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Cultura e diversão

O cavalo preto (Por Vitor Bertini)

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Tudo começou com este enorme cavalo preto caído em meu caminho, com aqueles homens indo embora e com estas mulheres, todas de vestidos brancos, chegando cada vez mais perto.

Nada sei de cavalos; não reconheço estas mulheres que gritam, puxam seus cabelos e choram, nem os homens que se afastam, carregando porretes.

O desagradável das ruas não me diz respeito. Quero ir embora, acelerar o passo, fugir daqui – e não consigo.

Paralisado, todos me olham. No olhar das mulheres, a dor de mães que perderam filhos; no olhar dos homens que voltam, a perspectiva do mal. Nos olhos do cavalo preto, o horror.

Sinto uma angústia infinita.

O cavalo sua, arfa e sangra. Seu pescoço lateja e brilha. Suas patas coiceiam o ar; sua cabeçorra meneia e só descansa quando as mulheres que choram deitam sobre seu corpo. Nos olhos do cavalo, meu reflexo.

Meu coração dispara. Ofegante, minha boca seca.

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Os vestidos brancos ganham manchas vermelhas e os porretes, infinitas formas de dor, apontam para mim. Suo como o cavalo. Minhas pernas, imóveis, contraem-se em espasmos nervosos.

Mãos crispadas, sujas de sangue, buscam meu auxílio; os homens parecem aguardar meus movimentos e o cavalo preto, como em uma Guernica bombardeada, assume o centro do mundo.

O silêncio sobre a Terra e a escuridão do meio-dia é que acompanham meus trêmulos passos em direção àqueles olhos. De joelhos, me abraço no cavalo preto. Quando ele morre, estou só.

Assustado e ofegante, acordo. Ainda deitado, espero o dia clarear.

Página de Vitor Bertini – AQUI.

Depois de tudo, escritor. Autor do livro "Não me Abandone" - Editora Esquina do Lobas e da página "A História da Sexta".

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Cultura e diversão

O TELEFONE PRETO. (Por Déborah Schmidt)

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Em cartaz nos cinemas, O Telefone Preto é ambientado em 1978, quando uma série de sequestros de crianças está aterrorizando a cidade de Denver. Finney Shaw (Mason Thames) é um garoto de 13 anos, tímido e inteligente, que é sequestrado por um sádico assassino (Ethan Hawke) que o enclausura em um porão à prova de som, onde gritar não vai resolver nada. Quando um telefone preto desligado começa a tocar, Finney descobre que consegue ouvir as vozes das vítimas anteriores do sequestrador. E elas estão decididas a assegurar que o que lhes aconteceu não aconteça com Finney. 

Baseado em um conto escrito por Joe Hill, filho do autor Stephen King (reparem na referência para It – A Coisa), o longa é comandado por Scott Derrickson, um dos melhores nomes do cinema de terror da atualidade, com O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012) em sua filmografia. Mais recentemente, o diretor deixou o gênero de lado para fazer parte do Universo Cinematográfico Marvel, onde dirigiu Doutor Estranho (2016). O cineasta sabe como poucos prender a atenção do público, e em O Telefone Preto, ele retoma sua parceria com a Blumhouse, produtora conhecida pelo foco em filmes de terror de baixo orçamento.

Com o roteiro de Derrickson em parceria com C. Robert Cargill, o filme é um suspense eficaz preocupado em criar medo pelo clima de tensão e claustrofobia, aliado ao desenvolvimento de seus personagens. Isso fica evidente logo no início, ao focar no relacionamento de Finney com a irmã Gwen (a carismática Madeleine McGraw). Com isso, traumas da infância são explorados pela trama, com Finney enfrentando bullying na escola e os irmãos sofrendo com o pai alcoólatra e abusivo. Entendemos, então, a realidade e o poderoso vínculo de apoio e afeto criado por eles diante desses problemas, em uma relação fundamental para a eficiência da narrativa.   

No papel do misterioso e cruel sequestrador, Ethan Hawke rouba a cena. Uma atuação poderosa e que consegue aterrorizar o espectador mesmo usando uma máscara sinistra durante quase todo o filme. Aliás, um dos elementos mais interessantes do longa é o fato de o vilão esconder seu rosto atrás de uma máscara, que em diversos momentos altera a forma e a expressão, refletindo a instabilidade emocional do personagem conforme os acontecimentos e o mantendo ainda mais intrigante.  

Com uma história simples e bem contada, O Telefone Preto é um terror psicológico e sobrenatural que prende a atenção até o final. 

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Cultura e diversão

AGENTE OCULTO. (Por Déborah Schmidt)

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Filme original mais caro da história da Netflix, Agente Oculto acompanha um ex-presidiário que, com o codinome de Sierra Seis (Ryan Gosling), é colocado a serviço da CIA em troca de sua liberdade.

Consagrado como um dos mais eficientes agentes de campo, ele se envolve em uma conspiração criminosa dentro da própria agência, pouco tempo depois da aposentadoria de seu mentor, Donald Fitzroy (Billy Bob Thornton). Caçado pelo psicótico Lloyd Hansen (Chris Evans) e outros mercenários do mundo todo, Seis contará com a ajuda da espiã Dani Miranda (Ana de Armas) para se salvar. 

Adaptação do livro homônimo de Mark Greaney, o filme é dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, conhecidos pela direção de vários filmes da Marvel, como os do Capitão América, Soldado Invernal e Guerra Civil e dos Vingadores, Guerra Infinita e Ultimato. Se ação está garantida, a produção peca nos clichês, a começar pelo trio de protagonistas, que apresenta um anti-herói calado e violento, mas de bom coração, sua parceira durona e um vilão excêntrico. 

O roteiro escrito por Joe Russo, Christopher Markus e Stephen McFeely é um tanto quanto genérico, com o frequente arco central de corrupção e traições comuns no gênero de espionagem. A personagem da Ana de Armas, por exemplo, ganha boas cenas de ação, porém fica a sensação de que falta para a personagem uma história própria. A ameaça interna da CIA, que deveria ser um possível risco para Seis, na imagem de Carmichael (Regé-Jean Page), é outro personagem superficial e mal construído, sem uma motivação definida.

Com o orçamento gigantesco, a produção conta com locações em diversos países, como Áustria, Croácia, Bangkok e Alemanha, além de excelentes efeitos visuais. O resultado são sequências de ação visualmente impressionantes, porém teatrais e exageradas, seja sob luzes fluorescentes, fumaças coloridas e fogos de artifício.  

Com um elenco cheio de estrelas de Hollywood, Ryan Gosling e Ana de Armas ditam o tom do filme, enquanto que Chris Evans diverte no papel do vilão psicopata. Ainda no elenco, Regé-Jean Page, Jessica Henwick, Billy Bob Thornton, Wagner Moura (infelizmente com uma pequena participação), Julia Butters, Dhanush, estrela do cinema indiano, e a veterana Alfre Woodard. 

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Entretenimento descartável, Agente Oculto representa a zona de conforto dos irmãos Russo e fica devendo um roteiro à altura de seu ótimo elenco. 

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Brasil e mundo

Paixões brasileiras (Por Montserrat Martins)

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Cada povo tem suas características, os orientais são disciplinados, os italianos expansivos e falantes, os alemães são organizados (inclusive os descendentes, em Gramado), qual seria uma característica que podemos chamar de “brasileira”?  Eu diria que é ser mais emotivo do que racional, analisar menos, fantasiar mais.

Cada povo tem suas características, os orientais são disciplinados, os italianos expansivos e falantes, os alemães são organizados (inclusive os descendentes, em Gramado), qual seria uma característica que podemos chamar de “brasileira”?  Eu diria que é ser mais emotivo do que racional, analisar menos, fantasiar mais.

Nos relacionamentos se enxerga muita dessa passionalidade, como ocorre nos casos de “idas e vindas”, casais que se separam e voltam, cheios de ciúmes e saudades. Também acontece com as pessoas que transferem toda essa paixão e fantasias para um novo relacionamento, tem quem se envolva em uma paixão irracional “de deixar de pagar as contas”.

Esse espírito emotivo aparece nas paixões brasileiras pela música (a idolatria dos fãs pela celebridades cantantes), pelo seu time de futebol e mais recentemente pelo modo passional de ver a política, também. Tudo isso se mistura, por exemplo, no jingle de candidatos, que às vezes decide uma eleição, como já aconteceu pelo menos uma vez no Rio Grande do Sul na década de 2000 com o candidato Rigotto e em Porto Alegre mais recentemente (em 2016) com a eleição do Marchezan, dono do melhor jingle daquele ano.

Jingle pode influenciar até na eleição para presidente do país, em 2002 por exemplo foi envolvente o Lula lá, onde o apelo para a emotividade era quase uma confissão de infantilizar o povo com o envolvimento emocional, pois dizia na própria letra “Lula lá, o Brasil criança na alegria de se abraçar”. O mesmo acontece agora com o jingle do Bolsonaro, que começa falando em “Capitão do povo”, título emotivo que desconsidera que ele foi reformado do Exército, ou no trecho a favor da família desconsiderando que está no terceiro casamento. Não são os fatos que importam, o que importa é a capacidade de emocionar, de envolver, através da música.

Nada indica que nesse ano de 2022 teremos algo diferente, racional. Não teremos debates entre os favoritos, não veremos confronto de ideias de gestão, ou como fazer a economia voltar a crescer, ou mesmo como controlar o preço da gasolina e como manter a bolsa de auxílio aos mais pobres após a eleição. O que vamos assistir é uma “guerra de jingles” entre um candidato apoiado pela Anitta (que tem mais de 60 milhões de seguidores no Instagram) e outro pelos sertanejos Mateus e Cristiano, autores do jingle. A música e a emotividade, no ambiente das paixões brasileiras, podem influir mais que a realidade ou a racionalidade.

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