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Pensata

O tal do “fenômeno Bolsonaro”

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Bolsonaro não é a pessoa mais sensata, simpática e brilhante do mundo. A esquerda vê problema nisso. Acontece que Dilma também não possui aqueles predicados e foi eleita duas vezes para presidir o Brasil. Insensatez por insensatez, o brasileiro tem o direito democrático de querer outra. Parecemos andar querendo renovar tudo, até mesmo os erros.

Dizem que o capitão não tem ideias, que é puro instinto; puro “ID”, como dizia Freud. Ele tem algumas ideias, sim.

Bolsonaro parece uma fusão na mesma intensidade de ID + EGO, algo que, como foge ao padrão de comportamento, o faz parecer psicologicamente desregulado. Mas o que “ofende” a parcela letrada da sociedade é que o deputado não tem superego. Ele não fica medindo as palavras. Nada o censura na expressão de seus instintos.

Podemos não gostar de algumas manifestações, e não deveríamos mesmo, porque ofendem ideais civilizatórios. O problema é que nossos padrões civilizatórios estão em patamar muito baixo, lá na barriga das cobras. Aí já viu!

Usei a imagem do “retorno ao mundo primitivo dos instintos” para tentar explicar o “fenômeno Bolsonaro”. Talvez não seja bem isso. Afinal, na Aurora do Homem, não havia ideias ainda. Hoje a gente tem um monte de ideias, mas elas só têm servido para resolver a vida da minoria. Diante da maioria, os problemas não apenas permanecem pétreos e intrigantes, como o monolito primal do filme de Kubrick; eles têm aumentado de escala, não só no Brasil.

Quando ocorre a falência das ideias é natural que cedamos lugar ao instinto. Nesses períodos, a gente sente como se a humanidade fechasse o ciclo de uma volta completa em si mesma, retornando ao tempo das cavernas, quando as ideias ainda não existiam.

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No Brasil, estávamos acostumados a correr atrás das coisas. Ultimamente temos corrido em fuga de algo. Viver correndo, de qualquer jeito, não parece ser um destino compensador, a não ser para quem considera que a vida não passe de uma prova de atletismo com barreiras, por bastões.

Algumas boas ideias transmitem a impressão de que terão vida longa no Brasil. Mas logo são desafiadas por fatores e circunstâncias. O Plano Real, por exemplo, foi fruto da conjunção de boas ideias. Mesmo com a queda de valor do Real ao longo dos anos, mesmo com o desvario fiscal do PT, a estabilidade da moeda se tem conservado razoavelmente. Já as políticas sociais do governo Lula e o ciclo de bonança econômica induzido pelo Estado petista tiveram vida curta. Com o país quebrado por um aquecimento econômico sem lastro, ainda que misteriosamente sem hiperinflação, 40 milhões de brasileiros que haviam deixado a miséria simplesmente voltaram aos braços dela.

Esse quadro tem tudo a ver com a proeminência de Bolsonaro e da ideias liberais que ele tem pregado. Se elas são aplicáveis ao Brasil, se vão resolver a nossa vida, é outra história.

É comum as pessoas compararem o capitão a Trump. A rigor, não têm muitas coisas em comum. O que há de comum e os permite é o sentimento popular de que as ideias andam exauridas por má aplicação e falta de correspondência na realidade.

Mesmo nos Estados Unidos, principal economia do mundo, as ideias costumam ajudar muito, mas também lá são desafiadas pelo mercado globalizado. Quando as ideias se mostram insuficientes, o povo quer saber de menos conversa e mais bola na rede, do jeito que for. Esse estado de espírito pode eleger Bolsonaro, como elegeu Trump, para surpresa mundial. Trump, como o capitão, é visto pelo eleitor letrado como um passo civilizatório atrás. O diacho é que o grosseirão deles vem fazendo o país crescer novamente.

Se o nosso grosseirão vencer, veremos se o poder econômico vai tratá-lo como tratou Collor ou se vai comprar o que parece ser a ideia do capitão: mergulhar num capitalismo realmente competitivo, emancipado dos velhos subsídios do Estado.

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Jornalista. Editor do Amigos. Ex-funcionário do Senado Federal, do Ministério da Educação e do jornal Correio Braziliense. Prêmio Esso Regional Sul de Jornalismo. Top Blog. Autor do livro Drops de Menta.

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2 Comments

2 Comments

  1. J.Boris

    04/08/18 at 11:23

    Dramático retrocesso do país.Já foi dito: “O Brasil precisa alguém como Vladimir(Putin) que resolveria tudo.É fundamental uma estratégia contra aqueles que fazem mal ao país e acredito que o candidato Jair Bolsonaro saberá lidar “de uma forma que eles não ficariam felizes”.

  2. João M. V. Azambuja

    01/08/18 at 20:40

    Comentário sensato e lúcido!

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor.

Cultura & diversão

Em Ataque dos Cães: o segredo de um cawboy homofófico. Por Déborah Schmidt

Benedict Cumberbatch tem um personagem fascinante em suas mãos

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Ambientado em 1925, Phil (Benedict Cumberbatch) e George Burbank (Jesse Plemons) são dois irmãos ricos e proprietários da maior fazenda de Montana. A relação entre os dois começa a ficar estremecida quando George se casa secretamente com Rose (Kirsten Dunst), uma viúva que mora com o seu filho Peter (Kodi Smit-McPhee).  

Lançamento da Netflix, o filme é baseado no livro de Thomas Savage e é dirigido pela respeitada diretora e roteirista Jane Campion, doze anos após o seu último lançamento, o belíssimo Brilho de uma Paixão. Aqui, ela usa toda a sua experiência para criar um faroeste que explora poder, inveja, solidão e desejos reprimidos.

A cineasta mostra sua maestria ao trabalhar com sutileza as simbologias por trás de seus complexos personagens, mostradas através de gestos, olhares e, principalmente, do silêncio.

Desde seu início, o longa mostra as inúmeras diferenças entre os irmãos. Phil é arrogante, frio e prepotente, e que mesmo com uma formação superior optou por uma vida no campo.

George é quieto, gentil, educado e sem muito interesse pela vida de cowboy. Aliás, o comportamento calmo de George só ajuda a potencializar as reações violentas de Phil.

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Enquanto isso, o jovem Peter estuda medicina e costuma fazer flores de papel para colocar na lápide de seu pai, mas sua sensibilidade acaba acarretando em piadas homofóbicas e desrespeitosas de Phil.  

Um dos melhores atores da atualidade, Benedict Cumberbatch tem um personagem fascinante em suas mãos. Com uma atuação agressiva que progressivamente desmascara suas aparências, o britânico entrega a melhor atuação de sua carreira e que deve lhe render sua segunda indicação ao Oscar.

Kirsten Dunst também se destaca como uma mulher constantemente ameaçada pela presença de seu cunhado. Assim como Kodi Smit-McPhee, que vive um personagem introspectivo e que evita o confronto com Phil. Quanto a Jesse Plemons, seu personagem perde espaço nos momentos finais, o que não prejudica mais um excelente trabalho do ator.  

Contemplativa ao mostrar grandes planos abertos que destacam as montanhas e os vales, a espetacular fotografia de Ari Wegner compõe lindas paisagens que ajudam a construir o clima de faroeste acompanhado da trilha sonora minimalista de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, e parceiro de Paul Thomas Anderson em filmes como Sangue Negro e Trama Fantasma.

Em sua sombria reviravolta final, vemos que o título do filme foi tirado de um salmo da Bíblia que diz: “Livra minha alma da espada, minha vida do poder do cão”. Afinal, quem seria o cão? Cabe a cada um tirar sua própria conclusão.  

Um dos melhores filmes do ano, Ataque dos Cães é o retorno poderoso de Jane Campion, embalado por uma performance fantástica de Benedict Cumberbatch. Um filme que discute as relações de poder e a repressão do desejo e, mesmo em um ritmo lento, debate uma visão de masculinidade tóxica e problemática enraizada na sociedade.  

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Brasil & Mundo

Papa Francisco alerta para “retrocesso da democracia”

Para o papa, esse ceticismo em relação à democracia “é provocado pela distância das instituições, pelo temor à perda de identidade e pela burocracia”

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O papa Francisco considerou hoje (4) que há “um retrocesso da democracia” na Europa e no resto do mundo, sobretudo por causa do populismo e da “distância das instituições”.

Francisco falou perante a presidente e o primeiro-ministro da Grécia, Katerina Sakelaropul e Kyriakos Mitsotakis, ao chegar ao país onde nasceu a democracia, como afirmou o papa em seu pronunciamento.

“Não se pode deixar de constatar com preocupação como hoje, não apenas no continente europeu, se registra um retrocesso na democracia”, disse o papa, citado pela agência EFE.

Francisco considerou que “o autoritarismo é expedito [diligente], e as promessas fáceis propostas pelo populismo mostram-se atraentes”.

“Em diversas sociedades, preocupadas com a segurança e anestesiadas pelo consumismo, o cansaço e o mal-estar levam a uma espécie de ceticismo democrático”, afirmou o líder da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano, que iniciou hoje visita à Grécia depois de ter estado no Chipre.

Para o papa, esse ceticismo em relação à democracia “é provocado pela distância das instituições, pelo temor à perda de identidade e pela burocracia”, e o remédio é “a boa política”.

Francisco apelou para que se passe “do partidarismo à participação, do mero compromisso para apoiar uma fação a um envolvimento ativo na promoção de todos”.

Diante de desafios “como a defesa do clima, a pandemia, o mercado comum e as pobrezas generalizadas”, ele insistiu na necessidade de defender o multilateralismo das “excessivas pretensões nacionalistas” e para que as “exigências comuns” se sobreponham “aos interesses privados”.

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O papa disse esperar que a resposta “às seduções do autoritarismo” seja “a democracia”, que “à indiferença individualista se oponha o cuidado com o outro”, para que haja “um humanismo renovado”.

“Que é aquilo de que precisam os nossos tempos e a nossa Europa”, acrescentou.

Diante das autoridades gregas, ele lembrou os incêndios que atingiram a Grécia nos últimos anos. Insistiu que “os compromissos assumidos na luta contra as alterações climáticas sejam cada vez mais partilhados e não uma fachada, que sejam encarados com seriedade, que às palavras se sigam atos, para que os filhos não paguem mais uma vez a hipocrisia dos pais”.

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Pelotas & RS

O sonho acabou de novo

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Agora que Eduardo Leite não será mais candidato, a cobertura de política regional, que já andava chata há muito tempo, perdeu toda a graça.

Achavam que seria a redenção da região Sul ter, quem sabe, um presidente da República natural de Pelotas. O sonho acabou de novo.

O Porto de Rio Grande foi o sonho de redenção anterior…

#MAS-TEVE-UM-PORÉM

Dilma andou lendo keines e resolveu seguir a cartilha: investir dinheiro público para injetar vigor na economia. Inventou de construir plataformas petrolíferas no Brasil, mesmo sabendo que era mais barato encomendá-las do exterior. Abriu os cofres do BNDES para robustecer a indústria nacional, empregar brasileiros em obras públicas. Sabemos como acabou. A primeira plataforma feita em Rio Grande, rebocada até a costa do Rio de Janeiro, afundou. Bilhões desceram até o fundo do mar sem que conseguissem extrair um mísero litro de petróleo. O aço que sobrou em Rio Grande, à espera de novos moldes e encaixes, enferrujou e terminou vendido como sucata para a Gerdau. Adeus, polo naval. Adeus, empregos. Adeus, Zona Sul. Pouco depois, adeus Dilma!

Ninguém pode fazer nada por nós, a não ser nós mesmos.

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