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Mundo

Um Prêmio Nobel para Donald Trump, por favor!

Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz. O que ele fez para tê-lo? Absolutamente nada. A justificativa segundo aqueles que conhecem os bastidores da Academia Nobel era que diante das grandes esperanças nele depositada o prêmio foi deferido como um voto de confiança. Donald Trump, por sua vez, sem apertar um único botão, ainda que […]

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Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz. O que ele fez para tê-lo? Absolutamente nada. A justificativa segundo aqueles que conhecem os bastidores da Academia Nobel era que diante das grandes esperanças nele depositada o prêmio foi deferido como um voto de confiança.

Donald Trump, por sua vez, sem apertar um único botão, ainda que exista um em sua mesa, colocou fim ao programa de armas nucleares da Coreia do Norte, com o detalhe de que não há sequer provas cabais de que o mesmo tenha existido, logo uma ameaça, ao menos, deixou de existir.

Trump é digno de um Nobel da Paz.

Era recorrente ler que Kim Jong-Un haveria de instaurar uma Guerra. Por sorte, agora, o verbo está conjugado no futuro do pretérito.

Qualquer conflito armado no sudeste asiático seria insolente para toda a economia global, explico. Dos 10 maiores portos do mundo, 9 estão localizados ou na China, ou na Coreia do Sul ou em Cingapura. Um conflito armado na região não impediria, mas dificultaria o tráfego de mercadorias das maiores locomotivas industriais da Ásia.

Não custa lembrar que as duas Coreias estão situadas na mesma península. O maior porto coreano é o de Busan, o qual seria fortemente afetado por um conflito armado. O leitor pode ficar despreocupado. Não haverá uma 3ª Guerra Mundial.

Se houve uma guerra, ela se deu entre palavras, uma vez que Trump sabia das consequências de um eventual ataque nuclear à Coreia do Norte, pois esse afetaria diretamente a Coreia do Sul, sua aliada, como mencionei acima, além dos portos chineses.

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Qualquer ação bélica não era desejada pela própria Coreia do Sul, pois ainda há famílias que estão separadas desde o processo de divisão do território nacional, que se iniciou em 1948 e foi potencializado pela Guerra da Coreia, de 1950 a 1953.

Há laços que nem mesmo a arrogância dos norte-coreanos consegue romper. Sabe-se que entre os dois países há um total de 33 linhas telefônicas ativas, mas o diálogo foi restabelecido em razão dos Jogos Olímpicos de Inverno, findos há algumas semanas.

A Coreia do Norte, ao seu tempo, nunca teve o conhecimento razoável para produzir Mísseis Balísticos de Alcance Intercontinental (ICBM), quiçá para munir o seu líder de um botão capaz de ativar os tão falados ICBMs.

Kim Jong-Un luta, em verdade, para sobreviver, por isso o acordo informal de paz com os EUA é interessante. Mais comida e suprimentos podem chegar à Coreia do Norte com a simpatia de Donald Trump, que tem o poder suficiente para reduzir as sanções aplicadas pela comunidade internacional.

A decisão mais recente do Conselho de Segurança da ONU restringiu, ainda mais, o acesso do País à importação de petróleo, seja bruto, seja refinado, e determinou que todos os norte-coreanos que trabalham no exterior sejam repatriados em até 24 meses.

O fim do programa nuclear, repito, se é que um dia ele existiu, pode pôr fim tal celeuma. Não custa lembrar que as medidas repressivas contra a Coreia do Norte têm sido tomadas de forma unilateral pelos EUA desde 2008, ainda sob o Governo Bush, o qual vetou a importação de qualquer produto de origem norte-coreana.

O próprio governo Chinês, por meio de seu embaixador Wu Haitao, avalizou que as medidas adotadas pela ONU e pelos EUA são uma resposta de que a comunidade internacional rejeita a inversão bélica realizada pela Coreia do Norte.

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Por fim, conto ao leitor que de fato existe um botão na mesa de Donald Trump, mas ele curiosamente tem a simples função de “ativar” a Copa da Casa Branca a trazer-lhe refrigerante dietético.

O processo de ativação de uma das mais de 900 ogivas nucleares que os EUA requer um método complexo. É necessária a convocação do Conselho de Defesa, que envolve o mais alto escalão do Pentágono.

Igualmente há uma “maleta”, em que o Presidente ou o encarregado digita o código de ativação de cada ogiva, para só assim autorizar o disparo do Míssil Balístico, o qual pode ser por meio de um ICBM, ou até mesmo por meios ordinários, como Navios de Guerra, Submarinos e Aeronaves Bombardeiras, dos quais cito o B-2B, conhecido como “avião morcego”.

Foi por meio de dois aviões bombardeiros que Hiroshima e Nagasaki foram destruídas, quando as ogivas foram disparadas de aeronaves B-29, a qual, até hoje, a Coreia do Norte seria incapaz de produzir.

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Cultura

Morreu Aznavour

Morreu Aznavour, aos 94 anos, dormindo na sua casa, no sul da França. Toda vez que alguém morre, algo na gente se desestabiliza. Cada morte é uma pequena morte pra nós. Na casa da minha juventude, Aznavour cantava pra nós. Uma vez, meus irmãos e eu, ainda crianças, vimos mãe e pai, numa data festiva, […]

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Morreu Aznavour, aos 94 anos, dormindo na sua casa, no sul da França.

Toda vez que alguém morre, algo na gente se desestabiliza. Cada morte é uma pequena morte pra nós.

Na casa da minha juventude, Aznavour cantava pra nós.

Uma vez, meus irmãos e eu, ainda crianças, vimos mãe e pai, numa data festiva, dançando de rosto colado, ao som de She. Eles jovens ainda, sorrindo.

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Cultura

Joseph Pulitzer: Jornalista não tem ‘amigo’

Por Paulo Nogueira Ao longo da história, qual foi o jornalista mais inovador? Uma resposta boa para essa pergunta é Joseph Pulitzer, alemão de origem que fez história nos Estados Unidos no final do século 19 com seu jornal World. Foi Pulitzer quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele […]

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Por Paulo Nogueira

Ao longo da história, qual foi o jornalista mais inovador?

Uma resposta boa para essa pergunta é Joseph Pulitzer, alemão de origem que fez história nos Estados Unidos no final do século 19 com seu jornal World.

Foi Pulitzer quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete, assim, bem como a primeira página. Era um jornalista brilhante, ambicioso, e inevitavelmente acabou tendo seu próprio jornal. Sua lógica como empreendedor no jornalismo era irretocável: “Circulação significa anúncio, anúncio significa dinheiro, dinheiro significa independência”.

Essa independência não era estendida para os jornalistas que trabalhavam para ele.

Pulitzer disse a um deles:

“Acima de tudo, você é pago para veicular minhas ideias, meus anseios, meu julgamento”.

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Se aquele funcionário fosse talentoso como ele próprio, Pulitzer lembrou, já teria “seu próprio jornal”. Nunca um barão da imprensa foi tão claro, como Pulitzer, em relação a quem manda na redação.

Sua visão de jornalismo é ainda hoje perfeita. “Para se tornar influente, um jornal tem que ter convicções, tem que algumas vezes corajosamente ir contra a opinião do público do qual ele depende”, afirmou.

Era um idealista, um liberal, um homem quase de esquerda. “Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem-estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”, escreveu.

Tinha uma frase que me me tem sido particularmente cara na carreira: “Jornalista não tem amigo.”  Como a “Deusa Cega da Justiça”, afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. “O World, por isso, é absolutamente imparcial e independente.”

Era um intelectual, um leitor voraz. Certa vez reconverteu Shakespeare do alemão  para o inglês apenas para ver a qualidade da tradução alemã. Lia Platão e Aristóteles em grego. Quando problemas nos olhos o deixaram cego, empregou secretárias para que lessem para ele.  Tinha um prazer particular em ouvir histórias eróticas em alemão.

Seu catálogo de inovações inclui a fundação de uma escola de jornalismo na Universidade de Colúmbia, na qual o principal ensinamento deveria ser “ética”, e a criação de um prêmio jornalístico que se tornaria o mais importante do mundo, e que hoje conserva vivo o sobrenome do seu mentor.

Não bastasse tudo, Pulitzer inventou indiretamente ainda o formato dos tablóides. Pouco antes de 1900, ele contratou um jovem jornalista que vinha sacudindo a imprensa inglesa  para cuidar de uma única edição: a da virada do século. Foi dado ao inglês, Alfred Harmsworth, poder total nessa edição. Ele decidiu reduzir o formato do jornal para algo mais aproximado de um livro. Surgia o tablóide.  (Harmsworth faria posteriormente história no jornalismo inglês.)

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Ele só não conseguiu uma coisa: ser feliz.  Foi essêncialmente um gênio atormentado. Epicuro escreveu que felicidade é saúde, é ausência de dor – e a cegueira foi apenas um dos males de Pulitzer. Não suportava barulho em seus últimos anos. Nos hotéis em que ficava, nenhum quarto no andar do seu era ocupado para a obtenção de silêncio.

Jamais chegou “perto da felicidade”, segundo o relato de seu filho Joseph.

Se você quer aprender a viver, esqueça Pulitzer. Mas se quer aprender jornalismo estude-o com profundidade.

Publicado originalmente no dcm.

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Comportamento

3.677 crianças vítimas de abuso sexual por 1.670 clérigos na Alemanha

Milhares de crianças foram abusadas sexualmente por padres entre 1946 e 2014 na Alemanha, de acordo com um estudo sobre a Igreja Católica alemã que é acusada de esconder os fatos – informaram vários jornais nesta quarta-feira (12). Lançado em 2014, este estudo abrangente será apresentado em 25 de setembro em Fulda (estado de Hesse) […]

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Milhares de crianças foram abusadas sexualmente por padres entre 1946 e 2014 na Alemanha, de acordo com um estudo sobre a Igreja Católica alemã que é acusada de esconder os fatos – informaram vários jornais nesta quarta-feira (12).

Lançado em 2014, este estudo abrangente será apresentado em 25 de setembro em Fulda (estado de Hesse) durante a Conferência Episcopal Alemã por seu presidente, cardeal Reinhard Marx.

Pelo menos 3.677 crianças, a maioria meninos com menos de 13 anos, foram vítimas de abuso sexual por 1.670 clérigos, de acordo com este relatório, que foi consultado pela revista “Der Spiegel” e pelo jornal “Die Zeit”.

Por três anos e meio, um grupo de pesquisadores das Universidades de Mannheim, Heidelberg e Giessen examinou 38.000 dossiês e manuscritos de 27 dioceses alemãs transmitidos pela Igreja. Eles não tiveram, porém, acesso direto aos arquivos.

De acordo com o relatório, por décadas a Igreja “destruiu ou manipulou” inúmeros documentos ligados aos suspeitos e “minimizou” a seriedade e a extensão dos acontecimentos.

Segundo o relatório, os padres acusados eram frequentemente transferidos sem que se avisasse os fiéis sobre o possível perigo destes párocos para as crianças em suas novas dioceses.

No total, apenas um terço dos suspeitos enfrentou julgamentos de acordo com a lei canônica, mas as sanções foram mínimas, mesmo inexistentes, dizem os autores do relatório.

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Durante vários anos, a Igreja Católica na Alemanha, como em todas as partes do mundo, foi abalada pelas revelações do abuso sexual.

Em 2017, um relatório revelou que pelo menos 547 crianças do coro católico de Regensburg (no Alto Palatinado, Baviera) foram vítimas de brutalidade entre 1945 e 1992.

Vergonha

A Igreja católica alemã afirmou sentir “vergonha”, depois da revelação do conteúdo do relatório de especialistas.

“Estamos cientes da extensão dos abusos sexuais que foi apontada pelos resultados do estudo. Estamos chocados e envergonhados”, declarou o bispo Stephan Ackerman em um comunicado em nome da Conferência dos Bispos da Alemanha.

Segundo ele, este relatório tem como objetivo trazer “mais clareza e transparência sobre esta página obscura da história da Igreja”.

Ackerman denunciou o fato de que este relatório, encomendado pela Igreja há quatro anos, tenha vazado para a imprensa antes de sua apresentação para a conferência episcopal marcada para 25 de setembro.

O bispo ressaltou que os membros desta assembleia “não foram informados sobre a totalidade do estudo”.

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O dignitário também assegurou que o vazamento na imprensa é “um duro golpe para as vítimas de abusos sexuais”, de modo que um número de telefone de apoio foi acionado.

De acordo com o relatório, os clérigos acusados ??eram frequentemente transferidos sem que os fiéis fossem avisados ??do perigo potencial para as crianças.

Ao todo, apenas um terço dos suspeitos enfrentou processos sob a lei canônica, mas as sanções foram mínimas, ou inexistentes, indicam os autores do relatório.

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Eleições

Hillary, 93%; Trump, 7%

O Novo tem feito uma campanha de alto nível nas redes sociais. Conteúdo e forma. Com essa abaixo, o partido diz que nunca se deve desistir da vitória. Campanha de Mateus Bandeira (Partido Novo) ao Piratini relembra nas redes sociais:

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O Novo tem feito uma campanha de alto nível nas redes sociais. Conteúdo e forma.

Com essa abaixo, o partido diz que nunca se deve desistir da vitória.

Campanha de Mateus Bandeira (Partido Novo) ao Piratini relembra nas redes sociais:

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Brasil

Juízes do STF no Brasil já ganham cinco vezes mais que colegas europeus, mesmo sem reajuste

De André Shalders, na BBC Brasil No começo da noite desta quarta-feira, sete dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram incluir no Orçamento de 2019 uma autorização para que eles próprios recebam um reajuste salarial de 16,3%, a partir do próximo ano. Se a proposta for aprovada pelo Congresso, o salário dos ministros do STF passará dos […]

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De André Shalders, na BBC Brasil

No começo da noite desta quarta-feira, sete dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram incluir no Orçamento de 2019 uma autorização para que eles próprios recebam um reajuste salarial de 16,3%, a partir do próximo ano. Se a proposta for aprovada pelo Congresso, o salário dos ministros do STF passará dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.

O ministro Ricardo Lewandowski, autor de um dos votos favoráveis à medida, chegou a dizer que o reajuste era “modestíssimo”.

Se comparados com os vencimentos de juízes em outros países, porém, os contracheques do Judiciário brasileiro estão longe de ser modestos. Um estudo de 2016 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, o salário-base de R$ 33,7 mil do Supremo Tribunal Federal corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).

Em 2014, um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. Ao câmbio de hoje, o valor equivaleria a cerca de R$ 287 mil – ou R$ 23,9 mil mensais.

Segundo a última edição do relatório Justiça em Números, produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Eles custam cada um, em média, R$ 47,7 mil por mês – incluindo salários, benefícios e auxílios. O custo de um magistrado é portanto quase 20 vezes a renda média do trabalhador brasileiro.

Se os salários no STF forem reajustados para R$ 39,3 mil, passarão a ser 39 vezes maiores que o salário mínimo previsto para 2019 – de R$ 998.

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(…)

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Cultura

Lá vou eu falar de Chaplin de novo

Lá vou eu de novo falar do Chaplin. Mas é que estou lendo a biografia definitiva sobre o baixinho, assinada por David Robinson (Novo Século Editora, 2012). Deparei com o trecho abaixo ontem. Achei sensível, profundo no sentido da verdade e da essência das coisas. Divido com os amigos. Trecho Ninguém antes dele (Chaplin), ou […]

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Lá vou eu de novo falar do Chaplin. Mas é que estou lendo a biografia definitiva sobre o baixinho, assinada por David Robinson (Novo Século Editora, 2012).

Deparei com o trecho abaixo ontem. Achei sensível, profundo no sentido da verdade e da essência das coisas.

Divido com os amigos.

Trecho

Ninguém antes dele (Chaplin), ou até então, tivera tamanha carga de idolatria sobre si; não era ele ou seus críticos, mas as multidões que se amontoavam em todos os cantos em sua turnê mundial que o tinham lançado ao papel de símbolo de todos os pobretões do mundo.

Sobreviver a isso, continuando são e humano, era como um milagre. Chaplin sentia profundamente o peso e a responsabilidade.

Em um acesso repentino, em 1931, Chaplin disse a Thomas Burke:

“Mas Tommy, não é patético, não é horrível que essas pessoas se reúnam em torno de mim e gritem ‘Deus o abençoe, Charlie!’ e queiram tocar meu casaco, e riam, e até mesmo derrubem lágrimas? Eu os vi fazer isso — se eles conseguem tocar minha mão. E por quê? Por quê?

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Simplesmente, porque eu os alegrei.

Meu Deus, Tommy, que tipo de mundo horrendo é este — que faz as pessoas viverem vidas tão miseráveis que, se alguém as faz rir, elas querem se ajoelhar e tocar seu casaco, como se ele fosse Jesus Cristo trazendo-os de volta do mundo dos mortos?

Dizem uma coisa da vida: dizem que há um belo mundo para se viver. Quando essas multidões se reúnem à minha volta desse jeito — mesmo sendo para mim, pessoalmente, como é — fico mal espiritualmente, pois eu sei o que está por trás disso.

Tanta sordidez, tanta feiura, tamanha miséria, que, simplesmente, porque alguém os ‘fez rir e esquecer’, eles pedem que Deus o abençoe”.

Burke percebeu que Chaplin não tinha compreendido.

“Não era o mundo que estava errado: Era o próprio Charlie. Ele pedia demais. Se ele apenas pudesse ser tão tolerante quanto o ‘Carlitos’, seria mais feliz.

Um pequeno degelo de seu desapego gélido; alguma coisa pequena que o ajudasse a ver o mundo claramente como um mundo, em vez de vê-lo através de seu temperamento; uma visão do mundo como um lugar não inteiramente dedicado à ruptura do nobre e do belo, e ele chegaria à compreensão pela qual homens tão agudamente sensíveis, como ele mesmo, conseguem viver felizes neste chiqueiro.

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Muitos dos problemas de sua vida privada — e ele teve muitos — nasceram de sua própria falta de paciência com a natureza humana.

Com uma vasta experiência de vida, ele parece, no entanto, não ter se beneficiado dela.

Ele conhece as pessoas e é um juiz rápido de caráter, mas não consegue ajustar seus ideais a fim de conseguir vivê-los. Ele tem percepção intelectual, mas não foi aquecido pelos raios da tolerância, e é, portanto, estéril.

Mas o que quer que seja — generoso, frio, caprichoso —, ele evoca minha afeição como homem, e toda a minha admiração como artista”.

Não é interessante?

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Editorial

O tal do “fenômeno Bolsonaro”

Bolsonaro não é a pessoa mais sensata, simpática e brilhante do mundo. A esquerda vê problema nisso. Acontece que Dilma também não possui aqueles predicados e foi eleita duas vezes para presidir o Brasil. Insensatez por insensatez, o brasileiro tem o direito democrático de querer outra. Parecemos andar querendo renovar tudo, até mesmo os erros. […]

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Bolsonaro não é a pessoa mais sensata, simpática e brilhante do mundo. A esquerda vê problema nisso. Acontece que Dilma também não possui aqueles predicados e foi eleita duas vezes para presidir o Brasil. Insensatez por insensatez, o brasileiro tem o direito democrático de querer outra. Parecemos andar querendo renovar tudo, até mesmo os erros.

Dizem que o capitão não tem ideias, que é puro instinto; puro “ID”, como dizia Freud. Ele tem algumas ideias, sim.

Bolsonaro parece uma fusão na mesma intensidade de ID + EGO, algo que, como foge ao padrão de comportamento, o faz parecer psicologicamente desregulado. Mas o que “ofende” a parcela letrada da sociedade é que o deputado não tem superego. Ele não fica medindo as palavras. Nada o censura na expressão de seus instintos.

Podemos não gostar de algumas manifestações, e não deveríamos mesmo, porque ofendem ideais civilizatórios. O problema é que nossos padrões civilizatórios estão em patamar muito baixo, lá na barriga das cobras. Aí já viu!

Usei a imagem do “retorno ao mundo primitivo dos instintos” para tentar explicar o “fenômeno Bolsonaro”. Talvez não seja bem isso. Afinal, na Aurora do Homem, não havia ideias ainda. Hoje a gente tem um monte de ideias, mas elas só têm servido para resolver a vida da minoria. Diante da maioria, os problemas não apenas permanecem pétreos e intrigantes, como o monolito primal do filme de Kubrick; eles têm aumentado de escala, não só no Brasil.

Quando ocorre a falência das ideias é natural que cedamos lugar ao instinto. Nesses períodos, a gente sente como se a humanidade fechasse o ciclo de uma volta completa em si mesma, retornando ao tempo das cavernas, quando as ideias ainda não existiam.

No Brasil, estávamos acostumados a correr atrás das coisas. Ultimamente temos corrido em fuga de algo. Viver correndo, de qualquer jeito, não parece ser um destino compensador, a não ser para quem considera que a vida não passe de uma prova de atletismo com barreiras, por bastões.

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Algumas boas ideias transmitem a impressão de que terão vida longa no Brasil. Mas logo são desafiadas por fatores e circunstâncias. O Plano Real, por exemplo, foi fruto da conjunção de boas ideias. Mesmo com a queda de valor do Real ao longo dos anos, mesmo com o desvario fiscal do PT, a estabilidade da moeda se tem conservado razoavelmente. Já as políticas sociais do governo Lula e o ciclo de bonança econômica induzido pelo Estado petista tiveram vida curta. Com o país quebrado por um aquecimento econômico sem lastro, ainda que misteriosamente sem hiperinflação, 40 milhões de brasileiros que haviam deixado a miséria simplesmente voltaram aos braços dela.

Esse quadro tem tudo a ver com a proeminência de Bolsonaro e da ideias liberais que ele tem pregado. Se elas são aplicáveis ao Brasil, se vão resolver a nossa vida, é outra história.

É comum as pessoas compararem o capitão a Trump. A rigor, não têm muitas coisas em comum. O que há de comum e os permite é o sentimento popular de que as ideias andam exauridas por má aplicação e falta de correspondência na realidade.

Mesmo nos Estados Unidos, principal economia do mundo, as ideias costumam ajudar muito, mas também lá são desafiadas pelo mercado globalizado. Quando as ideias se mostram insuficientes, o povo quer saber de menos conversa e mais bola na rede, do jeito que for. Esse estado de espírito pode eleger Bolsonaro, como elegeu Trump, para surpresa mundial. Trump, como o capitão, é visto pelo eleitor letrado como um passo civilizatório atrás. O diacho é que o grosseirão deles vem fazendo o país crescer novamente.

Se o nosso grosseirão vencer, veremos se o poder econômico vai tratá-lo como tratou Collor ou se vai comprar o que parece ser a ideia do capitão: mergulhar num capitalismo realmente competitivo, emancipado dos velhos subsídios do Estado.

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Empresa & Consumo

25% DOS SHOPPING CENTERS DOS ESTADOS UNIDOS DEVEM FECHAR ATÉ 2022

Mariana Lima, da revista Novarejo Entre 20 e 25% dos shopping centers em funcionamento hoje nos Estados Unidos devem fechar as portas até 2022. A estimativa é do Credit Suisse e leva em consideração os 1,1 mil centros de compras do país. A informação foi divulgada no inicio do mês pelo site americano Business Insider. […]

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Mariana Lima, da revista Novarejo

Entre 20 e 25% dos shopping centers em funcionamento hoje nos Estados Unidos devem fechar as portas até 2022. A estimativa é do Credit Suisse e leva em consideração os 1,1 mil centros de compras do país. A informação foi divulgada no inicio do mês pelo site americano Business Insider.

Segundo a reportagem, a queda brusca em menos de cinco anos acontecerá devido ao forte crescimento do comércio digital, o fechamento das lojas físicas e a popularização de lojas localizadas fora dos shopping centers.

O declínio do tráfego e vendas nos shopping centers norte-americanos tem crescido nos últimos anos, mas se tornou evidente para o mercado durante as principais datas do varejo no ano passado.

Entre novembro e dezembro de 2016, as vendas nas lojas de departamento caíram 7% a.a. Para especialistas, o indicador é importante porque esse tipo de loja é considerado a principal p%orta de entrada do consumidor nos shopping centers nos Estados Unidos.

Em compensação, no mesmo período a venda por e-commerce e em lojas fora de shopping centers aumentou 13% em relação ao ano anterior.

Leia na íntegra aqui.

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Brasil

A lição belga útil ao Brasil

Felipe Camozzato ? O hexa não veio. Mas por que não aproveitamos a ocasião pra fazer do limão uma limonada e aprender um pouco com as experiências estrangeiras? O que aconteceu em campo deixamos pros jornalistas esportivos analisarem, mas e fora dele? Localizada no centro do continente europeu, a Bélgica tem uma economia diversificada, com uma ampla […]

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Felipe Camozzato ?

O hexa não veio. Mas por que não aproveitamos a ocasião pra fazer do limão uma limonada e aprender um pouco com as experiências estrangeiras? O que aconteceu em campo deixamos pros jornalistas esportivos analisarem, mas e fora dele?

Localizada no centro do continente europeu, a Bélgica tem uma economia diversificada, com uma ampla combinação de transporte, serviços, manufatura e indústrias high-tech, o que ajuda a explicar a 13° posição em termos de renda per capita com US$ 48 mil.

Com uma estrutura política bastante particular, o país é uma monarquia constitucional popular e, ao mesmo tempo, uma democracia parlamentar federal. Possui ao todo seis parlamentos e governos que destinam-se a distribuir o poder entre as comunidades regionais e linguísticas: holandesa (60% dos habitantes), francófona (40%), e também a de língua alemã (menos de 1%).

Atualmente, o governo de centro-direita do primeiro-ministro Charles Michel tenta diminuir o déficit público, a fim de combater a alta dívida pública, de cerca de 104% do PIB. Nessa linha, o governo comprometeu-se com um programa de reformas para melhorar a competitividade da Bélgica, incluindo mudanças nas regras do mercado de trabalho e benefícios sociais.

Em 2017, a Bélgica aprovou um plano de reforma fiscal para reduzir as taxas corporativas de 33% para 25% até 2020, com o objetivo de estimular a competitividade e o investimento privado.

Enquanto isso, por aqui ainda parece difícil um movimento no sentido de eliminar ou baixar taxas e impostos (e tem quem queira aumentá-los), e muitos insistem em adiar ou barrar reformas indispensáveis para o país.

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? Felipe é vereador em Porto Alegre.

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Histórias Top

Número de refugiados bate novo recorde e atinge 68,5 milhões

O número de pessoas forçadas a se deslocar no mundo bateu novo recorde, tendo aumentado 2,9 milhões em 2017 em relação ao ano anterior. Foram quase 69 milhões de deslocados, sendo que mais da metade deles (52%) são menores de idade. A média de pessoas forçadas a abandonar suas casas foi de mais de 44 […]

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O número de pessoas forçadas a se deslocar no mundo bateu novo recorde, tendo aumentado 2,9 milhões em 2017 em relação ao ano anterior. Foram quase 69 milhões de deslocados, sendo que mais da metade deles (52%) são menores de idade. A média de pessoas forçadas a abandonar suas casas foi de mais de 44 mil por dia em 2017.

Os dados foram divulgados hoje (19) pela Agência da ONU para Refugiados. O novo relatório, intitulado Global Trends — Forced Displacement in 2017 (Tendências Globais — Deslocamento Forçado em 2017, em tradução livre), traça um retrato das migrações forçadas em todo o mundo, resultado de perseguição, conflito ou violência generalizada.

Do total de deslocados, 25,4 milhões eram refugiados, 40 milhões, deslocados internamente e 3,1 milhões, requerentes de asilo. Mais de 16 milhões de pessoas foram deslocados pela primeira vez em 2017, incluindo 4,4 milhões que procuraram proteção no estrangeiro e 11,8 milhões que foram forçados a fugir, mas permaneceram em seus próprios países.

Crianças separadas dos pais e familiares, por causa de conflitos, deslocamentos forçados ou desastres naturais, são particularmente mais vulneráveis a abusos. Os dados relacionados a crianças desacompanhadas são limitados, pois nem todos os países registram esses números.

Dados preliminares, considerados subestimados no relatório, indicaram mais de 170 mil crianças (menores de 14 anos) refugiadas, desacompanhadas ou separadas dos pais, em 2017.

Entre todos os refugiados e deslocados, 52% tinham menos de 18 anos.

Países em desenvolvimento

Diferentemente do que muitos pensam, grande parte dos refugiados vai para países em desenvolvimento, rompendo com a ideia de que os migrantes são uma questão de “países ricos”. Cerca de 85% dos refugiados sob mandato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) foram para países em desenvolvimento, o que representa um total de quase 17 milhões de pessoas.

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A grande maioria das pessoas deslocadas permaneceu em países próximos. Cerca de 4, de cada 5 refugiados, estavam localizados em um país vizinho àquele de onde fugiram.

Os países menos desenvolvidos também deram asilo ao equivalente a um terço do total global (6,7 milhões de refugiados). O Líbano, por exemplo, foi o que recebeu o maior número de refugiados em relação à população nacional (1 em cada 6 pessoas era refugiada). A Jordânia (1 em 14) e a Turquia (1 em 23) ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Quando os refugiados da Palestina, sob mandato da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) estão incluídos, os números sobem para 1 em cada 4, no Líbano, e 1 em cada 3 na Jordânia. A UNRWA presta assistência e proteção a 5 milhões de refugiados palestinos.

Até o final de 2017, cerca de 3,1 milhões de pessoas estavam aguardando uma decisão sobre seu pedido de asilo, cerca de metade nas regiões em desenvolvimento.

Durante 2017, quase 5 milhões de pessoas retornaram a seus países de origem, sendo 4,2 milhões de deslocados internos e 667.400 refugiados.

Foram feitos 1,7 milhão de novos pedidos de asilo. Com 331.700 solicitações, os Estados Unidos foram, pela primeira vez, o maior destinatário do mundo de novos pedidos, seguidos pela Alemanha (198.300), Itália (126.500) e Turquia (126.100).

Ranking

A Síria, assim como nos anos anteriores, continuou a ser o país com maior população deslocada globalmente. No fim de 2017, havia 12,6 milhões de sírios desalojados à força, sendo cerca de 6,3 milhões de refugiados, 146.700 requerentes de asilo e 6,2 milhões de deslocados internos.

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A Colômbia teve o segundo maior deslocamento populacional, com 7,9 milhões de vítimas de conflitos, a maioria deslocada internamente (7,7 milhões) .

A República Democrática do Congo ficou em terceiro lugar, com 5,1 milhões de congoleses deslocados à força, 4,4 milhões de deslocados internos, 620.800 refugiados e 136.400 requerentes de asilo. Em seguida está o Afeganistão (4,8 milhões), Sudão do Sul (4,4 milhões), Iraque (3,3 milhões), a Somália (3,2 milhões), o Sudão (2,7 milhões), Iêmen (2,1 milhões), a Nigéria (2,0 milhões) e Ucrânia (2,0 milhões).

Venezuela

Nos últimos anos, a situação política e econômica na Venezuela levou mais de 1,5 milhão de venezuelanos a se deslocarem para os países vizinhos. Entre os principais destinos estavam o Brasil, a Colômbia, Costa Rica, o México, Peru, a Espanha e os Estados Unidos. De acordo com os números fornecidos pelos governos desses países, mais de 111 mil venezuelanos apresentaram novos pedidos de asilo em 2017. O Peru registrou mais pedidos (33.100), seguido pelos Estados Unidos (30.000), o Brasil (17.900), a Espanha (10.600), o Panamá (4.400), México (4.000) e a Costa Rica (3.200).

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