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Cultura

“A Odisseia é um espetáculo cinematográfico como raras vezes vi”

Ao adaptar uma das maiores histórias de todos os tempos para o cinema, Christopher Nolan encontra equilíbrio entre o respeito à obra original e sua identidade como realizador

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O diretor Christopher Nolan adapta uma das histórias mais antigas da literatura ocidental, o poema épico da Grécia Antiga A Odisseia, de Homero. A trama acompanha Odisseu (Matt Damon), rei de Ítaca, em sua longa e perigosa jornada de volta para casa após o fim da Guerra de Troia. Ao longo de dez anos, o herói enfrenta criaturas mitológicas, deuses e inúmeros desafios enquanto tenta reencontrar sua esposa, Penélope (Anne Hathaway) e seu filho, Telêmaco (Tom Holland).

Filmado inteiramente com câmeras de película IMAX de 70mm, Nolan aposta na grandiosidade e no impacto visual e sonoro de A Odisseia. Além disso, a produção evitou o uso de computação gráfica e usou efeitos práticos, com bonecos gigantes, robôs animatrônicos, truques de perspectiva e locações reais distribuídas em seis países. Ou seja, o longa é, literalmente, impressionante.

Ainda que Odisseu enfrente a força da natureza e de criaturas mitológicas, é no fator humano que está o seu grande conflito. Os anos longe de casa tornaram o herói perdido, confuso em seus propósitos e sem saber como voltar para casa não só física, mas também mentalmente. Como de costume em sua filmografia, Christopher Nolan utiliza uma linha do tempo que viaja entre o presente e o passado a fim de amarrar uma narrativa não-linear. A montagem de Jennifer Lame, parceira do diretor desde Tenet (2020) e vencedora do Oscar por Oppenheimer (2023), aposta nas lembranças fragmentadas do protagonista.

Com quase 3 horas de duração, o aspecto mais interessante da adaptação está na forma como ela retrata a Guerra de Troia. Em vez de funcionar apenas como um ponto de partida da narrativa, o conflito permanece presente durante toda a jornada por meio das lembranças de Odisseu. É como se, para Odisseu, o conflito nunca terminou de fato. É uma reflexão poderosa, onde a trama utiliza Troia como uma ruptura definitiva na vida de seu protagonista, que regressa carregando cicatrizes invisíveis, assombrado pelas perdas e pelas decisões tomadas durante a guerra.

O elenco é, sem dúvidas, um dos grandes triunfos da produção. Cercado por algumas das maiores estrelas do cinema atual e vencedores do Oscar, onde cada ator compreende a dimensão de seu papel, sem abrir mão da emoção. Matt Damon faz um sólido trabalho como o protagonista, em dos melhores trabalhos de sua carreira e que deve garantir sua quarta indicação ao Oscar como ator, expressando toda a complexa gama de sentimentos de Odisseu.

Em uma potente performance, Anne Hathaway lida com a solidão de Penélope e o conflito de se manter fiel e esperançosa ou seguir em frente. Tom Holland e Robert Pattinson ganham destaque explorando os embates entre Telêmaco e Antínoo, com Pattinson em mais uma ótima atuação como o ambicioso e perigoso antagonista. Entre as melhores atuações do filme, destaco John Leguizamo, no retrato de resiliência e fé de Eumeu, o fiel criador de porcos de Odisseu e, especialmente, Samantha Morton, que dá vida à poderosa feiticeira Circe. Em uma marcante sequência, a atriz interpreta a feiticeira sem recorrer a trejeitos exagerados ou grandes demonstrações de poder.

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Não é surpresa nenhuma que A Odisseia é tecnicamente perfeito. A sensação que temos não é de apenas assistir à jornada de Odisseu, mas sim de embarcar nela junto com ele. A fotografia fria e melancólica assinada por Hoyte van Hoytema, colaborador de longa data de Nolan, torna-se ainda mais espetacular ao alcançar o feito inédito de gravar o longa-metragem inteiramente em câmeras IMAX, superando desafios como o peso e o barulho dos equipamentos, a curta autonomia de cada rolo de película e a logística de transporte. A imponente e poética trilha sonora de Ludwig Göransson, rumo ao seu quarto Oscar, evitou o uso de uma orquestra clássica. A equipe estudou a sonoridade da época e usou instrumentos reconstruídos da Grécia Antiga.

Ao adaptar uma das maiores histórias de todos os tempos para o cinema, Christopher Nolan encontra equilíbrio entre o respeito à obra original e sua identidade como realizador. A Odisseia é um espetáculo cinematográfico como raras vezes vi, e recomendo que assistam na maior tela possível. Mas, assistam!

Déborah Schmidt é servidora pública formada em Administração/UFPel, amante da sétima arte e da boa música.

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Cultura

O homem dos cortes

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CRÔNICA

Mantenho na estante um livro único entre outros.

Foi escrito por um homem que trabalhou boa parte da vida no mundo do boxe, fez das atividades nesse universo seu ganha-pão.

Menino, ouvia pelo rádio com o pai as transmissões de lutas em ginásios e cassinos. O Madison Square Garden era para ele o Olimpo. Numa noite entrou no Madison com o pai, viu ao vivo os contendores trocando golpes e se fascinou pela atmosfera.

Já passado dos 40 anos de idade, Jerry Boyd entrou na arena do boxe como lutador. Pela sua idade, a carreira de boxeador não foi longe. Porém, magnetizado, não conseguiu se afastar.

Tornou-se assim o “homem dos cortes”, o sujeito que fica no corner e, entre os rounds, sobe ao ringue com a missão de estancar o sangue de outros lutadores. Era um “branquelo” em meio a uma maioria de negros. Um branquelo de barba branca.

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Nas horas vagas, Jerry escrevia contos. Sempre histórias do mundo do boxe. Relatos criados com base nas cargas emocionais de boxeadores e de outras pessoas desse meio esportivo. Também dava massagens em lutadores.

Jerry tentou ter seus contos publicados em livro, mas eles eram recusados. Perto dos 70 anos, ele se contentara em estancar sangue e a ser lido em revistas, quando encaixava uma história. Uma dessas revistas caiu nas mãos de um agente literário.

O homem procurou Jerry, pediu mais contos, convenceu-se de seu valor literário, buscou um editor e conseguiu fechar um contrato de publicação para seu autor.

Finalmente o homem dos cortes viu seu primeiro livro impresso. Chamou-se Million Dollar Baby.

Pouco depois, Clint Eastwood comprou os direitos autorais da obra e rodou um filme baseado no conto-título do livro. E, simplesmente, no Oscar de 2005, o trabalho venceu os prêmios de melhor filme, direção, atriz principal e ator coadjuvante. No Brasil, o trabalho recebeu o título de Menina de Ouro.

É uma história pesada a do filme. A personagem central, uma boxeadora jovem, luta para se impor sobre a miséria emocional. No subúrbio, a família a desprezava, ria de suas ambições, sempre a desmerecê-la e pôr para baixo. Eastwood faz o treinador, um substituto paterno para a menina de ouro.

Durante as filmagens, Jerry tinha duas preocupações: impedir que os produtores modificassem o final trágico de sua história e receber o pagamento dos direitos autorais. Estava velho.

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O destino, porém, pregou-lhe uma peça.

Ele morreu pouco depois das filmagens, perdendo de saborear o dinheiro pelos direitos de uso da obra e o estrondoso sucesso do filme. Poderia ter estado na cerimônia do Oscar, ser aplaudido e reconhecido mundialmente. Mas não foi assim.

1, 2, 3, 4, 5, 6…

Jerry se levantou no último segundo da contagem, meio grogue, e o juiz decidiu que era tarde.

Conservo esse livro como a uma relíquia.

O homem dos cortes, quem diria, era um escritor. Dos bons. Escrevendo, era um lutador nos intervalos dos assaltos: sentado em seu banquinho no corner, buscando forças no ar.

Este texto está no meu livro Onde tudo isso vai parar (foto abaixo), um dos três finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura de 2025. Disponível na Livraria Mundial.

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Cultura

Farmando aura

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária

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Ainda não entendi totalmente o que seja farmar aura. Sei é que deve ser grave, pois vem arrepiando os cabelos até de senhoras que os prendem com laquê.

Com ares de professora aposentada, uma delas foi ao Instagram protestar contra a nova onda adolescente.

“Sinto vergonha alheia, VER-GO-NHA! Onde estão os pais? Que será do futuro dos nossos jovens?”

Enquanto falava, ela sacudia verticalmente a cabeça com tal veemência que seu topete armado subia e descia repetidamente. “Mas onde é que estamos?”

Até aqui o entendimento pleno do fenômeno de farmar aura é precipitado. Será preciso esperar um pouco mais.

Pelo que li ontem, seria um modo de adquirir reputação por meio de movimentos corporais repetitivos, alguns mais, outros menos criativos.

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Já hoje vi que tais movimentos não precisam ser convulsionados. Embora repetidos, podem incluir passos de capoeira, saltos ornamentais. Cada adolescente encontra sua própria forma de farmar sua aura. De firmar seu carisma.

Cada geração cria uma moda nova.

Nunca se sabe exatamente quando ela surge. Pode a pessoa que a criou nem se dar conta de que o fez. De repente alguém vê, percebe naquilo uma conexão emocional e a coisa explode.

Há mais ou menos um ano, muito antes da atual onda de farmar aura, vi nas redes um vídeo de um garoto oriental que pode, por que não, ter sido um estopim do farmar aura. Um sinal do que estava por vir. Em tempos virais, vai-se saber.

No que me pareceu uma rave, o garoto faz repetitivos e graciosos movimentos diante de uma garota mais alta e pouco mais velha do que ele. Está interessado nela, mas a garota se conserva imóvel, indiferente a ele. Mesmo assim o garoto prossegue em seus movimentos, seguro de impressionar. Do mesmo modo, agora, em geral são meninos que se movem para farmar aura.

Pois farmar aura pode ser, inclusive, isso: um tipo de dança, comum na natureza, em que o macho demonstra habilidades para seduzir a fêmea, como faz o pavão com suas trêmulas penas; agora, porém, com o sentido mais amplo de mostrar simbolicamente ao mundo — um mundo em que as oportunidades parecem raras para a maioria dos jovens — que eles “são alguém”. Que merecem atenção.

Parece uma manifestação sem sentido, mas, no que é humano, por mais absurdo que soe, sentido sempre há. E não se restringe a uma faixa etária.

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Se olharmos em volta, há gente de todas as idades farmando aura. Saltando de um pé pro outro, o candidato Flávio Bolsonaro, com sua dancinha nos comícios, farma aura.

De chapéu Panamá, andando de um lado pro outro e fazendo uso do automático discurso do “nós contra eles”, Lula insiste em farmar aura. Está meio cansativo, mas ele insiste. Trump, este é professor de farmar aura, e não só pela dancinha.

Até a professora citada, com sua indignação, farma aura, como atesta, subindo e descendo nervoso, seu duro topete repintado de louro.

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Cultura

Um convite para pensar o amor, o desejo e o companheirismo

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Em O Convite, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) são um casal que se vê preso à rotina do casamento. De última hora, Angela convida o casal Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), seus misteriosos vizinhos, para um jantar em seu apartamento. No entanto, o que começa como uma simples reunião entre amigos rapidamente toma rumos inesperados, e revela desejos reprimidos, segredos e novas perspectivas sobre o casamento.

Além de ser uma das protagonistas, Olivia Wilde também dirige o longa, o terceiro de sua filmografia. Embora tenha construído sua trajetória como atriz há mais de vinte anos, ela vem se consolidando como cineasta, onde procura dar vida a projetos que misturam humor, drama e análise das relações humanas. Sua carreira na direção iniciou com a divertida comédia adolescente Fora de Série (2019) e depois com o suspense psicológico Não Se Preocupe, Querida (2022).

Adaptação do filme espanhol As Pessoas do Andar de Cima (2020), de Cesc Gay, que, por sua vez, é baseada em uma peça de teatro, o roteiro assinado por Rashida Jones e Will McCormack faz uma análise bem-humorada das tensões que se acumulam no cotidiano de um casamento, abordando temas como falta de comunicação, intimidade e sexualidade. A narrativa transforma um simples jantar entre casais em uma aula de tensão e constrangimento hilário, onde os diálogos rápidos e sinceros expõem o desgaste dos relacionamentos.

Com um quarteto de atores simplesmente fantástico, temos Seth Rogen cada vez melhor como ator, entregando uma de suas melhores atuações com o inseguro Joe. Olivia Wilde vive a ansiosa Angela, em uma personagem vivida pela atriz e diretora com a intenção de homenagear Diane Keaton (o filme é dedicado a ela, que faleceu no ano passado, em uma mensagem antes dos créditos finais). Enquanto isso, Penélope Cruz e Edward Norton são responsáveis por reconfigurar totalmente a energia do filme. Os dois entram em cena como um casal seguro de si, com Penélope Cruz roubando a cena como uma mulher sedutora, inteligente e carismática, e Edward Norton como um personagem que não demonstra suas verdadeiras intenções

Delicado, caótico e divertido ao falar sobre relacionamentos, O Convite transforma um simples jantar (pelo menos, o convite para ele) em uma reflexão honesta sobre amor, desejo e companheirismo.

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Brasil e mundo

Morre Sam Neill, o paleontólogo de Jurassic Park

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Morreu Sam Neill, ator que viveu nas telas o paleontólogo Dr. Alan Grant na série Jurassic Park. Tinha 78 anos. Estava com câncer.

A família postou que “a morte foi repentina”.

O neozelandês morreu em Sydney, na Austrália.

Em mais de 50 anos de carreira, atuou em cerca de 150 produções.

O ator deixa quatro filhos e netos

Foto: divulgação Universal estúdios

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Cultura

Festival Internacional Sesc de Música abre inscrições para alunos nesta quarta, 8

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Cello resting on stand with bow across strings and sheet music on stand in concert hall

Um dos maiores festivais de música de concerto da América Latina, o Festival Internacional Sesc de Música abre nesta quarta-feira, 08 de julho, as inscrições para alunos interessados em participar de sua 15ª edição, que acontece em janeiro de 2027, em Pelotas.

O eixo pedagógico do evento oferece cursos de especialização em instrumentos, canto lírico, composição e choro, além de práticas de orquestra, banda sinfônica e música de câmara. As aulas serão ministradas por um quadro de mais de 50 professores brasileiros e estrangeiros, músicos de reconhecida atuação internacional.

Voltadas a maiores de 14 anos, com nível avançado de formação musical, as inscrições seguem até dia 06 de agosto, exclusivamente pelo site www.sesc-rs.com.br/festival, onde também está disponível o regulamento completo. Estão disponíveis bolsas parciais e integrais para a participação.

Além do eixo pedagógico, o Festival Internacional Sesc de Música promove uma ampla programação cultural gratuita, com concertos, recitais e apresentações de grupos convidados em teatros, igrejas, praças, espaços públicos e outros locais de Pelotas. Em sua última edição, o evento reuniu mais de 45 mil espectadores. O evento é realizado pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc, e conta com apoio institucional da Prefeitura de Pelotas e cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Faculdade Senac, OSPA, Unisinos e Expresso Embaixador.

Sobre o Sesc/RS – Prestes a completar 80 anos de atuação no Rio Grande do Sul, a Instituição pertencente ao Sistema Fecomércio-RS realiza ações em 54 Unidades no Estado, promovendo o bem-estar social de trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e de toda a comunidade. O propósito do Sesc/RS é cuidar, emocionar e fazer pessoas felizes, e todas as 497 cidades gaúchas recebem atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação. Saiba mais em www.sesc-rs.com.br

Inscrições ao 15º Festival Internacional Sesc de Música – Sesc/RS

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Cursos oferecidos: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, harpa flauta, oboé (Corne-inglês), clarinete, fagote, trompa, trompete, trombone tenor, trombone baixo, tuba, saxofone, eufônio, percussão, canto lírico, piano, composição e choro (violão, sopros, acordeon, bandolim, percussão e cavaquinho), além de práticas de música de câmara, orquestra e banda sinfônica

Período de Inscrições do Festival: 08/07 a 06/08/2026, no site www.sesc-rs.com.br/festival 

Divulgação dos Selecionados e Matrícula 1ª Chamada: 09/09 a 24/09/2026   

Divulgação dos Selecionados e Matrícula 2ª Chamada: 04/10 a 15/10/2026

Data do Evento: 18/01 a 29/01/2027

Local: Pelotas – RS

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Cultura

DIA D, novo filme de Spielberg, emociona quando ‘mergulha no drama humano’

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Retornando a uma temática que rendeu filmes como Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), E.T.: O Extraterrestre (1982) e Guerra dos Mundos (2005), o diretor Steven Spielberg retoma a parceria com o roteirista David Koepp, de Jurassic Park: Parque dos Dinossauros (1993), em uma trama de ficção científica e fantasia épica.

Ao longo de quase duas horas e meia, Dia D apresenta um especialista em segurança cibernética, Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor), que junto com colegas liderados pelo idealista Hugo Wakefield (Colman Domingo), roubou arquivos confidenciais do governo dos Estados Unidos para torná-los públicos, e uma meteorologista da TV, Margaret Fairchild (Emily Blunt), que descobrem uma conspiração do governo para encobrir evidências sobre a vida alienígena e seu contato com a humanidade. Eles partem em uma missão perigosa contra o líder corporativo Noah Scanlon (Colin Firth) para finalmente revelar as provas e a verdade para bilhões de pessoas.

Especialista em blockbusters, poucos diretores entendem a indústria cinematográfica de Hollywood como Steven Spielberg. Ao longo de sua inigualável carreira, uma das temáticas que mais lhe fascina é a do contato extraterrestre, entregando produções que se tornaram clássicos do cinema, mas também ajudando a moldar o imaginário sobre os alienígenas na cultura pop. Sua visão otimista retrata os alienígenas como pacíficos e não ameaças invasoras, com exceção de Guerra dos Mundos, onde reimaginou a clássica invasão alienígena do livro de H.G. Wells. Aqui, o cineasta reflete sobre teorias governamentais e a verdade sobre a vida extraterrestre. Aliás, Spielberg já revelou em entrevistas que acredita fortemente que a humanidade não está sozinha no universo.

Dia D é um filme que se pode dividir em duas partes. A primeira metade mostra uma trama misteriosa e arrastada, enquanto que a segunda é frenética, com muita ação e movimento, bem ao estilo do diretor. O roteiro escrito por Spielberg e Koepp passeia com facilidade por diferentes gêneros, como thriller de espionagem, ficção científica, suspense, ação, drama social e até comédia. O longa constrói um jogo de gato e rato cheio de tensão, mas, por vezes existe um excesso de informações e correria na narrativa, porém o diretor conduz tudo de forma dinâmica, desenvolvendo seus personagens durante uma corrida conta o tempo e entrando em profundos embates filosóficos, religiosos e morais.

Com a melhor atuação de sua carreira, Emily Blunt entrega uma atuação inspirada, guiada pela força do olhar (sempre fundamental e impactante na filmografia de Spielberg). Sua personagem serve como condutora dos mistérios e conspirações da trama ao lado do personagem de Josh O’Connor, o responsável por montar um quebra-cabeça que explica o propósito de seus personagens para o público enquanto eles abraçam a busca pela verdade. O’Connor faz um sólido trabalho, dividindo boa parte das cenas com os ótimos Colman Domingo e Eve Hewson. Como vilão, Colin Firth interpreta com uma dose certa de caricatura, representando uma das críticas mais diretas do filme sobre o vilão corporativo e a arrogância institucional.

Com uma amizade de 50 anos com Steven Spielberg e uma parceria que rendeu 30 filmes (é a colaboração mais duradoura e bem-sucedida da história do cinema), o compositor John Williams entrega uma trilha sonora grandiosa, apesar de contida, trazendo emoção na medida certa. Ao lado do diretor desde A Lista de Schindler (1993), a fotografia de Janusz Kaminski evidencia a luz que, como sempre no cinema de Spielberg, tem uma função quase espiritual. Ela atravessa janelas, invade corredores e pulsa em dispositivos alienígenas.

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No retorno ao gênero que o definiu como cineasta, Dia D traz Steven Spielberg de volta ao cinema de blockbuster, conduzindo como um maestro cenas de ação implacáveis e toda a tensão e suspense de conspirações e mistérios de ficção científica. Ao mesmo tempo, emociona quando mergulha no drama humano.

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Cultura

Theatro Sete de Abril reabrirá em 7 de julho

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Após quase vinte anos fechado por problemas de insegurança, o Theatro Sete de Abril voltará a abrir as portas. Será no dia 7 de julho, quando Pelotas completará 214 anos.

“Neste dia, estaremos devolvendo à Pelotas um pedaço importante da sua alma”, disse o prefeito Fernando Marroni.

De 4 a 12 de julho, haverá atividades esportivas (pedalada e corrida) e culturais, de 4 a 12 de julho. No diaa da reabertura do Theatro, Vitor Ramil e DJ Helô farão shows nele.

O Sete de Abril foi tombado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1972, e o Município assumiu a gestão em 1979.

O Theatro foi interditado pelo Ministério Público em janeiro de 2010, após denúncia anônima e vistoria que confirmou problemas na estrutura de sustentação do telhado, o que poderia causar danos à integridade das pessoas.

Foto de Volmer Perez, fornecida pela Assessoria de Comunicação da prefeitura.

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Cultura

Prefeitura diz que não tem dinheiro para restaurar Clube Comercial

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Acolhendo uma ação do MP, a Justiça gaúcha decidiu pela adoção de medidas urgentes que impeçam a deterioração, hoje avançada, do Clube Comercial de Pelotas. Quem vê o clube por dentro, apavora-se com a destruição. “É de chorar”.

A justiça alega que, além de deteriorado, o imóvel traz riscos à segurança dos transeuntes, expostos à queda de partes do prédio. A justiça deu prazo de até 15 dias para que a direção do clube tome providências, chegando a prever, se necessário, a intervenção na gestão do Clube, alegando sua incapacidade até aqui de encontrar uma solução.

A decisão dá ainda prazo de 180 dias à prefeitura para que apresente um plano de intervenção, com previsão de recursos para as obras de recuperação do imóvel. A prefeitura, porém, avisa que recorrerá da decisão, alegando que não tem dinheiro (R$ 36,5 milhões) para restaurar o clube.

Ainda que movida por um motivo nobre, a decisão de preservar um patrimônio histórico e cultural inestimável para a cidade, é difícil de ser acatada de imediato porque chega “atrasada”. O esfacelamento do prédio vem de longa data e, claro, piorou.

Imagem ilustrativa

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Cultura

A melancolia de ‘O diabo’

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O diabo veste Prada 2 me pareceu desnecessário. Se o primeiro filme é perfeito, fechado a vácuo, o segundo é selado com bolhas de ar. É um filme visto com saudade, mas que nos decepciona pela nostalgia de um momento impossível de reviver. Foi bom rever a turma?

Foi. Gostei de rever Stanley Tucci (Nigel), o simpático ator com cara de amendoim, e, claro, as atrizes. Porém, achei triste ver a destruição das lembranças do filme original, por conta inclusive do envelhecimento real das protagonistas, em especial o de Anne Hathaway (Andrea), assistente de Meryl Streep, a implacável Miranda. Cadê aquele frescor da Hathaway de 20 anos atrás? Ela simbolizava o desejo da moça antiga de ‘subir ao altar’.

O tempo passa pra todos, óbvio. Mas, em matéria de cinema, uma coisa é rodar uma sequência pouco tempo depois do primeiro filme, como ocorreu com O poderoso chefão II, com os atores com idades próximas das de quando atuaram no I. Outra é rodá-la 20 anos depois, com os atores bem mais velhos. Fica uma sensação desagradável de algo que estava intacto e se quebrou. Senti o mesmo quando vi o filme francês Um homem, uma mulher 20 anos depois: melancolia.

Quando O diabo 1 foi lançado, em 2006, a internet e as redes sociais não tinham o poder de hoje. Revistas impressas de moda, como Harper’s Bazaar e Vogue, ainda eram templos sagrados, mesclando em suas páginas fotografias e artigos sobre moda com ficção de alta qualidade — textos de Virgínia Woolf, F. Scott Fitzgerald, Tom Wolfe, Truman Capote e outros.

Já neste 2026, depois que há muito as redes começaram a abocanhar a maior parte das verbas publicitárias, as revistas impressas se viram sob ameaça não só como negócios, mas como símbolos da progressão cultural que transformava em arte vestimentas e acessórios. Tais revistas ainda existem, mas não mais com a autoridade personificada na figura da Miranda do primeiro filme, não mais com o glamour de antes.

É da erosão desse mundo que trata O diabo 2, ao denunciar a decadência dos altares estéticos a que se havia chegado pelo refino das experiências sensoriais — ruína esta causada pela ditadura do clique na internet, como diz o filme: a tirania da massa, sempre acrítica, sem identidade. O que antes era uma referência cultural sólida, fruto de cabeças cultas, deixou de ser. Perdeu-se na vulgaridade ignorante do clique digital, que, sobrepondo-se àquelas cabeças, passou a ditar as abordagens editoriais, com anuência dos donos do negócio. Em vez de fechar as portas, rebaixe-se a qualidade, em favor do senso comum.

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Mesmo que tente mascarar a situação difícil que vive, invocando sua garbosa presença, Miranda, obrigada a descer do altar para salvar sua posição, tornou-se uma mulher “comum”. Uma ex-rigorosa mulher tentando sobreviver em um ambiente que já não domina; um cenário em que a revista que dirige (Runway/Vogue) deixou de ser vista como o vértice do bom gosto na moda e na arte, o que é triste de ver para quem ama a exigência, o belo. Vem acontecendo por todo lado na vida real. “Terei apenas mais alguns anos”, Miranda diz para a Hathaway, dentro da limusine, sabendo que não durará no mercado.

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Cultura

Romance de Luiz Carlos Freitas é traduzido e publicado na Rússia

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O romance Voo cego em zona morta, do escritor e jornalista pelotense Luiz Carlos Freitas, foi traduzido e publicado na Rússia.

“Devido a circunstâncias políticas e às regras do governo russo quanto às plataformas de redes sociais (Facebook, Instagram etc) foi uma verdadeira cruzada do editor russo concluir a edição em tempo recorde”, conta Freitas.

A obra foi publicada mês passado no Brasil pela Editora Urutau (está à venda no site da Editora) e será lançada nacionalmente na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) em julho, e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro.

Ambientado em Pelotas, é um romance psicológico que retrata, segundo o autor, “a patética e trágica história da confissão de um homem moralmente corrompido”.

“Ao escancarar mágoas, frustrações e recalques, dando ênfase a defeitos e virtudes, o personagem encarna a maioria dos seres humanos em seu comportamento cotidiano, com seus vícios, hábitos e pecados. Sobretudo os ocultos.”

Freitas também assinou contrato com editora italiana para a tradução e publicação naquele país do romance autobiográfico Confissões de um cadáver adiado. O layout do livro estará pronto em setembro e o lançamento está marcado para dezembro, incialmente em Cesena (IT).

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Luiz

Obra de Luiz Carlos Freitas chega à Rússia

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