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Pensando aqui sobre a ‘representação de Eduardo Leite’

Pensando aqui sobre a Representação movida pela Coligação de Eduardo Leite a Governador (“O Rio Grande da Gente”) contra minha empresa (Que Sou Eu, um só Indivíduo), para retirada de seis postagens do site Amigos de Pelotas, que dirijo há mais de 10 anos…

Todos têm o direito de representar contra jornalistas. Fazia muitos anos que não ocorria comigo. Assim que fui citado, com prazo de 48 horas para cumprir a liminar que mandava apagar parcialmente dois posts dos seis pretendidos (os quatro demais seguem publicados, com anuência do TRE) e constituir advogado para a defesa, segui a determinação judicial, acatando a decisão do desembargador Rômulo Pizzolatti.

Ok. A ver à frente, agora, o resultado final.

Por ora, fico num detalhe dessa história que suscita divagações. Na representação que moveu, a Coligação de Eduardo Leite pede – também – que eu pague multa de R$ 5 mil por cada postagem questionada, o que daria R$ 30 mil para efeito de quando forem analisadas no mérito. Trinta vezes mil, 30 dinheiros, como na Bíblia, ensinada em cursos de formação como Emaús, onde o jovem discípulo da palavra Eduardo Leite um dia estudou.

Olhando pela janela aqui de casa, cuja vista não é muito agradável, continuei na divagação:

“Ainda por cima o staff  do agora político EL quer meter a mão no meu pobre bolso!” A “culpa” só pode ser do cachimbo, que entorta a boca, no caso a mania estatal de abocanhar o resultado do suado labor do cidadão.

Não bastasse o IPTU aumentado por Leite que pago, e mais a taxa de lixo, que EL disse que não criaria na cidade, mas criou, no apagar das luzes de sua gestão como prefeito, continuo a ser atingido pela mesma sanha arrecadadora, agora em nível judicial eleitoral, por advogados remunerados, presumo, por todos os pagadores de impostos, eu inclusive, um dinheirão distribuído às agremiações políticas através dos fundos partidário e eleitoral (nosso bolso).

Eduardo Leite e eu não somos estranhos um ao outro.

Por exemplo, por ter sido eu um dos primeiros a reconhecer que ele destoava para melhor na paisagem lunar que continua a ser a Câmara de Vereadores, a meu convite, ele aceitou ser colunista quinzenal do Amigos de Pelotas durante o Ano da Graça de 2010, no tempo em que vivia do salário da vereança.

Para manter certo equilíbrio, convidei também, a escrever alternadamente com Leite, o vereador Ivan Duarte, do PT. Mas Ivan desistiu logo depois de começar, e eu, dando por acertado o princípio, pelos doze meses seguintes publiquei Eduardo, sozinho, sem contraponto.

Como eu dizia, o jovem tucano pelotense me conhece. Talvez o certo seja dizer que ele me conhece na proporção inversa de que eu imagino que o conheça, pois, como você pode supor, em se tratando de um político, o trato de Eduardo Leite, oposto ao meu, nunca deixou de ser fugidio, espectral, por certo não apenas comigo.

Mesmo sendo as coisas como elas são, tentando acreditar que por baixo das hibridas características límbicas de um político havia no fundo uma pessoa do bem, mantive minha confiança em EL, procurando, por muitos anos ainda, encontrar pontos em comum entre ele na política e o Amigos de Pelotas no jornalismo: duas expressões da individualidade integrantes de um mesmo espírito responsável por injetar ao menos algumas rajadas de oxigênio puro no ambiente da cena pública da cidade.

Hoje as coisas estão diferentes, mas por muitos anos eu via EL por aquele prisma. Ele me parecia a materialização física e espiritual de uma lufada de ar fresco há muito ansiada pelas novas gerações, na carcomida e restritiva paisagem local, do mesmo modo que vejo hoje em dia o reitor Pedro Hallal, da UFPel, que vem se saindo muito bem no cargo, e como – infelizmente – deixei de ver a prefeita Paula Mascarenhas, que se vem revelando, administrativamente, professora de uma monótona mediocridade. Em benefício dela, é uma sentença que ainda causa incredulidade a muitos, apesar do crescimento da impressão de que, como Dilma, o destino da professora é o mesmo de um poste ou, ao menos, um degrau da escada.

Fico pensando que eu devo ser mesmo um sujeito muito ingênuo, um personagem daqueles contos que os pais nos leem ao pé da cama quando somos crianças, por pensar que a esperança é um merecimento.

Nesta altura, com base na experiência vivida, eu diria que parece ser impossível não se decepcionar com as pessoas, sobretudo as jovens temporalmente investidas de um cargo eletivo, quando passam a se comportar como políticos da velha guarda, quando já se estão dissipados todos os vestígios da esperança que um dia se teve em sua suposta coragem para romper com velhas estruturas em nome de uma autêntica renovação da vida, como prega o Evangelho que, evidentemente, não é o de São Judas.

Judas virou o cocho, logo depois que perdeu a fé. Pelo que tenho visto, outros ao menos nunca tiveram fé, sobrevivem no automático. Talvez por se terem dado conta de que a vida é muito mais porca do que ensinam nos cursilhos às jovens almas sôfregas por trilhar o caminho do belo, rumo ao Paraíso, bem calados sobre o assunto.

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