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Cultura

Elvis, o filme

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Com os sucessos recentes de Bohemian Rhapsody e Rocketman, Hollywood decidiu mergulhar de vez nas grandes lendas da música. Após Freddie Mercury e Elton John, chegou a vez de um dos maiores artistas de todos os tempos.

Com a direção de Baz Luhrmann, de Moulin Rouge e O Grande GatsbyElvis chega aos cinemas não como a cinebiografia definitiva do rei do rock e sim como a celebração de uma estrela. 

Acompanhamos a trajetória de Elvis Presley (Austin Butler) desde sua juventude, a ascensão à fama até sua morte precoce aos 42 anos, em 1977. Mas, principalmente, vemos o relacionamento do cantor com seu controlador empresário, Coronel Tom Parker (Tom Hanks).

A trama explora a dinâmica entre o cantor e seu empresário por mais de 20 anos de parceria, em que Parker gerenciou a carreira de Elvis com rédeas curtas e obsessão por controle. O empresário não permitia que o cantor se apresentasse fora dos Estados Unidos, além de ter sido autor de contratos absurdos em benefício próprio. No meio de sua jornada e carreira, Elvis encontrará Priscilla Presley (Olivia DeJonge), fonte de sua inspiração e uma das pessoas mais importantes de sua vida. 

O roteiro assinado por Baz Luhrmann ao lado de Craig Pearce, Sam Bromell e Jeremy Doner se desdobra para retratar a complexa trajetória artística e pessoal de Elvis, que tiveram dimensões tanto políticas quanto morais.

O filme aborda a vida e a música do protagonista, mas escolhe explorar o relacionamento entre Elvis e Parker. A narrativa tem o desafio de condensar mais de 20 anos em um pouco mais de duas e meia. Com isso, a história se desenrola de forma caótica, com momentos importantes passando em um piscar de olhos, como a importância de sua mãe, sua relação com Priscilla e o nascimento de Lisa Marie, seu trabalho como ator e a relação do artista com a comunidade negra são pincelados para dar lugar a longas sequências do período de residência em Las Vegas. O longa impressiona no visual, mas peca nos lapsos, com o tempo andando rápido demais. 

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Aliás, o respeito de Presley pelas raízes negras do rock é um deleite para os fãs do gênero. Vemos a cantora e guitarrista Sister Rosetta Tharpe, pioneira em técnicas de guitarra que viriam a definir o rock, em uma cena onde Elvis Presley visita o Club Handy, lendário local da Beale Street, em Memphis, no qual músicos pioneiros do rock se reuniam. Além disso, somos brindados com a presença de Little Richard, cantando e dançando ao som do hit “Tutti Frutti”, e a amizade de Elvis com B.B. King.

Narrado sob o ponto de vista do Coronel Tom Parker, o filme apresenta a ótica distorcida de quem conquistou a confiança do jovem cantor. Uma opção controversa, afinal, nunca vemos, de fato, quem foi Elvis Presley na intimidade. A atuação de Tom Hanks, sempre brilhante, é cínica e caricata, mostrando a eficiência do empresário que nunca foi Coronel e nem se chamava Tom Parker.  

Um ator mediano, e muitas vezes canastrão, Austin Butler tem méritos e é um bom Elvis Presley, em especial nos trejeitos no palco, onde sua atuação rouba a cena. O icônico personagem ganha uma performance sensível, sem deixar de lado o carisma e o magnetismo que o tornaram o rei do rock n’ roll.  

A paixão e a habilidade de Baz Luhrmann pelas cores e pelo extravagante é notória e, sem dúvidas, aqui o cineasta se sente completamente à vontade. Assim, as apresentações de Elvis Presley são o ponto alto da cinebiografia. Canções como “Suspicious Minds”, “Can’t Help Falling in Love”, entre outras, ganham uma energia contagiante. O diretor tira o máximo proveito dessa genialidade musical para criar cenários impactantes, que conseguem trazer toda a essência e o impacto que Elvis Presley causava no público. Destaque para a belíssima apresentação de “Unchained Melody”, reproduzida do último show de Elvis na Dakota do Sul, dias antes de sua morte.  

Elvis não está realmente interessado em Elvis Presley, o homem. Com seu ritmo inconfundível, Baz Luhrmann apresenta Elvis Presley, o mito, e o estilo que viria a dominar o planeta.  

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Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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Cultura

Theatro Sete de Abril reabrirá em 7 de julho

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Após quase vinte anos fechado por problemas de insegurança, o Theatro Sete de Abril voltará a abrir as portas. Será no dia 7 de julho, quando Pelotas completará 214 anos.

“Neste dia, estaremos devolvendo à Pelotas um pedaço importante da sua alma”, disse o prefeito Fernando Marroni.

De 4 a 12 de julho, haverá atividades esportivas (pedalada e corrida) e culturais, de 4 a 12 de julho. No diaa da reabertura do Theatro, Vitor Ramil e DJ Helô farão shows nele.

O Sete de Abril foi tombado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1972, e o Município assumiu a gestão em 1979.

O Theatro foi interditado pelo Ministério Público em janeiro de 2010, após denúncia anônima e vistoria que confirmou problemas na estrutura de sustentação do telhado, o que poderia causar danos à integridade das pessoas.

Foto de Volmer Perez, fornecida pela Assessoria de Comunicação da prefeitura.

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Cultura

Prefeitura diz que não tem dinheiro para restaurar Clube Comercial

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Acolhendo uma ação do MP, a Justiça gaúcha decidiu pela adoção de medidas urgentes que impeçam a deterioração, hoje avançada, do Clube Comercial de Pelotas. Quem vê o clube por dentro, apavora-se com a destruição. “É de chorar”.

A justiça alega que, além de deteriorado, o imóvel traz riscos à segurança dos transeuntes, expostos à queda de partes do prédio. A justiça deu prazo de até 15 dias para que a direção do clube tome providências, chegando a prever, se necessário, a intervenção na gestão do Clube, alegando sua incapacidade até aqui de encontrar uma solução.

A decisão dá ainda prazo de 180 dias à prefeitura para que apresente um plano de intervenção, com previsão de recursos para as obras de recuperação do imóvel. A prefeitura, porém, avisa que recorrerá da decisão, alegando que não tem dinheiro (R$ 36,5 milhões) para restaurar o clube.

Ainda que movida por um motivo nobre, a decisão de preservar um patrimônio histórico e cultural inestimável para a cidade, é difícil de ser acatada de imediato porque chega “atrasada”. O esfacelamento do prédio vem de longa data e, claro, piorou.

Imagem ilustrativa

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Cultura

A melancolia de ‘O diabo’

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O diabo veste Prada 2 me pareceu desnecessário. Se o primeiro filme é perfeito, fechado a vácuo, o segundo é selado com bolhas de ar. É um filme visto com saudade, mas que nos decepciona pela nostalgia de um momento impossível de reviver. Foi bom rever a turma?

Foi. Gostei de rever Stanley Tucci (Nigel), o simpático ator com cara de amendoim, e, claro, as atrizes. Porém, achei triste ver a destruição das lembranças do filme original, por conta inclusive do envelhecimento real das protagonistas, em especial o de Anne Hathaway (Andrea), assistente de Meryl Streep, a implacável Miranda. Cadê aquele frescor da Hathaway de 20 anos atrás? Ela simbolizava o desejo da moça antiga de ‘subir ao altar’.

O tempo passa pra todos, óbvio. Mas, em matéria de cinema, uma coisa é rodar uma sequência pouco tempo depois do primeiro filme, como ocorreu com O poderoso chefão II, com os atores com idades próximas das de quando atuaram no I. Outra é rodá-la 20 anos depois, com os atores bem mais velhos. Fica uma sensação desagradável de algo que estava intacto e se quebrou. Senti o mesmo quando vi o filme francês Um homem, uma mulher 20 anos depois: melancolia.

Quando O diabo 1 foi lançado, em 2006, a internet e as redes sociais não tinham o poder de hoje. Revistas impressas de moda, como Harper’s Bazaar e Vogue, ainda eram templos sagrados, mesclando em suas páginas fotografias e artigos sobre moda com ficção de alta qualidade — textos de Virgínia Woolf, F. Scott Fitzgerald, Tom Wolfe, Truman Capote e outros.

Já neste 2026, depois que há muito as redes começaram a abocanhar a maior parte das verbas publicitárias, as revistas impressas se viram sob ameaça não só como negócios, mas como símbolos da progressão cultural que transformava em arte vestimentas e acessórios. Tais revistas ainda existem, mas não mais com a autoridade personificada na figura da Miranda do primeiro filme, não mais com o glamour de antes.

É da erosão desse mundo que trata O diabo 2, ao denunciar a decadência dos altares estéticos a que se havia chegado pelo refino das experiências sensoriais — ruína esta causada pela ditadura do clique na internet, como diz o filme: a tirania da massa, sempre acrítica, sem identidade. O que antes era uma referência cultural sólida, fruto de cabeças cultas, deixou de ser. Perdeu-se na vulgaridade ignorante do clique digital, que, sobrepondo-se àquelas cabeças, passou a ditar as abordagens editoriais, com anuência dos donos do negócio. Em vez de fechar as portas, rebaixe-se a qualidade, em favor do senso comum.

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Mesmo que tente mascarar a situação difícil que vive, invocando sua garbosa presença, Miranda, obrigada a descer do altar para salvar sua posição, tornou-se uma mulher “comum”. Uma ex-rigorosa mulher tentando sobreviver em um ambiente que já não domina; um cenário em que a revista que dirige (Runway/Vogue) deixou de ser vista como o vértice do bom gosto na moda e na arte, o que é triste de ver para quem ama a exigência, o belo. Vem acontecendo por todo lado na vida real. “Terei apenas mais alguns anos”, Miranda diz para a Hathaway, dentro da limusine, sabendo que não durará no mercado.

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Cultura

Romance de Luiz Carlos Freitas é traduzido e publicado na Rússia

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O romance Voo cego em zona morta, do escritor e jornalista pelotense Luiz Carlos Freitas, foi traduzido e publicado na Rússia.

“Devido a circunstâncias políticas e às regras do governo russo quanto às plataformas de redes sociais (Facebook, Instagram etc) foi uma verdadeira cruzada do editor russo concluir a edição em tempo recorde”, conta Freitas.

A obra foi publicada mês passado no Brasil pela Editora Urutau (está à venda no site da Editora) e será lançada nacionalmente na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) em julho, e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro.

Ambientado em Pelotas, é um romance psicológico que retrata, segundo o autor, “a patética e trágica história da confissão de um homem moralmente corrompido”.

“Ao escancarar mágoas, frustrações e recalques, dando ênfase a defeitos e virtudes, o personagem encarna a maioria dos seres humanos em seu comportamento cotidiano, com seus vícios, hábitos e pecados. Sobretudo os ocultos.”

Freitas também assinou contrato com editora italiana para a tradução e publicação naquele país do romance autobiográfico Confissões de um cadáver adiado. O layout do livro estará pronto em setembro e o lançamento está marcado para dezembro, incialmente em Cesena (IT).

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Luiz

Obra de Luiz Carlos Freitas chega à Rússia

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Cultura

Apesar de dispensável, sequência O Diabo Veste Prada acerta na nostalgia

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Vinte anos após O Diabo Veste Prada, a continuação acompanha Andy Sachs (Anne Hathaway), que construiu uma carreira sólida e respeitada no jornalismo investigativo depois de deixar para trás os corredores implacáveis da revista Runway. Miranda Prestly (Meryl Streep), por sua vez, enfrenta um momento de mudanças na moda e no declínio da publicação tradicional de revistas.

Pressionada por investidores, anunciantes e um novo conselho administrativo, ela precisa provar que ainda é capaz de ditar tendências. Enquanto isso, Emily (Emily Blunt) é agora uma influente executiva na grife Dior.

Novamente sob a direção de David Frankel e com o roteiro de Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger, autora do livro original, O Diabo Veste Prada 2 resgata o carismático elenco do primeiro filme em uma trama que equilibra nostalgia e uma crítica afiada à desumanização corporativa dos dias atuais.

De forma esperta, a trama explora o mercado de trabalho jornalístico, artístico e publicitário, que passaram por mudanças nas últimas décadas. Em 2026, Andy representa um mercado jornalístico sucateado, tomado por demissões em massa e cortes de gastos, ao mesmo tempo em que lida com a transição para o digital.

Apesar de ser uma sequência dispensável, O Diabo Veste Prada 2 é um filme ciente do momento em que chega aos cinemas duas décadas depois do clássico que entregou mais um personagem icônico para Meryl Streep, colocou Anne Hathaway no patamar de estrela de cinema e apresentou Emily Blunt, que estava em um dos seus primeiros grandes papéis na telona.

Não posso esquecer de Stanley Tucci, que retorna como Nigel, o mentor de estilo e fiel braço direto de Miranda Prestly. Nigel é, sem dúvidas, o melhor personagem da franquia.

Entretanto, os novos personagens pouco têm a dizer e agregar à narrativa, embora tenham papel fundamental no desenrolar dos conflitos da história. São os casos de Lucy Liu, no papel de uma magnata reclusa, Kenneth Branagh, como o marido de Miranda, Justin Theroux, no papel do excêntrico milionário Benji Barnes, Patrick Brammall como o desnecessário interesse amoroso de Andy e Simone Ashley, como a estilosa e confiante Amari, a nova assistente de Miranda.

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Mantendo a ambientação sofisticada, em locações como Nova York, Milão e o Lago de Como, na Itália, O Diabo Veste Prada 2 acerta ao reunir o elenco original, equilibrando nostalgia com um olhar crítico sobre a era digital, a crise do jornalismo impresso e a inteligência artificial na moda.

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Cultura

Cinebiografia de Michael Jackson é eficiente, mas frustrante

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Cinebiografia sobre o “Rei do Pop”, Michael acompanha a infância de Michael Jackson (Juliano Valdi) começando sua carreira ao lado dos irmãos no Jackson 5, nos anos 1960, passando pelos primeiros passos na carreira solo (Jaafar Jackson), com o sucesso dos álbuns “Off the Wall” (1979) e “Thriller” (1982), até o auge da sua carreira na turnê do disco “Bad” (1988).

Dirigido pelo experiente Antoine Fuqua e roteirizado pelo três vezes indicado ao Oscar John Logan, Michael é claramente um filme feito para os fãs. O grande acerto da trama é tornar parte central da narrativa os conflitos entre Michael e seu pai Joe Jackson (Colman Domingo), colocado como o grande vilão da história. Existe um destaque necessário para a intimidade do cantor fora dos palcos, com esses ciclos de abusos físicos e psicológicos causados pelo pai, enquanto o protagonista cresce cheio de traumas (o filme explora sua identificação com Peter Pan), obcecado por perfeição e em busca de liberdade para fazer suas próprias escolhas.

É uma construção de um mito eficiente, mas também muito problemática. Isso fica ainda mais evidente considerando que as acusações de abuso infantil contra o cantor estariam no filme, mas ficaram de fora por problemas legais e, consequentemente, todo final foi alterado, com a produção passando por refilmagens. Diante de uma figura tão emblemática, havia conflitos familiares e fragilidades pessoais suficientes para um retrato mais aprofundado. Neste caso, a presença dos irmãos, fundamentais na sua formação artística e emocional, passam pelo longa sem qualquer desenvolvimento (Janet Jackson não autorizou sua participação e sequer é mencionada), assim como o produtor Quincy Jones, fundamental para a sua carreira.

Ao priorizar a cronologia e a reconstrução de momentos icônicos, a edição erra ao funcionar apenas como um mero registro dos feitos do artista dentro do recorte temporal escolhido. Com isso, a trama apresenta muitos pulos na narrativa, sem nenhum contexto. Questões mais pessoais ao artista, como sua obsessão estética e o caso de vitiligo, também são mencionados, mas nunca trabalhados. É uma cinebiografia que dedica pouquíssimo tempo a realmente mostrar a vida do protagonista.

Sem dúvidas, o maior destaque do filme são as atuações e as caracterizações de Juliano Valdi, Jaafar Jackson e Colman Domingo. O talentoso e intenso Juliano está ótimo interpretando a infância nos Jackson 5, e Jaafar, sobrinho de Michael Jackson, vive a sua fase adulta com perfeição e muita naturalidade, nunca parecendo que se trata de uma imitação. Ele passou por uma preparação extrema nos bastidores, nos fazendo realmente acreditar que se trata de Michael Jackson ao reproduzir de maneira impressionante seus trejeitos, coreografias e voz. Jaafar Jackson prova que foi a escolha perfeita para interpretar Michael Jackson no cinema. Duas vezes indicado os Oscar, o sempre excelente Colman Domingo impõe naturalmente uma presença dominante em cena como Joe Jackson, conseguindo passar toda ameaça com suas atitudes controladoras apenas pelo olhar. Enquanto isso, os outros personagens coadjuvantes servem mais como suporte para Michael, como sua mãe Katherine Jackson (Nia Long), seu empresário John Branca (Miles Teller), seu segurança Bill Bray (KeiLyn Durrel Jones) e o produtor Quincy Jones (Kendrick Sampson).

As sequências musicais foram perfeitamente recriadas pelo filme, funcionando especialmente para um público mais saudosista. Ouvir as grandes músicas de sua carreira no cinema é uma experiência por si só, e assistir as recriações de apresentações e videoclipes, como “Billie Jean” no aniversário de 25 anos da Motown em 1983, o último show do Jackson 5 na “Victory Tour” em 1984, a união de gangues rivais para o clipe de “Beat It” e o icônico “Thriller”, filmado no mesmo cemitério e com Jaafar Jackson usando a mesma jaqueta que Michael Jackson usou, é simplesmente de arrepiar. São esses momentos que vão conquistar o público. Certamente me conquistaram

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Um espetáculo frustrante, Michael entrega fortes atuações e momentos nostálgicos que vão empolgar e emocionar os fãs, mergulhando em apresentações cheias de energia e a recriação de momentos icônicos da sua carreira.

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Cultura

O ousado e desconfortável ‘Drama’

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Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya) estão prestes a se casar. Porém, em uma conversa descontraída com o casal de padrinhos Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), uma terrível revelação sobre o passado de Emma vem à tona. O chocante segredo fará Charlie questionar o quanto ele realmente conhece a pessoa com quem vai se casar.

O Drama é o tipo de filme que, quanto menos souber, melhor. Ao apresentar a história do casal partindo do primeiro encontro, o segredo revelado na trama afeta profundamente a semana do casamento e a percepção que Charlie tem de Emma. A narrativa aposta no quanto a desconfiança e a quebra de expectativa podem causar uma fragilidade e uma ruptura nos relacionamentos, questionando se as pessoas podem ser definidas por seus piores momentos.

Com direção e roteiro de Kristoffer Borgli, o filme foge dos clichês dos romances tradicionais, transitando com naturalidade entre a comédia e o drama, explorando humor ácido ao abordar um tema bastante sensível, principalmente para a sociedade americana.

O grande destaque é, sem dúvidas, a química entre Zendaya e Robert Pattinson, transmitindo perfeitamente a tensão de um relacionamento que desmorona. A dupla está acompanhada de um bom grupo de coadjuvantes, liderado por Alana Haim e Mamoudou Athie, que vivem os melhores amigos e padrinhos do casal, fundamentais para o desenrolar da narrativa.

Ousado, surpreendente e, muitas vezes, desconfortável, O Drama tem uma dupla de protagonistas excelentes, uma reviravolta intensa e, claro, muito drama.

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Brasil e mundo

Promotoria de Justiça abre inquérito para apurar tratamento desumano no BBB

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O Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamentos desumanos ou degradantes no programa Big Brother Brasil 26. A decisão, assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, fundamenta-se em representações que apontam riscos à integridade física e psicológica dos participantes da atual edição do reality show.

O procedimento teve origem após relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência. O representante da denúncia alega que as condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários, citando exemplos de edições anteriores e casos recentes, como o do participante Breno, que ficou “exilado”, em uma área externa da casa. Segundo o documento, submeter indivíduos a situações perigosas para gerar entretenimento pode representar uma afronta direta à dignidade humana.

Um dos pontos centrais da investigação é a dinâmica do “Quarto Branco”. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enviou uma “Carta Aberta” ao MPF manifestando indignação com o quadro, afirmando que a metodologia utilizada guarda semelhança com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira.

De acordo com o documento da CEMDP, uma participante chegou a desmaiar em janeiro de 2026, após permanecer mais de 100 horas em reclusão. O relato detalha que ela teria sido obrigada a ficar de pé em um pedestal de diâmetro ínfimo, técnica descrita como similar às utilizadas em regimes ditatoriais latino-americanos para infligir sofrimento.

Em sua fundamentação, o procurador da República destaca que a liberdade de produção das emissoras de TV não constitui um “salvo-conduto” para violar direitos fundamentais. Como concessionárias de serviço público, as emissoras devem respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme estabelecido no artigo 221 da Constituição Federal.

O MPF ressalta que a vedação à tortura e ao tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto que deve ser zelado por todas as esferas de governo. Para o órgão, a normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária.

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Em resposta prévia constante nos autos, a TV Globo alegou que oferece acompanhamento médico permanente, com suporte de UTI móvel e protocolos de encaminhamento hospitalar. Sobre Henri Castelli, a emissora afirmou que o participante recebeu o atendimento necessário e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.

Como diligência inicial do inquérito, o MPF solicitou que a TV Globo preste informações detalhadas sobre os questionamentos levantados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos. 

Foto divulgação da Globo

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Cultura

Devoradores de estrelas. Por Déborah Schmidt

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Devoradores de Estrelas acompanha a jornada do professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling). Um dia, ele acorda sozinho em uma nave a anos-luz da Terra, sem qualquer lembrança de como foi parar ali. Aos poucos, as lembranças retornam e ele relembra que foi recrutado por uma organização mundial para integrar o “Projeto Fim do Mundo”, uma missão enviada para descobrir por que o Sol está morrendo. A partir daí, o personagem precisa usar seus conhecimentos científicos para evitar a extinção da humanidade até encontrar uma amizade inesperada em um alienígena misterioso que viajou anos-luz para salvar sua própria espécie do mesmo destino.

Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, conhecidos por animações como Tá Chovendo Hambúrguer (2009) e Uma Aventura Lego (2014), além da produção dos aclamados Homem-Aranha: No Aranhaverso (2018) e Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023), Devoradores de Estrelas mostra a maturidade da dupla em um projeto que aposta na emoção e no espetáculo visual.

Baseado no romance homônimo de Andy Weir, o roteiro de Drew Goddard, indicado ao Oscar por Perdido em Marte (2015), encontra um equilíbrio interessante entre o didatismo da ciência e o entretenimento. A montagem alterna sequências no passado e no presente, usando flashbacks para contextualizar a missão e revelar as decisões que levaram o protagonista até ali. São nessas passagens que conhecemos Eva Stratt (Sandra Hüller), líder do Projeto e disposta a sacrificar o que for necessário para garantir a sobrevivência da Terra.

A produção não é mais um filme cientifico sobre salvar o planeta, mas sim uma história que encontra sua força na construção de uma amizade inusitada e profundamente humana. O grande diferencial da narrativa está em Rocky, um extraterrestre feito de pedra que, mesmo sem uma linguagem convencional, desenvolve uma comunicação única com Ryland, auxiliada por um sistema criado pelo protagonista, algo parecido com o de Stephen Hawking e que ganha uma opção com a voz de ninguém menos que Meryl Streep. A relação entre Grace e Rocky é o coração do filme, em uma amizade construída aos poucos, que permite explorar temas como empatia e altruísmo.

Com carisma e um ótimo timing cômico, o filme prova, mais uma vez, que Ryan Gosling é capaz de sustentar uma superprodução praticamente sozinho. A capacidade do ator em transmitir vulnerabilidade e humanidade é um dos grandes destaques de sua atuação e sua quarta indicação ao Oscar está quase garantida. Mesmo com pouco tempo em cena, a brilhante atriz alemã Sandra Hüller rouba a cena, em especial com um karaokê memorável ao som de “Sign of the Times”, de Harry Styles.

O filme aposta em movimentos de câmera que reforçam a sensação de desorientação e solidão no espaço. A fotografia de Greig Fraser é, literalmente, um espetáculo, com uma cinematografia que prioriza cenários reais e efeitos práticos sempre que possível, em sua maioria sem o uso de efeitos especiais, construindo fisicamente a nave e usando marionetes avançadas para o alienígena Rocky. A épica e excelente trilha sonora de Daniel Pemberton utiliza toques de melancolia, com um belíssimo final ao som de “Two of Us”, dos Beatles.

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Devoradores de Estrelas é uma ficção científica que abraça sentimentos universais como solidão e esperança em uma experiência cinematográfica deslumbrante. Sem dúvidas, o grande filme do ano até agora. E que será lembrado durante todo o ano.

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Brasil e mundo

A mistura de “arte” e poder

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Arte e política renderam um livro clássico. Publicado em 1936, e baseado em um caso real, o romance Mephisto, do alemão Klaus Mann, conta a história de um ator que adere ao Nazismo.

Determinado a ascender na carreira, ele abandona seus princípios morais e sua integridade como artista.

Muitos artistas recebem dinheiro de governos para realizar obras que agradam ao poder, em troca de benefícios semelhantes aos do personagem central de Mephisto. Mesmo que tenhamos afeição por eles, é aceitável que o façam?

Creio que a resposta seja óbvia. Não é aceitável. Por uma razão simples. Um artista que troca favores com um governo radicalmente ideologizado perde algo mais do que sua alma. Perde o respeito pelo público.

Como é subsidiado pelo poder, já não se importa nem mesmo com a qualidade do aplauso, porque está pago de antemão. Tendo ou não valor artístico, fracassando ou não na bilheteria, não importará.

Nós temos essa ideia romântica de que artistas são pessoas do “bem”. São e não são. Porque no fim, como todos, também eles precisam pagar as contas.

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O problema é quando quem paga a conta é o governo. Quando isso ocorre, a tendência é de que haja cooptação política do artista. Daí em diante suas obras continuarão a ser financiadas pelo Estado, mesmo que não agradem o público, como confessa a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata de Almeida Magalhães (vídeo abaixo).

Agora relembro um caso que ocorreu a um artista do nosso tempo quando se “engajou”.

A comparação não é perfeita, já que ele se fez à custa do próprio talento. Mas serve como exemplo do equívoco do engajamento político, por uma razão que resume tudo: o engajamento empobrece o artista, por aquém da realidade, sempre mais complexa do que aquele pretende, levando a entendimentos falsos que podem se tornar frustrantes aos seguidores e até perigosos aos artistas.

Numa cena de documentário sobre John Lennon, o músico e Yoko Ono, de pijamas na cama de um quarto de hotel no Canadá, recebem artistas e simpatizantes para “um protesto pacífico e cantante em favor da paz no mundo”. Estava megalomaníaco.

Como os discos dos Beatles e dele próprio vendiam como coca-cola, nessa altura rico, além de casado com uma filha de banqueiro de Tóquio, podia bancar seus luxos e caprichos.

Entre outros visitantes, apareceu lá um cartunista: Al Capp, um homem mais velho, de uns 50 anos. Homem vivido, sem ilusões, com os pés plantados na realidade.

Capp questionou o ato político do casal, perguntando o que Lennon podia fazer pela paz mundial sentado numa cama. Lennon não gostou. Bateram boca.

Capp disse a Lennon que ele não lhe “fazia a cabeça”, que os artistas que admirava eram outros, e foi saindo, enquanto Lennon reclamava: “ele não deveria estar aqui”, e, debochando, cantarolava de improviso algo com o nome de Capp para desmerecê-lo.

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O cartunista reagiu: “Não deveria estar aqui, por quê? Você convidou a todos para vir. Sou seu convidado”.

A recusa do cartunista a embarcar na canoa de Lennon, como todas as recusas, me fez pensar. Mesmo que me desagrade, sempre penso que em toda recusa há algo que merece atenção. E havia.

Anos depois Lennon cantou “the dream is over”. Ao menos foi sincero. Enfim aceitara o que, sendo sensível como era, no fundo sempre soube, apenas não admitia. Que a paz é uma quimera.

Então um fã o esperou em frente de casa e o matou.

Foto devulgação/ Klaus Maria Brandauer fez o papel do ator que adere ao Nazismo na versão cinematográfica de Mephisto.

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