seja na internet ou presencialmente. Deveria ser matéria de estudo nas escolas, como por exemplo o livro “Senso crítico: do dia a dia às ciências humanas”, de David w. Carraher (São Paulo, Pioneira, 1983). Senso crítico é exercer modos de raciocínio que deveríamos fazer na análise dos fatos cotidianos, o que nos alertaria tanto contra criminosos, quanto contra as fake News que também estão na moda. Nada indica que senso crítico vá entrar “na moda”, ele não dá lucro. Mas nada impede que você, para se defender, desenvolva o seu.

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