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Comportamento

Sensação pré-apocalíptica

Ando com a desagradável impressão de que nada encontra correspondência em nada no Brasil. Dou poucos exemplos, um apanhado ligeiro, misturando Brasil e Pelotas. No meio dessa tremenda crise de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, Dilma publica na rede social que “bike é vida”. Nesta quinta (24), no centro de Pelotas, houve um passeata […]

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Ando com a desagradável impressão de que nada encontra correspondência em nada no Brasil. Dou poucos exemplos, um apanhado ligeiro, misturando Brasil e Pelotas.

No meio dessa tremenda crise de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, Dilma publica na rede social que “bike é vida”.

Nesta quinta (24), no centro de Pelotas, houve um passeata de um grupo de pessoas trans e outra passeata de pessoas “vestidas de gaúcho”.

Os manifestantes trans faziam seu protesto a pé, pela aceitação de gênero. Já os gauchões, carregando uma faixa em que dizia Todos por um Brasil melhor, montavam cavalos. Eles abriram a faixa diante da prefeitura (!?)

Sabe aquela sensação pré-apocalíptica?

Jornalista. Editor do Amigos de Pelotas. Ex Senado, MEC e Correio Braziliense. Foi editor-executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Atuou como consultor da Unesco e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Uma vez ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, é autor dos livros Onde tudo isso vai parar (finalista do Prêmio Açorianos/2026) e O fator animal, publicados pela Editora Lumina, de Porto Alegre. Em São Paulo, foi editor free-lancer na Editora Abril.

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Comportamento

A saturação do politicamente correto

O “recado das urnas” tem muitos ângulos, inclusive o psicológico. Além da demanda por mais policiamento e “linha dura” contra a criminalidade, também há um evidente desgaste do “politicamente correto”. Para intelectuais de esquerda, os “preconceitos do homem comum” teriam vindo à tona, numa espécie de reação às mudanças de costumes. Já para os analistas […]

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O “recado das urnas” tem muitos ângulos, inclusive o psicológico. Além da demanda por mais policiamento e “linha dura” contra a criminalidade, também há um evidente desgaste do “politicamente correto”. Para intelectuais de esquerda, os “preconceitos do homem comum” teriam vindo à tona, numa espécie de reação às mudanças de costumes. Já para os analistas liberais é uma rejeição à manipulação de grupos sociais, em que a esquerda se apropria das causas feministas, de afrodescendentes e de relações homoafetivas. Até que frases como “eu sou mulher e voto em quem eu quiser” desafiaram a tutela da esquerda sobre os direitos da mulher.

Ser contra cotas raciais é ser racista? Ou ao contrário, é perpetuar o racismo estimulando o conflito étnico e tutelando alguns como se menos capazes fossem? Se há uma “dívida histórica” com a escravidão (formalmente extinta há 130 anos) essa poderia ser resgatada com “cotas sociais” para escolas públicas, para pessoas de todas etnias em condições financeiras desfavoráveis. Num ambiente civilizado esse debate poderia ser feito em alto nível e sem rótulos, mas não é tradição da esquerda tupiniquim respeitar posições em contrário sem rotular.

Nas brigas em redes sociais, outro rótulo comum é o de “homofóbico”, que recentemente era atribuído a todos que contestavam Pabllo Vittar, musicalmente, mesmo que gostassem de Fred Mercury, Ney Matogrosso ou outros músicos notoriamente homossexuais. Foi assim que nas redes sociais “homofóbico”, “racista”, “misógino”, entre outros rótulos, passaram a ser atribuídos a milhões de brasileiros, que por suas posições mais conservadoras ou simplesmente por diferenças de opinião passaram a ser tachados como se fossem pessoas “atrasadas”, preconceituosas, moralmente inferiores, indignas.

Essa opressão psicológica aumentou com a hegemonia cultural, num longo ciclo de discurso da esquerda no poder, durante o espaço de tempo que se poderia dizer “de toda uma geração”, eis que vitoriosa nas urnas em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Foi essa hegemonia e o discurso psicologicamente triunfante e rotulador sobre quem não concordasse com seus preceitos que gerou, agora, uma reação oposta intensa, fruto de extrema saturação e desgaste, contra o politicamente correto.

Isso não significa que os grupos sociais “vitimizados” historicamente pela esquerda sejam discriminados, embora algumas pessoas o façam – sim, existem fascistas de verdade. A questão é o descrédito de seus pretensos defensores, que os queriam “tutelar”. Na ótica liberal os direitos individuais também seriam respeitados, contra todas as formas de preconceito. Como isso se dará na prática? Não sabemos, mas por um bom tempo (mais uma geração?) o politicamente correto “saturou”.

 

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Comportamento

Professora da UFPel ‘esquecida’

Em abril passado, a professora Rejane Jardim, do curso de História da UFPel, ganhou súbita notoriedade ao postar mensagens polêmicas em seu facebook. Lidas literalmente, as mensagens da professora eram incitadoras de ódio. Lidas pelas lentes da ironia, o sentido, claro, muda. A Reitoria recebeu quatro denúncias contra a professora, procedimentos administrativos foram anunciados pela […]

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Em abril passado, a professora Rejane Jardim, do curso de História da UFPel, ganhou súbita notoriedade ao postar mensagens polêmicas em seu facebook.

Lidas literalmente, as mensagens da professora eram incitadoras de ódio. Lidas pelas lentes da ironia, o sentido, claro, muda.

A Reitoria recebeu quatro denúncias contra a professora, procedimentos administrativos foram anunciados pela Instituição.

Estamos em outubro, quase seis meses exatos depois, e nunca mais se falou sobre o caso.

Talvez se possa resumir assim: “A professora foi esquecida pela conveniência”.

Fica mais gostoso para todos saborear o primeiro sol da manhã.

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Brasil

Você acredita que existem 49 milhões de fascistas ou nazistas no Brasil?

Rodrigo da Silva, no facebook Se você acredita que existem 49 milhões de fascistas ou nazistas no Brasil – que a dona Maria, de Itabuna, no sul da Bahia, artesã e curandeira, escolheu o candidato do PSL porque quer o fim dos direitos das mulheres; ou que o seu Juca, de Botucatu, no interior de […]

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Rodrigo da Silva, no facebook

Se você acredita que existem 49 milhões de fascistas ou nazistas no Brasil – que a dona Maria, de Itabuna, no sul da Bahia, artesã e curandeira, escolheu o candidato do PSL porque quer o fim dos direitos das mulheres; ou que o seu Juca, de Botucatu, no interior de São Paulo, ministro da Eucaristia da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, digitou 17 numa urna porque deseja o sangue dos homossexuais nas calçadas – você certamente ainda não entendeu do que se trata o debate público em nosso país.

A crença de que a ascensão de Bolsonaro só pode ser justificada pelo aumento do voto preconceituoso e autoritário no Brasil é uma ilusão coletiva. Serve como uma boa desculpa para mascarar os problemas com a nossa democracia – e a descrença da opinião pública com as ideias defendidas pelos nossos candidatos derrotados – mas não ajuda a explicar a realidade.

Nada disso é uma novidade. Esse é o mesmo sentimento que acusou Marina Silva de tentar tirar comida da mesa dos trabalhadores e entregar o país aos banqueiros; que dizia que Aécio espancava mulheres e pregava o ódio contra nordestinos; que anunciava para os quatro cantos que Michel Temer iria acabar com o Bolsa Família e instituir a volta da escravidão.

De quatro em quatro anos nós realizamos os mesmos papeis nesse teatrinho: é o PT contra um político “que representa o ódio contra os mais pobres, os negros, as mulheres e os nordestinos”. Trocam-se os santinhos, mas as manchetes dos jornais permanecem as mesmas.

E isso não significa dizer que você deveria gostar das ideias defendidas por Jair Bolsonaro. Pelo contrário: você tem todo o direito de repudiar seu estilo, comportamento e a infindável lista de expressões politicamente incorretas utilizadas por ele nas últimas três décadas.

Isso significa dizer que o PT nunca foi esse centro democrático razoável que parte dos nossos formadores de opinião tentam pintar.

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Não foi, não é e não parece ter vocação para ser algum dia.

Esse clima de ódio não nasceu em 2018. Esse clima de ódio pauta o nosso debate público muito antes de Jair Bolsonaro sonhar em ser um candidato minimamente relevante a qualquer cargo longe do baixo clero do Congresso.

E se acentua a cada vez que uma palestra é impedida numa universidade, ou quando um líder político ameaça “extirpar” a oposição, pegar em armas, derramar um banho de sangue, receber juiz à bala, criar uma lista negra de inimigos do partido e demitir jornalista crítico. Esse clima de ódio se acentua a cada vez que um opositor do partido é acusado de não querer que pobre ande de avião. Ou quando um político da oposição, tomado por um câncer, leva socos e pontapés da militância – e o presidente do partido grita que “eles” apanharão nas ruas e nas urnas. Ou ainda quando um manifestante contrário ao partido é atirado em frente a um carro em movimento e ganha de presente um traumatismo craniano.

Nada disso jamais foi razoável, republicano, democrático, tolerante. E nada disso existe a partir dessa eleição.

Há expoentes do autoritarismo no Brasil para todos os gostos. Mas não se engane: nós não iremos derrotá-los enquanto formos tomados por esse espírito cínico que toma conta do establishment intelectual desse país de quatro em quatro anos.

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Foperfildorodrigo%2Fposts%2F10156147550726596&width=500

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Brasil

Nosso relacionamento com a natureza precisa ser diferente

CAPITAL NATURAL + Marcelo Dutra da Silva | dutradasilva@terra.com.br Algo terrível acontece a nossa volta e nem todos estão se dando conta do perigo. Ultrapassamos os limites impostos pela natureza e a velocidade de consumo dos recursos atingiu taxas sem precedentes na história. A forma mais evidente do nosso descompasso está no aumento populacional. No final […]

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CAPITAL NATURAL +

Marcelo Dutra da Silva | dutradasilva@terra.com.br

Algo terrível acontece a nossa volta e nem todos estão se dando conta do perigo. Ultrapassamos os limites impostos pela natureza e a velocidade de consumo dos recursos atingiu taxas sem precedentes na história. A forma mais evidente do nosso descompasso está no aumento populacional.

No final da segunda guerra somávamos pouco mais de 2,3 bilhões de indivíduos, em outubro de 2011 chegamos aos 7 bilhões e em 2017 alcançamos os 7,6 bilhões. E tudo indica que vamos superar, se confirmadas as expectativas de crescimento populacional, descritas no relatório da ONU “Perspectivas da População Mundial” – Revisão 2017, que prevê chegarmos aos 9,8 bilhões de pessoas em 2050 e a incrível marca dos 11,2 bilhões em 2100. O que quer dizer que a cada minuto colocamos mais pressão sobre a Terra, que é sentida com maior intensidade onde predominam povos com menor grau de desenvolvimento e pobreza.

Estamos elevando a demanda por alimentos, por água e por recursos não renováveis. Aceleramos o ritmo de destruição dos habitats e dos serviços prestados pela natureza. A paisagem está ficando diferente e parte do que foi perdido não poderá ser recuperado. E perceba que há uma mensagem nisso! Devemos repensar nossas escolhas, pois adquirimos um poder tão grande de transformar as “coisas” que não podemos continuar com os velhos métodos, alguns, os mais rudimentares, exatamente os mesmos praticados no período que vivíamos em cavernas.

Desde a descoberta da agricultura ocupamos o espaço e cultivamos a terra da mesma forma. Mas agora a nossa habilidade de transformar precisa acompanhar a demanda e as consequências podem ser desastrosas. Formamos uma ideia equivocada quanto a disponibilidade dos recursos. Passamos a acreditar que os recursos são infinitos, o que não passa de uma ilusão; que podemos explorar o ambiente, produzir bens e consumir indefinidamente; que a economia é capaz de resolver todos os problemas, uma ilusão ainda maior. Afinal, não existe desdobramento econômico na ausência de materiais primários, que são gerados no nível da capacidade de suporte dos sistemas.

Enquanto isso, a Terra aquece e aqueles que mais contribuem para o aquecimento global são os que mais resistem ao controle e redução das emissões de gases do efeito estufa. Apesar dos líderes das nações mais desenvolvidas do planeta terem firmado compromisso histórico de reduzir as emissões, seguindo as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), alguns países ainda evitam endossar quaisquer metas imediatas e vinculantes para suas economias, a exemplo da infeliz iniciativa dos Estados Unidos da América que abandonou o acordo de Paris, firmado em 2015.

No Brasil, a maior parte das emissões está condicionada ao desmatamento e queimadas. E esta é a principal motivação do plano de desmatamento zero, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente. Somos signatários de uma porção de acordos e estamos comprometidos com a ideia de redução das nossas emissões. Mas não é tão fácil. A nossa economia está baseada na atividade primária, que depende do uso extensivo do solo, trazendo mudanças e perdas irreparáveis, sobretudo quando praticadas sem atenção às técnicas conservacionistas e em desconformidade com a Lei e princípios fundamentais dos ecossistemas.

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A derrubada de florestas para a criação de gado e produção de carne bovina ganha repercussão internacional com o boicote das redes supermercadistas que prometem não comercializar carne procedente de área de corte ilegal. Alguns países, inclusive, já manifestaram contrariedade às importações de produtos do desmatamento ilegal, particularmente da Amazônia. No entanto, a redução do desmatamento ainda é muito tímida e é preciso uma posição mais firme e fiscalizadora por parte das autoridades públicas. E é isso que vem agravando o problema, a falta de políticas claras e comprometidas com a ideia de conservação e uso sustentável dos recursos.

No Cerrado, o cultivo de soja vem reduzindo e descaracterizando a paisagem de uma das mais importantes expressões da biodiversidade brasileira. E no Sul a história não é muito diferente. Primeiro a pecuária predatória, depois os monocultivos de eucalipto e agora a soja, o vilão da vez, que vem contribuindo para a redução das áreas naturais campestres, o que precisa ser melhor compreendido pelas pessoas.

A fragmentação das áreas abertas de campo, com a introdução de elementos arbóreos poderá reproduzir efeitos que só serão medidos na escala de tempo. Mudanças que vão além da substituição de habitat ou exclusão de espécies. As barreiras geradas pelos maciços de eucalipto talvez interfiram na trajetória evolutiva dos campos, criando as condições de mudança para as áreas não substituídas pelo cultivo. Entretanto, a velocidade de expansão da soja sobre os campos naturais é tão grande que talvez nem de tempo para que mudanças na fisionomia sejam percebidas e tudo seja perdido antes.

Portanto, precisamos melhorar a nossa percepção e mudar o nosso relacionamento com a natureza. Estamos fazendo errado e multiplicando os erros. As nossas ações não visam consequências. Os nossos instrumentos de licenciamento e controle ambiental mostram-se falhos e quase nunca consideram efeitos de contexto. Dispomos de um arsenal legal de fazer inveja, mas a ineficiência no processo de fiscalização e de punições mais severas acaba patrocinando o exercício de práticas lesivas, o abuso e a impunidade. Enquanto isso, boa parte da academia assiste estática, com um mínimo de envolvimento, quase sempre presa ao plano teórico, com pouca aplicação prática e busca de soluções aos problemas que nos rodeiam.

De outra parte, aqueles que se colocam no interesse de nos representar não falam ou fazem questão de esquecer os problemas ambientais e questões do meio ambiente que precisamos enfrentar com responsabilidade. Precisamos mudar a realidade e precisamos começar a decidir hoje o futuro que queremos para os nossos filhos e netos.

? Marcelo Dutra da Silva é Ecólogo e Professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande.

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Comportamento

Em nota, Reitoria da UFPel repudia intolerância

NOTA DE GESTÃO Com o fim do primeiro turno das eleições presidenciais e o subsequente afunilamento do processo, restando duas candidaturas antagônicas na disputa, temos observado o crescimento da intolerância e o desrespeito constante aos preceitos mais básicos da democracia e do convívio humano. Num espaço de menos de uma semana, professores da Universidade Federal […]

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NOTA DE GESTÃO

Com o fim do primeiro turno das eleições presidenciais e o subsequente afunilamento do processo, restando duas candidaturas antagônicas na disputa, temos observado o crescimento da intolerância e o desrespeito constante aos preceitos mais básicos da democracia e do convívio humano.

Num espaço de menos de uma semana, professores da Universidade Federal de Pelotas foram ameaçados por meio de mensagens de e-mail anônimas e houve relato de gestos violentos e homofóbicos nos campi da UFPel.

A administração da Universidade Federal de Pelotas repudia todo o tipo de intolerância e violência e desde já informa que investigará todas as denúncias recebidas com seriedade, acionando, quando necessário, os órgãos de segurança, em especial a Polícia Federal.

O ambiente universitário deve ser local do livre pensar, do debate de ideias e da liberdade de expressão. Não arredaremos um único milímetro nas premissas fundamentais da Universidade e reafirmamos nosso repúdio a qualquer tipo de violência.

Por fim, manifestamos nossa solidariedade aos servidores e estudantes vítimas de qualquer tipo de violência, e nos colocamos à disposição, enquanto gestores da Universidade, em receber, de modo sigiloso ou não, toda e qualquer denúncia sobre agressões, verbais, gestuais ou físicas recebidas por nossa comunidade.

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Brasil

Tratar bandido como bandido

Qual o “recado das urnas” das eleições 2018? Numa linguagem crua como a do vencedor do primeiro turno, eu diria que a mensagem é “tratar bandido como bandido”. O segundo colocado, Haddad, dá ênfase a programas sociais, mas uma avalanche de votos para Bolsonaro – que quase decidiram a eleição no primeiro turno – mostra […]

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Qual o “recado das urnas” das eleições 2018?

Numa linguagem crua como a do vencedor do primeiro turno, eu diria que a mensagem é “tratar bandido como bandido”.

O segundo colocado, Haddad, dá ênfase a programas sociais, mas uma avalanche de votos para Bolsonaro – que quase decidiram a eleição no primeiro turno – mostra que a população está mais interessada em aumentar o policiamento.

Perfil conservador

A maioria dos novos eleitos tem perfil conservador, em contraste com os governos eleitos nas 4 eleições anteriores. O eleitor deu um voto “à direita” em relação às eleições anteriores, por entender que o momento exige isso.

Há outras mudanças, claro, que expressam um desejo de renovação da política. Muitas figuras carimbadas da política não se elegeram (do Romero Jucá à Dilma, passando pela filha do Cunha) e nomes menos famosos estarão na Câmara, Senado e até em governos estaduais.

O discurso dos programas sociais, da educação e da saúde foi amplamente superado pelo demanda por segurança pública. Num momento em que o país chora mais de 60 mil mortes por ano, as pessoas dão absoluta prioridade ao fortalecimento das polícias. Afinal, 4 eleições sucessivas baseadas no discurso dos programas sociais não resolveu nem diminuiu de modo significativo a criminalidade, o povo decidiu que é hora de endurecer na repressão ao crime.

Não sabemos exatamente como isso será feito, nem qual será o resultado, mas não há outro modo de entender o chamado “recado das urnas”. As pessoas querem dizer algo com o seu voto e esse nos parece o melhor entendimento.

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Ofensas recíprocas

Vi no Facebook uma foto de perfil com uma legenda curiosa, “Coiso 17”, com quem postou ironizando o apelido dado ao seu candidato pelas esquerdas. Já vi petistas também assumirem o apelido de “Petralhas” como também muitos já se assumiram como “coxinhas”, “mortadelas”, etc. Na disputa ideológica as ofensas recíprocas de “corruptos” ou “fascistas” talvez um dia gerem memes mais irônicos e satíricos do que o atual grau de agressividade sugere, nas redes sociais.

A maioria dos eleitores, no entanto, estão pensando mais na sua vida prática, cotidiana, do que nas brigas entre direita x esquerda. As pessoas querem sobreviver e hoje em dia, parece, tem mais medo de levar tiro na rua do que qualquer outra coisa. As próprias escolas e postos de saúde, nas regiões mais populares, tem dificuldades em funcionar devido à falta de segurança.

Muitas “leituras” serão feitas dessas eleições, essa é uma delas, simplificada no que parece mais essencial aos eleitores. Muitos dizem, inclusive, que sabem que há “efeitos colaterais” mas não adianta, no momento, não tem outro jeito. No momento, parece, é o que a maioria acredita.

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Comportamento

Defensores do Parque Una

À medida que as obras do Parque Una avançam, a Idealiza Urbanismo, urbanizadora que responde pelo bairro planejado pelotense, às costas do Shopping Pelotas, tem desenvolvido ações destinadas a fortalecer entre os frequentadores o senso de preservação em relação ao lugar. Desde julho, um grupo de seis Agentes de Convivência do Parque Una se dedica […]

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À medida que as obras do Parque Una avançam, a Idealiza Urbanismo, urbanizadora que responde pelo bairro planejado pelotense, às costas do Shopping Pelotas, tem desenvolvido ações destinadas a fortalecer entre os frequentadores o senso de preservação em relação ao lugar.

Desde julho, um grupo de seis Agentes de Convivência do Parque Una se dedica a esse trabalho, das 15 às 18h dos domingos, dia em que o movimento de visitantes é mais intenso no Parque. Eles dialogam com visitantes que cometem pequenas infrações, alertando-os para a importância de darem sua contribuição para preservar o Parque e manter seus benefícios acessíveis em condições a todos.

Entre outras atividades, o sexteto tem sido responsável pelas “multas morais”, folheto preso aos para-brisas dos veículos, chamando atenção dos motoristas para o fato de que, no Una, seguem valendo as leis do Código de Trânsito e a Normatização Interna, como, por exemplo, não trafegar na contramão ou não ocupar, com um carro, vagas duplas nos estacionamentos, infração comum.

Quando encontram com os motoristas, os agentes, em vez de deixar a “multa moral”, falam com eles.

Ainda neste outubro, o sexteto mudará de nome e figurino, com o objetivo de tornar mais fácil o sempre difícil gesto de pedir a um visitante que mude seu comportamento. Em algum domingo deste mês, o grupo passará a compor o grupamento “Defensores do Una”, uma espécie de Liga Extraordinária de super-heróis vestida a caráter de propósito – para, através do humor, quebrar o gelo inicial das abordagens.

“Eles seguirão fazendo o trabalho atual, mas com maior simpatia”, explica Aline Maciel, responsável pela Liga de Defensores do Una. Foi dela a ideia de criar figurinos-fantasias para a Liga, que, com suas intervenções, já hoje complementa o trabalho realizado pelo setor de Segurança do Una. A própria Aline está desenhando as fantasias.

Os Defensores vão interagir ludicamente com todos, inclusive crianças, para que a abordagem soe totalmente como pretende ser – suave e descontraída, para que as pessoas compreendam o valor do gesto.

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Além do trabalho educativo verbal e por meio de folhetos, os Defensores distribuem sacolinhas para lixo, uteis por si e por recados impressos nas próprias, como sugestões para que não se entre no lago, não se pedale sobre o deck, para que adultos não brinquem no playground, coisas assim.

As fantasias dos seis membros da Liga foram inspiradas no próprio Parque Una.

Juntas, elas concentram visualmente as principais marcas do empreendimento, mesmas digitais, aliás, da Idealiza Urbanismo como empresa. Ei-las: a inspiração na criação arquitetônica, a inspeção onírica que precede a materialização de um sonho grande, a preocupação com a mobilidade urbana para a fluidez dos tráfegos, a interação da tecnologia com a vida – em benefício da convivência e do trabalho humanos, a atenção com o meio ambiente e a crença nos valores liberais, no que se refere ao valor dos indivíduos e à força colaborativa de sua coesão.

O trabalho dos ainda não nominados Defensores do Una, embora já o defendam, vem dando resultados positivos.

“Já se nota uma diminuição na frequência das infrações. Já mais limpa fica no fim do dia a área playground, já menos gente senta no parapeito do elevado da Casa Una, já menos gente estaciona impropriamente. Ainda assim, é um trabalho de longo prazo, como é todo o trabalho educativo”, comenta Aline.

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Comportamento

Tucanos e propina

Desde que um construtor pelotense meu conhecido me contou que um funcionário de confiança do Sanep, do PTB, partido que ocupa a vaga de vice na chapa de Eduardo Leite, cobrou dele (construtor) propina para liberar um empreendimento imobiliário, minha confiança nos tucanos pelotenses acabou. O constrangimento oficial muitas vezes inibe o construtor, que acaba […]

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Desde que um construtor pelotense meu conhecido me contou que um funcionário de confiança do Sanep, do PTB, partido que ocupa a vaga de vice na chapa de Eduardo Leite, cobrou dele (construtor) propina para liberar um empreendimento imobiliário, minha confiança nos tucanos pelotenses acabou.

O constrangimento oficial muitas vezes inibe o construtor, que acaba pagando para não ter seu empreendimento jogado para o fim da fila.

Fiz o que estava em minha alçada. Levei o relato a um amigo que assessora a prefeita na prefeitura, esperando que alguma providência oficial fosse tomada para deter a conduta. Quatro meses se passaram, porém, e nada aconteceu com a pessoa que, segundo o construtor, cobrou a propina.

Por dever de ofício, fiz então um relato sem nomes do fato, no Amigos de Pelotas, tornando o alerta público.

O caso está sendo investigado pelo MP e pela polícia civil.

Às vezes tenho a impressão de que a política tradicional considera fatos assim “normais da atividade”. Quase como se fosse uma prova que separa o mundo adulto, deles, do infantil, nosso.

Quando a gente se depara com casos assim (e confio no construtor, porque o conheço), ficamos nauseados ao vermos os mesmos políticos vendendo a si mesmo como pessoas sérias e honestas.

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Às vezes acho que até mesmo o pagador de propina, quando se diz achacado, no fundo sente orgulho de poder pagá-la, entende?

Como se ser vítima da cobrança fosse uma distinção da personalidade.

É estranho.

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Comportamento

Dois pesos e duas medidas no Centro de Atenção ao Autista

Nesta segunda-feira chuvosa (1), Aline Bandeira, mãe de um garoto autista, entrou com o carro no estacionamento interno do Centro de Atenção ao Autista, em Pelotas. Mãe, filho e uma acompanhante do menino desceram do veículo. O garoto seguiu para o atendimento, Aline e a acompanhante se acomodaram no reservado de espera. Cinco minutos depois, […]

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Nesta segunda-feira chuvosa (1), Aline Bandeira, mãe de um garoto autista, entrou com o carro no estacionamento interno do Centro de Atenção ao Autista, em Pelotas. Mãe, filho e uma acompanhante do menino desceram do veículo. O garoto seguiu para o atendimento, Aline e a acompanhante se acomodaram no reservado de espera.

Cinco minutos depois, um funcionário veio até Aline dizer que ela retirasse o carro do estacionamento. Aline perguntou o motivo, o funcionário respondeu que a lei proíbe propaganda eleitoral dentro de repartições públicas.

O veículo dela trazia colado ao vidro um adesivo de Mateus Bandeira, candidato ao Piratini pelo Partido Novo.

Coincidentemente, Aline é irmã de Mateus Bandeira.

Embora contrariada com a determinação, dadas as circunstâncias (chuva e o comportamento instável do filho), ela obedeceu. Retirou o carro, estacionando-o relativamente longe do prédio do Centro de Atenção, na rua.

No fim do atendimento, o filho e a acompanhante tiveram de enfrentar chuva até chegar ao carro na rua, e o risco de que o garoto, pela condição de saúde, se abalasse entre os carros transitando na via.

Dois pesos e duas medidas

Agora um exemplo oposto: aberta a campanha eleitoral, o candidato Eduardo Leite, acompanhado da prefeita Paula Mascarenhas, do candidato Alckmin e de membros da equipe da campanha eleitoral estiveram no interior do Centro de Atenção ao Autista, gravando cenas no interior do prédio, cenas que foram usadas na propaganda eleitoral de Eduardo Leite.

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Nessa vez, a prefeita Paula ignorou a lei, ferindo-a despudoradamente para atingir um interesse pessoal e partidário dos tucanos, em nome da conveniência pessoal e partidária, já que ela e Leite conhecem a lei.

Mesmo conhecendo, eles a desrespeitaram conscientemente, sem dar importância às consequências legais de seus atos, que – diga-se de passagem – vieram.

Da conveniência pessoal e eleitoral, a prefeita Paula passou a outro extremo: o rigor legal exagerado contra pais de autistas, desconsiderando inclusive as circunstâncias de chuva e dos fatores de risco comportamental dos autistas, obrigados a caminhar sob chuva, em meio ao trânsito, até chegarem aos carros que os transportam.

Os dois episódios, por si só e combinados, são uma prova do que pode ser a ambição ‘desumana’ pelo poder.

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Brasil

Primeiro Turno com responsabilidade

Nós, que reclamamos tanto, temos o poder de decidir os rumos do país nas urnas. Nenhum povo fala tão mal, dos outros e de si mesmo, do que o brasileiro. Pois é hora de assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas – e aceitar as escolhas dos outros faz parte desse processo. O Congresso Nacional – […]

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Nós, que reclamamos tanto, temos o poder de decidir os rumos do país nas urnas. Nenhum povo fala tão mal, dos outros e de si mesmo, do que o brasileiro. Pois é hora de assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas – e aceitar as escolhas dos outros faz parte desse processo.

O Congresso Nacional – Deputados e Senadores – são eleitos no primeiro turno, cuja importância é fundamental, portanto. Toda atenção tem sido dada às polêmicas entre Presidenciáveis, mas quem vencer dependerá do Congresso para aprovar suas propostas.

Existe um Primeiro Turno para garantir que você vote em quem acha melhor, sem passar um “cheque em branco” ao primeiro colocado, se esse não representar a vontade da maioria, no Segundo Turno. Se sua escolha do que seria “melhor” para o país não chegar lá, você ainda pode votar no “menos pior”.

Fatores psicológicos, no entanto, pressionam as pessoas para uma espécie de “antecipação” do segundo turno, fazendo crescer índices dos que as pesquisas indicam estar na frente. É fácil entender isso, quando se forma uma maioria em uma determinada região, as pessoas daquela região pressionam seus conhecidos para fazerem o mesmo.

Pressões psicológicas geram consequências, se fossem inúteis não existiriam. No Brasil, em especial, devido à nossa baixa autoestima, o povo sente necessidade de votar “em quem vai ganhar”. Isso vale para os times de futebol – quem ganha títulos, ganha torcedores – e para candidatos também, quem sobe no Ibope, ganha simpatizantes.

Além de votar “em quem ganha”, também gostamos de estar bem com as pessoas que nos cercam. É a necessidade psicológica de “aprovação do grupo”. São essas pressões grupais que tendem a aumentar o apoio para quem está na frente naquela região.

Esses fatores psicológicos – a necessidade de “votar em quem vence”, somada à de “ser aprovado pelo grupo” – tendem a gerar grande polarização, como é previsível em estados do sul ou do nordeste, por exemplo. Dos cerca de dez milhões de gaúchos ou paranaenses, pernambucanos ou baianos, é previsível uma grande polarização já no primeiro turno.

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A situação ideal – de que o eleitor esteja atento ao Congresso e à escolha do “melhor”, no Primeiro Turno – resulta difícil de acontecer, quando votar se torna um ato emocional, semelhante a torcer para um time de futebol. Podemos estar dando um “cheque em branco” aos que estiverem na frente, ao invés de demonstrar quem, afinal, melhor nos representa.

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