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Pelotas & RS

Eduardo Leite diz “querer modernizar a gestão pública gaúcha”. Há controvérsias

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Título de entrevista do ex-prefeito Eduardo Leite, do PSDB, postulante ao Piratini, ao Diário Popular desta segunda-feira (10): “Temos que modernizar a gestão pública”.

Seria ótimo, mas a desconfiança anda impossível.

Afinal, nos seis anos de gestão tucana em Pelotas, quatro com Leite na cadeira de prefeito e quase dois anos com Paula Mascarenhas, sua sucessora, é cristalino como água de praia grega que por aqui não houve modernização administrativa alguma.

Pelo contrário, após um período em que parecia assistirmos uma renovação na forma de fazer política, os tucanos locais se renderam ao velho modo paroquial de gestão, baseado no que podemos chamar de “inércia conveniente”, constituída basicamente por três coisas:

  • Aparelhamento grosseiro do município por partidários da base de apoio sem preparo adequado para as funções que ocupam, em alguns casos em conflito ético, como na Secretaria de Cidade e Mobilidade Urbana;
  • Inchaço do volume de cargos de confiança e, mais grave:
  • Protelamento de decisões, aparentemente com receio da repercussão em termos eleitorais.

Aparelhamento

A maioria dos membros de partidos locais é formada por pessoas sem convicção ideológica, sem profissão definida e sem atuação na atividade privada que vê nos partidos apenas um meio de sobrevivência financeira, pelo qual fazem o que for necessário, provavelmente com cínico desencanto. Estamos falando de um contingente de mediocridade pessoal que não ajuda a “emancipar” a cidade, só ajuda a eles próprios e ao poder da hora. São os mesmos rostos há muitos anos, décadas até, umas pessoas obscuras, embora evidentemente simpáticas, que fazem questão de continuarem obscuras, porque essa é a natureza do negócio.

Um teste: Diga rápido, qual foi o secretário ou técnico da prefeitura que se destacou nos últimos 20 anos por sua capacidade? Provavelmente não lembrará, pois a condição para “ser aceito” é não fazer sombra aos atores principais, os prefeitos, cujo maior sonho secreto é mudar da cidade, lá para as bandas de Porto Alegre e Brasília.

Acrescente-se que a maior parte da equipe oficial tem a benção de vereadores, que ficam subservientes aos prefeitos. É um “jogo de estratégia” provincial. Em alguns casos, há membros trazidos não pela mão de vereadores, mas por suas boas relações com o mercado (pessoal do dinheiro), como o setor da construção civil, sempre tratado com consideração pelos governos dos partidos tradicionais, como PSDB, PT, PTB, PP etc.

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Conflito ético

Jacques Reydams: conflito ético aceito como normal

O parágrafo acima insere a deixa para lembrar o tal conflito ético mencionado lá em cima, caso do secretário de Cidades e Mobilidade Urbana, Jacques Reydams, do PP. O descendente belga JR é dono de uma empresa que faz fundações para obras de construtoras. Mesmo assim, como secretário de governo [que coisa!], Jacques é responsável na prefeitura por conceder licenças a empreendimentos imobiliários das mesmas empresas que têm como clientes em sua firma de fundações.

Uma vez no cargo, e nas circunstâncias descritas, suas ações criaram um ambiente de mal-estar e desconfiança entre construtores concorrentes, ao ponto de uma construtora local ter feito em 2017 uma denúncia ao Ministério Público, depois que JR tomou uma decisão incompatível com a legislação, em claro favorecimento de outra construtora local específica.

À luz da razão, é uma evidente incompatibilidade ética. Ocorre que os tucanos não veem problema nela, como prova a foto abaixo, em que JR (e também a prefeita e o ex-prefeito) se misturaram aos construtores denunciados pelos concorrentes num convescote promovido às expensas daqueles numa obra, obra aliás sem Habite-se, outra irregularidade, ainda que menor.

Jacques abraçado com construtor em festa deste

Algum crime grave? Não. Só um retrato do Brasil, herdeiro do lusitano legado de mesclar público e privado com a maior familiaridade. Na mesma festa, prefeita Paula aparece numa selfie ao lado da esposa de um dos sócios da construtora denunciada pela concorrente. E o ex-prefeito Leite aparece misturado a todos, batucando um pandeiro, tudo publicado no face da construtora.

Só numa velha administração típica brasileira se verificam cenas de promiscuidade iguais, sem que ninguém fique ruborizado. Eis os tucanos. Lembrou-se das intimidades de Lula e do PT com empreiteiros? Pois é.

Inchaço de cargos de confiança

Agora vamos ao inchaço no volume dos cargos de confiança. Até as pedrinhas das calçadas brasileiras sabem que os cargos de confiança, os chamados ccs, são utilizados, em maioria “esmagadora”, para conter o humor dos legislativos. Pelotas poderia fazer diferente, mas não faz.

Pior que o aparelhamento incompetente é quando um governo decide, mesmo com cerca de 500 ccs, como a prefeitura tem, criar por canetaço mais uma penca deles. Foi o que ocorreu no governo atual, em dezembro de 2017. Da noite para o dia, em vez de reduzir o número de ccs, a prefeitura fez o oposto: pressionando a caneta sobre um pedaço de papel, prefeita Paula caligrafou para os anais da história a criação no precário Sanep, há décadas usado como cabide de emprego de partidários convenientes, de mais 17 cargos de confiança na autarquia.

As novas vagas de ccs no Sanep foram usadas para alojar sobretudo gente do PTB, partido do candidato vice de Leite (Ranolfo Vieira), onerando a folha de pagamento da autarquia de débeis serviços em mais de R$ 2 milhões por ano.

Barriga perdeu a vaga na Câmara, mas foi alojado no Sanep

Um dos beneficiados da lista dos 17 foi “Barriga”, do PTB, depois que o então vereador foi obrigado a deixar a Câmara após reavaliação judicial dos votos do pleito passado (a vaga de Barriga foi ocupada por Sizenando, do DEM).

Sabe lá o que é isso numa cidade carente de serviços públicos aceitáveis? Pois foi assim e tem sido porque a lógica tucana, mesmo que bonita no discurso, é na prática antiga.

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Em seu “jogo de estratégia”, eles fazem o que for necessário – o problema é que o jogo é financiado com dinheiro de imposto, aumentado inclusive para fins políticos como este, como fez Leite com o IPTU, e como fez também com a Taxa de Lixo,  que o tucano – lembre-se – prometeu “não criar se a Câmara aceitasse aumentar o IPTU”, mas que acabou criando mesmo assim, descumprindo a palavra, no apagar das luzes de seu governo – veja a prova da promessa quebrada, no documento abaixo.

Eduardo Leite prometeu que não criaria Taxa de Lixo se Câmara aprovasse o aumento do IPTU, mas quebrou a promessa

Protelamentos

Acompanhe-nos agora no capítulo dos “protelamentos estruturais” no sentido da “modernização da administração e consequente melhoria dos serviços públicos”, que o candidato Leite prometeu para o estado gaúcho caso chegue ao Piratini, na entrevista ao DP.

Saneamento

No começo de sua gestão, Paula disse que sua principal meta era universalizar o saneamento básico por meio de Parceria Público Privada ou da concessão dos serviços. A oposição levantou a gasta suspeita de “privatização do Sanep”.

Dois anos se passaram, nada foi feito naquela direção, e é óbvio que, ao menos até a eleição para o governo do estado, nada será feito, fazendo presumir que o governo calcula seus passos administrativos em função da agenda eleitoral por maiores espaços de poder. Enquanto isso, Pelotas, no que é essencial, vai ficando para trás.

Sede da Câmara de Vereadores

Luiz Henrique Viana ameaçou avançar rumo à sede própria da Câmara. Mas desistiu

Agora, antes de voltarmos ao Executivo, um exemplo no Legislativo.

O tucano Luiz Henrique Viana, que hoje concorre a deputado estadual, presidia a Câmara em 2017 e, nessa condição, visitou algumas áreas para construção da sede definitiva da Câmara.

Igualmente, porém, nenhum passo deu nessa direção, encerrando o seu mandato mantendo o atual regime de desperdício de aluguel da sede, locação mensal de R$ 40 mil mensais.

A inércia em relação ao tema permanece na gestão atual da Câmara, onde o atual presidente, Anderson Garcia, PTB, sequer toca no assunto, como se fosse delicado bulir com ele antes da eleição, e até depois.

Lembre-se, o PTB é vice na chapa de Leite ao Piratini.

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Exames de pré-câncer

Ana Costa: mantida no cargo se secretária de Saúde apesar de ter ignorado alertas de insegurança nos exames de câncer

Nesta altura, por depoimentos e documentos apresentados em CPI na Câmara, ficou claro que a prefeitura foi avisada duas vezes, em 2014 e em 2017, da insegurança dos exames de pré-câncer de colo de útero feitos através do sistema de saúde municipal.

A secretária de Saúde Ana Costa, alertada um par de vezes, nada fez para investigar a possibilidade. Protelou.

A prefeitura só foi agir há pouco, neste 2018, depois da confirmação de pelo menos duas mortes de mulheres por câncer, cujos exames davam “negativo” para a doença. E do fato de que pelo menos outras duas mulheres, mesmo com resultados negativos, terem manifestado a doença e estarem em tratamento.

Afastada por 15 dias, Ana Costa foi reconduzida ao posto de titular da Saúde, como se nada houvesse acontecido. Porque se o governo a demitisse estaria assinando uma confissão de culpa, algo indesejável numa véspera de eleição. De novo, outro protelamento.

O caso é investigado também pelo Ministério Público e a Polícia Federal e, querendo-se ou não, a verdade, cedo ou tarde, vai aparecer.

Outro protelamento, “a rodoviária”

Rodoviária, serviço péssimo, dirigida por um diretor de bloco burlesco e um ex-diretor do Xavante

Apesar dos péssimos serviços do Terminal Rodoviário, Pelotas é o único dos 497 municípios gaúchos onde a rodoviária é “administrada” pela Municipalidade, via autarquia Eterpel, presidida por um diretor do Bloco Burlesco Bafo da Onça, tendo como diretor um ex-diretor do Xavante, que agora concorre a deputado estadual pelo PP.

Nem um nem outro possuem formação para administrar o setor de Transportes, mas isso não tem a menor importância num cenário em que o governante, em vez de privilegiar a capacidade técnica, prefere não desagradar os partidos, principalmente os que valorizam como representantes pessoas ligadas ao Carnaval e ao Futebol.

√ Sabe o que é tudo isso, certo? É o velho Brasil do compadrio.

O instinto de sobrevivência dos tucanos pelotenses parece proporcional à própria ambição, talvez aí esteja o problema. Apesar de relativamente jovens, eles têm medo de romper com os velhos esquemas da política tradicional.

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Por isso, quando Eduardo Leite fala que “Temos que modernizar a gestão pública (gaúcha)”, é impossível não manter de pé muitas dúvidas. Se ele não modernizou como podia em nível municipal, pensando em não atrapalhar o caminho político até o Piratini, é justo perguntar se o faria se chegasse à cadeira mais alta daquele Palácio.

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1 Comment

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  1. Valdeci Mesquita

    12/01/19 at 19:51

    “Um teste: Diga rápido, qual foi o secretário ou técnico da prefeitura que se destacou nos últimos 20 anos por sua capacidade”?

    Tenho comigo que um dos Secretários que de fato se destacaram no Município, foi ainda no governo do Fetter; Luiz Brandão, da Secretaria de Habilitação. Ventilado também para concorrer ao Paço Municipal.

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor.

Brasil & Mundo

Banco do Brasil faz mutirão de renegociação de dívidas

Também será possível descontos nas taxas de juros e prazo de até 100 meses

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O Banco do Brasil (BB) começa nesta segunda-feira (6) um mutirão de negociação de dívidas que vai até o dia 17 de dezembro, com descontos de até 95% para pagamento à vista das dívidas vencidas. Também será possível descontos nas taxas de juros e prazo de até 100 meses para renegociação a prazo de operações vencidas, conforme o banco.

“As condições estão disponíveis para mais de 3,5 milhões de clientes – pessoa física, produtor rural e pessoa jurídica, que possuam dívidas inadimplidas oriundas de operações de crédito pessoal, cartão de crédito, cheque especial e outras”, diz nota da instituição financeira.

Para fazer a negociação os clientes podem procurar as agências do banco também os canais digitais: internet, App, WhatsApp (61-4004-0001) e pela Central de Atendimento (4004-001/ 0800 729 0001). 

Segundo a gerência executiva da Unidade Cobrança e Reestruturação de Ativos Operacionais do BB, o mutirão de renegociação “visa proporcionar aos nossos clientes a possibilidade de renegociar suas dívidas, para começar 2022 tranquilo, além de incentivar a educação e planejamento financeiro pessoal e contribuir para a retomada da economia”.

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Especial

Hospital Escola recebe R$ 1,2 milhão e vai adquirir mamógrafo

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O Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE UFPel) foi contemplado com uma parcela extra do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) no valor de R$ 1.265.155,50.

Deste total, o valor de R$ 910.155,50 será destinado à aquisição de um novo mamógrafo para a instituição e R$ 355.000,00 serão destinados à continuidade da implementação da Gestão de Acesso do HE.

Esse recurso provém da redistribuição de valores não executados na rede, para hospitais que estão com processos licitatórios concluídos e com capacidade administrativa de executar o recurso. Essa aquisição é fruto do planejamento e eficiência administrativa do Hospital Escola da UFPel.

“O mamógrafo que será adquirido é um equipamento de ponta que traz mais qualidade ao exame de mamografia ofertado e aumento significativo na capacidade operacional, a fim de atender uma importante demanda da nossa população. Vamos contribuir fortemente na eliminação da lista de espera pelos exames de mamografia, essenciais para prevenção e tratamento do câncer de mama”, destacou a superintendente do HE, Samanta Madruga.

Conforme a gerente de atenção à saúde, Carolina Ziebell, atualmente o HE tem contratualizado com a Prefeitura de Pelotas via Sistema Único de Saúde (SUS), 600 mamografias por mês, porém tendo em vista que o aparelho atual está em via de desativação em função das atualizações tecnológicas que tornaram o equipamento defasado e antieconômico, a verba recebida será empenhada para um novo equipamento, inclusive com tecnologia mais avançada.

“Com a chegada deste novo aparelho teremos uma qualificação do exame, pois ele faz uma imagem com maior qualidade e retomaremos os 600 exames ao mês, podendo inclusive aumentar esta produção, se for o interesse do gestor municipal”, explicou Carolina.

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O mamógrafo digital irá ser utilizado imediatamente após o recebimento e instalação, não sendo necessária qualquer ação de infraestrutura para o pleno funcionamento. Conforme a gerente administrativa, Daniele Zaffalon, a previsão de entrega é cerca de 120 dias.

Já a Gestão de Acesso é uma demanda antiga do Hospital Escola, que prevê a solução de tecnologia da informação com objetivo de dar segurança à instituição através da identificação no acesso das pessoas ao hospital, utilizando critérios pré-configurados e registrando todos os eventos relativos a esta atividade.

De acordo com o chefe do Setor de Planejamento, Mauro Calderipe, o HE foi o hospital que recebeu mais recursos extras dentro de toda rede, tendo em vista que o planejamento havia sido bem executado, com as licitações concluídas no tempo adequado e a capacidade de empenho dentro do tempo previsto.

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Especial

UFPel identificou autor da mensagem “Fora Bolsonaro” no Pave

Instituição instaurou processo administrativo para apurar fatos e responsabilidades

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Nota da UFPel sobre mensagem de cunho político na prova do PAVE

A administração da Universidade tomou conhecimento, no último domingo (5), de inclusão em sua prova do Programa de Avaliação da Vida Escolar (PAVE) de formatação de caracteres em negrito compondo mensagem de cunho político na folha de instruções. (mensagem FORA BOLSONARO)

Cumpre informar à comunidade que a autoria da iniciativa já foi identificada, que não há qualquer indício de ofensa à integridade da prova e que já foi instaurado processo administrativo destinado à plena apuração dos fatos e responsabilidades.

A UFPel reitera seu compromisso com a comunidade universitária e regional com a transparência, integridade e regularidade de todos seus processos.

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