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[Nunca pensei que “virar tendência” fosse aparecer num texto meu, mas é perfeito para o caso; então, vamos lá.]

Virou tendência ter que informar “quais são os seus pronomes”, para deixar claro como alguém quer ser chamado.

Meus pronomes sempre foram os 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝗶𝘀 (eu, tu, ele / ela, nós, vós, eles / elas; me, mim, comigo; a, lhe, se, si, consigo), os 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗮𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 (você, Vossa Senhoria, Vossa Excelência), os 𝗿𝗲𝗹𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀 (o qual / a qual, cujo / cuja), os 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀 (este /esta, esse / essa, aquele / aquela, aquilo), os 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗲𝘀𝘀𝗶𝘃𝗼𝘀 (meu / minha, seu / sua, nosso / nossa), os 𝗶𝗻𝗱𝗲𝗳𝗶𝗻𝗶𝗱𝗼𝘀 (algum / alguma, nenhum / nenhuma, outro, outrem, cada, algo, vários, quanto, qualquer) e os 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗴𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼𝘀 (quem, que, qual, quanto).

[Dentro de cada par de parênteses, favor incluir um “etc.”, porque esses aí são só uma amostra.]

Pois não é que, quando temos que escolher, as opções que surgem são “ele / dele”, “ela / dela”, “elu / delu” etc.?

Desde quando “dele”, “dela” e (valei-me São João Nepomuceno!) “delu” são pronomes?

“Dele”, “dela”, “deles”, “delas” e quaisquer variações que vierem a se estabelecer no idioma são grupos preposicionais – formados da preposição “de” + pronome pessoal de terceira pessoa do singular ou do plural (de + ele, de + ela etc.).

Caetano Veloso já alertava, em “Língua” (canção de 1984): “Ouçamos com atenção os “deles” e os “delas” da TV Globo”. Não, a culpa não é da Globo, mas ela ajudou a disseminar coisas como “ele e o pai dele”, em detrimento de “ele e seu pai”.

Tudo bem que “seu” e “sua” tenham lá sua carga de ambiguidade.

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— Marilice, vi Lucimar com seu marido.

— Com o meu marido? Essa biscate me paga!

— Não, ela estava com o seu marido, o marido dela…

— Ah, tá. Formam um lindo casal, não?

Os grupos preposicionais (dele, dela etc) têm valor de possessivo e devem ser usados para evitar mal-entendidos, como o do quase adultério acima.

Nessa história dos “meus pronomes”, a intenção é deixar claro ao interlocutor qual o tratamento adequado – se no masculino, no feminino ou num neonato neutro. Mas ninguém vai usar “dele” ou “dela” para se referir à pessoa com quem se fala.

— Bom, dia, Juracy (nome fictício)! Que prazer! Quais são os seus pronomes?

— Ele e dele, por favor.— Ah, ótimo! Li o livro dele e achei lindo.

— Dele quem?

— Dele você.

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— Como assim?

— Você não disse que seu pronome é “dele”?

— “Dele” meu.

— Sim, eu quis dizer “dele” seu, não “dele” dele.

— Ah, tá. Que bom que você gostou.

E essa questão “ele / dele”, “ela / dela” etc., em vez de ser inclusiva, pode gerar opressão.

Quem garante que Darcy (nome fictício) não queira ser tratado com o pronome pessoal masculino (“ele”), mas se sinta mais confortável com o possessivo no feminino (“Tenho uma possessividade mais feminina, entende?”) e o demonstrativo neutro (“Funciono melhor na base do ‘ou isso ou aquilo’, sabe como?”)?

Então, assim como a sigla GLS virou LGBTQI+, o “Quais são os seus pronomes” deveria ser “Quais são os seus pronomes pessoais, de tratamento, relativos, demonstrativos, possessivos, indefinidos e interrogativos, e [pausa para tomar fôlego] seus grupos preposicionais?”

Porque, se é pra fazer, então faz direito.

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Cultura e diversão

O homem do norte. Por Déborah Schmidt

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O Homem do Norte segue a história de vingança do príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) que, quando criança, testemunhou seu pai, o rei Aurvandil War-Raven (Ethan Hawke), ser brutalmente assassinado por seu irmão, Fjölnir The Brotherless (Claes Bang), que ainda sequestrou sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Vinte anos depois ele retorna determinado a salvar sua mãe, vingar seu pai e matar seu tio.

Um dos diretores mais interessantes da atualidade, Robert Eggers se destacou logo com seus primeiros filmes, os excelentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), duas produções de terror aclamadas. Para seu próximo projeto, o cineasta saiu de sua zona de conforto e embarcou em uma trama de ação e aventura, em uma ambiciosa saga viking. O roteiro de Eggers e Sjón é baseado na lenda de Amleth, conhecida como inspiração para a criação da clássica peça Hamlet, de William Shakespeare. O longa explora uma história típica dos nórdicos antigos, acertando no drama familiar e na jornada de vingança.  

Como o protagonista, Alexander Skarsgård demonstra toda sua entrega (física, principalmente) ao viver a versão adulta do guerreiro Amleth. Revelada em A Bruxa, a talentosa Anya Taylor-Joy tem um papel coadjuvante como Olga, mas rouba a cena com seu magnetismo e por estar ligada aos elementos místicos do longa, assim como os personagens de Willem Dafoe e Björk.

Visualmente espetacular, a direção de fotografia de Jarin Blaschke, que trabalhou com Eggers em seus dois filmes anteriores, se destaca pela composição de ambientes naturais. Se tratando de um épico viking, a produção aposta em cenas de lutas com violência e selvageria, e também mostra autenticidade e fidelidade na impressionante recriação do visual e dos costumes vikings.  

O Homem do Norte detalha com perfeição uma saga viking, em uma história de vingança e brutalidade que flerta com o misticismo. Um espetáculo artístico e grandioso.  

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Especial

DiCaprio, política e atores

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Com sua venenosa língua hiperbólica, o escritor Truman Capote dizia que “atores são burros.” Exemplificou com John Gielgud (foto), grande ator shakespereano. “É maravilhoso no palco. Mas é uma voz.”

Para ele, quanto melhor o ator, mais burro é.

Se entendo o exagerado Capote, ele quis dizer que atores, seres emocionais, não possuem pensamento estruturado. Suficientemente crítico ou científico, se preferir. Isso parece verdadeiro quando “artistas” falam de política. É comum defenderem “boas causas” genericamente, sem considerar as especificidades das situações.

Leonardo DiCaprio foi às redes elogiar “o compromisso da Anitta com a democracia.” Também pediu para “escutarem a cantora e tirarem seu título de eleitor.” Mais um exemplo, parece, do que Capote quis dizer.

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Opinião

Direto com a dona. Por Montserrat Martins

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Maria decidiu resolver o problema: foi falar diretamente com a nova mulher do seu ex-marido, para resolver o tratamento dispensado às duas filhas quando visitavam o pai, a madrasta e a nova irmã delas, do novo casamento. Foi uma conversa com todo mundo junto, Maria, as duas filhas, ex-marido, nova mulher e filha, tudo isso na casa da nova companheira.

A conversa começou tensa, é óbvio. O ex-marido parecia assustado. A nova mulher, tensa. Maria, determinada, foi direto ao ponto: estava ali para que suas filhas tivessem o mesmo tratamento do pai que a nova filha tinha, quando das visitas ao pai, e para que ficasse claro que ela não queria o ex de volta, que uma coisa não tinha nada a ver com a outra: existe ex casal, mas não existe ex pai. E disse mais, hoje existe uma nova criança, com o pai em casa, vai que amanhã não esteja, ele vai deixar de cumprir as suas obrigações de pai?

João, então, tentou falar grosso com a ex, mas foi desautorizado pela atual. A anfitriã, mesmo tensa, pareceu ter assimilado o recado, pois a ex deixou bem claro seu desinteresse pelo homem, fora lá cobrar o papel de pai. E que amanhã (quem sabe dizer?) poderia ser a situação da ex, lutar pela sua filha ser bem tratada pelo pai.

Com João “enquadrado”, tendo de se expressar com respeito, a conversa então foi evoluindo, ficando bem claro que não se tratava do passado, mas do futuro. O homem não estava sendo disputado pelas duas mulheres, pelo contrário, passou a ser cobrado pelas duas em suas responsabilidades.

Maria encontrou a solução, falando “direto com a dona”, nesse tipo de drama repetido, que vejo sempre no meu trabalho, quando me pedem avaliações psiquiátricas de partes em conflito nas Varas de Família ou da Infância e da Juventude. Na grande maioria dos casos não há nenhum transtorno psiquiátrico nessas pessoas, o transtorno que está por trás de suas brigas ferozes são de emoções humanas muito básicas, a começar por ciúmes e insegurança.

Nossa cultura machista tem como característica homens “falando grosso” com a ex-mulher e obedientes à nova companheira, com a qual não querem se incomodar. É um padrão de comportamento repetitivo, que chega a chamar a atenção quando não segue esse padrão, quando há madrastas não ciumentas ou inseguras com os filhos da ex. (O mesmo vale também para padrastos ciumentos).

Do machismo aparente, para a sociedade ver, dentro de casa esses “valentões” são tão submissos à nova mulher que chegam a abandonar filhos por medo dos ciúmes da nova companheira. Maria intuiu isso perfeitamente, por isso foi falar “direto com a dona”, com quem ela entendeu que estava influenciando o pai de suas filhas.

Maria me contou sua história sem ter sido orientada por nenhum médico, nenhuma psicóloga, nem por assistente social. Foi sua intuição, observação, reflexão, capacidade de análise e sabedoria que a fizeram encontrar essa solução. Não estava dando certo falar com o ex, ele não lhe escutava, ela decidiu então falar com quem tinha poder de decisão, com a nova “dona” dele.

Claro que podia ter dado errado, mas sua clareza de pensamento, sua sinceridade de intenções, fizeram com que a outra a compreendesse e confiasse nela. Não é uma receita de bolo, que cada uma possa fazer em casa sem riscos. Mas é um caminho excelente para quem souber fazer assim, ir falar direto com a “dona”.

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Esse tipo de cultura primitiva, onde homens são colocados contra seus filhos pelas atuais mulheres, traz um enorme prejuízo para toda a sociedade. Crianças e jovens rejeitados crescerão inseguros, depressivos, ou revoltados, conflitivos, expandindo seus sofrimentos familiares em suas relações sociais. É um padrão de comportamento muito, muito repetitivo mesmo, é ainda o padrão dominante numa sociedade que deveria ser mais civilizado. Por isso mesmo, “temos de falar sobre isso”. Obrigado pelo exemplo, Maria.

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