Luciano vive “como se fosse morrer amanhã”

Luciano Hang desperta sentimentos controversos: é incômodo como uma corneta que acorda o prédio inteiro no domingo para avisar que o primeiro raio de sol despontou. Ontem protestou em Pelotas contra o fechamento do comércio. Protestar, até usar palavras ríspidas, ok – tem o direito. Já não se opor à aglomeração em torno dele e não usar máscara não foi legal.

Não concordo com tudo o que ele, sendo figura pública, diz e faz. Mas fico pensando: o Brasil mudou!

Até pouco tempo, no meio empresarial, tinham voz na mídia basicamente bilionários renascentistas, como o industrial Ermírio de Moraes ou o banqueiro Joseph Safra, que viam o Brasil de cima.

Agora, temos bilionários como o “Véio da Havan”, que se comunica direto com as massas, sem o filtro, os conceitos formados e o glamour aplicados pela imprensa aos que têm muito dinheiro, e questionando o estabelecido, sem reservas, ao ponto de se abalar a Pelotas para um protesto por um ponto de vista em que, certo ou errado, ele acredita, quando poderia muito bem ter subido em seu avião para uma viagem de folga aos alpes suíços.

Provavelmente, na lógica dele, viu em Pelotas uma oportunidade de mandar uma mensagem ao Brasil neste momento em que as medidas restritivas avançam de novo no País, daí ter gravado o evento.

Uma vez, jornalista, fui convidado com outras pessoas para um almoço com ele. Eu estava na frente do restaurante, esperando a comitiva. Quando ele desceu do carro, já sabia meu nome e o exclamou (nunca tinha me visto) e, magnético, me deu um abraço tão caloroso e desarmado, que me impressionou e fez pensar o que disse acima.

Um bilionário sem pose, sem frescuras, quem diria?

Durante o almoço, a impressão que me ficou foi de uma pessoa que ama o trabalho, a superação. E que vive com pressa, como se fosse morrer amanhã.

1 thought on “Luciano vive “como se fosse morrer amanhã”

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor. Abç.